O dia seguinte chegou, mas Beatriz não conseguiu afastar as imagens do encontro da noite passada. Cada palavra de Eduardo, cada movimento dele, ficou gravado em sua mente como uma marca indelével. Ela não sabia o que mais a assustava: a frieza de sua obsessão ou o fato de que ela estava começando a questionar os próprios sentimentos.
Era difícil admitir, mas Eduardo a dominava, e não só fisicamente. Ele havia encontrado uma forma de invadir sua mente e seus pensamentos. A cada minuto, ela sentia a pressão de sua presença, como se ele estivesse constantemente observando, esperando o momento certo para dar o próximo passo. E o pior de tudo: ela não sabia como escapar desse jogo.
Ao entrar na cozinha para o café da manhã, Beatriz encontrou uma garrafa de vinho aberta sobre a mesa, o que era um sinal claro de que Eduardo havia passado por ali. Ele não tinha o hábito de beber sozinha, mas sempre que ele aparecia, algo dentro dela começava a se quebrar, e a sensação de estar perdendo o controle aumentava. Ele gostava disso, de vê-la vulnerável.
E era exatamente isso que ele queria, não? Vê-la perder cada pedacinho de resistência, até não restar nada além de uma mulher submissa aos seus desejos. E Beatriz sabia que, se continuasse em silêncio, esse plano acabaria por se concretizar.
Ela não poderia permitir isso.
No entanto, mesmo tentando se concentrar no trabalho, algo em sua mente não parava de girar. A cada e-mail que respondia, a cada cliente que atendia, Beatriz se sentia como se estivesse apenas existindo, não vivendo. Eduardo tinha uma presença avassaladora, e a maneira como ele agora a perseguia com palavras e gestos enigmáticos não fazia com que ela se sentisse mais livre. Ao contrário, cada vez que ele a tocava, cada vez que ele a olhava, Beatriz sentia o peso de um destino inevitável.
Ela não sabia se deveria estar com medo ou se deveria se entregar. Mas o que mais lhe consumia era o fato de que a linha entre desejo e raiva começava a desaparecer. Havia algo nele que a atraía, algo que ela não conseguia identificar, mas que se tornava mais forte a cada dia.
Ao chegar em casa naquela noite, Beatriz percebeu que a atmosfera era diferente. O ar estava mais denso, como se algo estivesse prestes a acontecer. Ela não se sentia à vontade, mas tentou manter a calma e seguir com sua rotina.
Mas ao abrir a porta da sala, encontrou Eduardo parado, observando a cidade pela janela. Sua postura estava mais rígida, seus ombros tensos. Não era o comportamento dele habitual — aquele tipo de indiferença fria estava ausente. No lugar, havia algo mais profundo, mais sombrio.
"Beatriz," ele disse, sem se virar, ainda olhando para fora. "Você já percebeu o quanto está se entregando a mim?"
Ela parou, surpresa com a pergunta. Não sabia se ele estava falando de forma figurada ou se havia algo mais por trás daquelas palavras. Ele sabia que ela estava em conflito, que seu corpo respondia à sua presença de uma maneira que ela não podia controlar.
"Eu não estou me entregando a você," ela disse, tentando esconder o tremor na voz. "Eu estou tentando manter o controle sobre a minha vida."
"Mas você não tem mais controle, Beatriz," ele disse, virando-se finalmente para ela. Seus olhos brilhavam com uma intensidade que ela nunca havia visto antes. "Eu decidi que você vai ser minha. Não importa o quanto você tente resistir."
Beatriz engoliu em seco. Havia algo nas palavras dele que fazia seu corpo reagir de forma inesperada. Ela tentou manter a distância, tentou lembrar-se de quem ela era antes de tudo isso, mas o olhar de Eduardo a desconcentrava. Ele não estava ali apenas para provocá-la — ele estava ali para dominar.
"Você pode tentar lutar contra isso, mas vai ser em vão," ele disse, seus passos ecoando enquanto ele se aproximava. "Você vai entender, Beatriz. Vai perceber que não consegue mais escapar."
A tensão entre eles aumentava a cada palavra. Ela estava ali, incapaz de mover um músculo, presa em um jogo que ela não sabia como ganhar. Mas, ao mesmo tempo, uma parte dela começava a questionar se ela realmente queria ganhar. O desejo que ela sentia por ele era palpável, e isso a aterrorizava.
Eduardo chegou mais perto, agora a apenas alguns centímetros dela. Ela podia sentir o calor do seu corpo, e uma onda de calor subiu por suas pernas. Sua respiração estava ofegante, mas ela não sabia o que fazer. O medo a paralisava, mas ao mesmo tempo havia algo ali, algo inegável, que a atraía para ele.
"Eu vejo o que está acontecendo dentro de você," ele sussurrou, sua voz suave, mas carregada de algo escuro. "Você quer se afastar de mim, mas não consegue. Eu sei o que você sente."
Ela não respondeu. Não conseguia mais. As palavras dele estavam cortando fundo, e o controle que ela pensava ter, desaparecia diante dele. A dor e o prazer estavam começando a se confundir. Ela não sabia mais onde uma coisa começava e a outra terminava.
"Eu vou te fazer entender, Beatriz," ele continuou, agora com uma mão tocando suavemente sua bochecha. "Vou fazer você se render, até você não conseguir mais resistir."
Beatriz fechou os olhos, tentando afastar os pensamentos que estavam surgindo em sua mente. Mas a sensação de ser dominada, de ser completamente subjugada a ele, estava crescendo dentro de si. Era algo que ela nunca imaginou experimentar, mas que, agora, se tornava inevitável.
"E quando eu me render?" ela perguntou, a voz rouca. "O que vai acontecer depois?"
Eduardo sorriu, um sorriso enigmático e cheio de promessas sombrias. "Quando você se render, Beatriz, você vai entender o que significa ser realmente minha. E então, não haverá mais volta."
Ela não sabia o que ele queria dizer com aquilo, mas sabia, no fundo, que sua vida estava prestes a mudar para sempre. O jogo de poder entre eles estava apenas começando, e Beatriz começava a perceber que não poderia mais escapar dele.
Ela sabia que estava em um beco sem saída, mas o desejo e a atração por Eduardo estavam se tornando mais intensos a cada segundo. Ela não conseguia mais distinguir onde começava o medo e onde terminava o desejo. Tudo estava se misturando em uma sensação avassaladora que a estava consumindo.
Beatriz estava perdida. E ela sabia que, quando o jogo de Eduardo chegasse ao fim, não restaria mais nada de quem ela fora.