O dia seguinte amanheceu com o sol entrando tímido pela cortina fina, como se não tivesse coragem de iluminar o peso que a noite anterior deixou. Eu acordei cansada, com os olhos ardendo de tanto pensar, mas me forcei a levantar. Caique precisava da rotina dele, e eu precisava fingir que a vida seguia, mesmo depois de ver o pior lado de Rafael escancarado, cuspindo aquelas palavras podres na minha cara. Ele dormia tranquilo no berço, as mãozinhas fechadas em punho, respirando fundo como se nada no mundo pudesse encostar nele. Olhei aquele rostinho e senti o peito apertar. Por você, eu sigo. Por você, eu finjo que tá tudo normal. Troquei a fralda dele, lavei o rostinho com algodão molhado e coloquei o macacão azul claro que tinha separado. Depois ajeitei Caique na cadeirinha de descanso,

