Depois do jantar, o silêncio voltou a tomar conta da casa. Tiago ainda estava sentado à mesa, o prato vazio diante dele, o corpo inclinado como quem pensa em mil coisas ao mesmo tempo. Eu me levantei, cansada, e fui até o quarto espiar Caique. Ele dormia tranquilo, o rosto sereno, as mãozinhas fechadas em punho sobre a manta. Meu peito se aliviou só de vê-lo assim. Quando voltei pra sala, Tiago se levantou também. Os olhos dele estavam sérios, como sempre, mas havia algo que não consegui decifrar. — Vou ver o menino. — falou baixo, quase como se pedisse licença, embora o tom não permitisse recusa. — Ele tá no quarto, dormindo. Tiago passou por mim devagar, e o peso da presença dele deixou o ar mais denso. Abriu a porta com cuidado, entrou e ficou em pé ao lado do berço, observando Caiq

