Capítulo 4: Sob o Peso da Obsessão

1101 Palavras
Os dias seguintes foram uma sucessão de momentos em que Beatriz se viu refém do olhar constante de Eduardo, mesmo quando ele não estava fisicamente ao seu lado. O pensamento dele a perseguia. O toque suave que ele lhe dera na noite anterior parecia queimá-la, como uma marca invisível em sua pele. A obsessão dele se tornou algo palpável, algo que ela não podia evitar. No início, ela tentou se convencer de que tudo não passava de um jogo. Ele queria algo dela, e ela, como qualquer mulher inteligente, deveria resistir. Mas à medida que o tempo passava, Beatriz percebeu que estava entrando em um terreno perigoso — e, de alguma forma, ela já não sabia se queria sair dele. Eduardo continuava sendo impessoal, distante e controlado durante o dia. Mas à noite, ele se tornava outra pessoa. Seu olhar, seus gestos, a maneira como ele a observava, tudo parecia se tornar mais... possessivo. Ela não sabia como reagir a isso. Não sabia como se proteger do magnetismo irresistível que ele irradiava. Naquela noite, Beatriz estava em seu escritório, tentando se concentrar no trabalho, quando ouviu o som da porta se abrindo. Ela levantou os olhos, e lá estava ele, parado na entrada. Sua presença foi como um golpe em seu peito. Não havia palavras, apenas a energia carregada entre eles, algo que Beatriz não sabia como lidar. “Você não tem escapatória, Beatriz,” disse Eduardo, sua voz baixa, quase um sussurro, mas cheia de intensidade. Ele avançou em sua direção sem pressa, como se o tempo não tivesse qualquer importância. “Você acha que pode se esconder do que está acontecendo entre nós, mas a verdade é que você está cada vez mais próxima de ceder. Você sente isso, não sente?” Beatriz não conseguiu responder. As palavras dele foram como um choque elétrico que percorreu sua espinha. Ela sabia que não poderia fugir do que ele estava dizendo. Havia uma verdade inegável nas palavras de Eduardo, algo que a fazia se sentir vulnerável, exposta de uma forma que ela nunca imaginara. Mas ela não queria ceder. Não queria perder sua independência. “Eu não sou sua, Eduardo,” ela disse, tentando encontrar sua voz. “Eu não vou me submeter à sua vontade. Isso não é... não é o que eu sou.” Mas ele sorriu de uma forma que fez seu corpo estremecer. Um sorriso de quem sabia que estava no controle. “Você não precisa me dizer isso, Beatriz. Eu sei o que você é. E o que você vai ser.” Ela deu um passo atrás, mas ele se aproximou com rapidez. Em um movimento quase imperceptível, Eduardo agarrou seu braço, puxando-a para mais perto. Ela sentiu seu corpo tenso contra o dele, o calor dele invadindo seu espaço pessoal. A tensão entre eles era quase insuportável. “Você ainda acredita que pode se afastar de mim?” Ele sussurrou, a voz carregada de uma promessa sombria. “Você ainda acha que pode me ignorar? Pode continuar tentando, Beatriz. Mas no fim, você vai entender que tudo o que você quer, tudo o que você precisa, sou eu. E isso vai ser mais forte do que qualquer resistência sua.” Ela tentou se afastar, mas seus pés não se moveram. A cada palavra, a cada toque de Eduardo, ela sentia seu controle escorregando entre seus dedos. Havia uma força irresistível em suas palavras, uma força que a deixava sem reação, sem palavras. Ela queria gritar, queria afastá-lo de si, mas sua garganta parecia apertada, o medo e o desejo se entrelaçando de uma forma que ela não conseguia mais distinguir. Eduardo a olhou com um olhar profundo, penetrante. Ele não disse nada por um momento, apenas a estudou, como se estivesse analisando cada pedacinho de sua reação. E então, com um sorriso satisfeitos, ele se afastou. Mas o que ele disse a seguir a deixou sem fôlego. “Você vai se entregar a mim, Beatriz,” ele disse calmamente. “Eu vou fazer você entender que não há mais volta. E, quando isso acontecer, você vai ser minha de todas as maneiras possíveis. E, por mais que você tente negar, você vai gostar disso.” Beatriz não sabia o que fazer. Estava perdida, presa entre o que ela sabia ser certo e a atração esmagadora que Eduardo exerceu sobre ela. Seu corpo estava em guerra consigo mesma, respondendo ao toque dele, mesmo que sua mente gritasse para que ela resistisse. A linha entre o ódio e o desejo se tornava cada vez mais tênue. Nos dias seguintes, as palavras de Eduardo ecoaram em sua mente como um pesadelo constante. Ela tentava focar no trabalho, tentar escapar da pressão crescente que sentia, mas ele estava sempre lá. Seus olhos a seguiam onde quer que ela fosse. Ela sentia como se estivesse sendo observada a todo momento, como se estivesse sendo devorada por um olhar invisível que não a deixava em paz. E, embora estivesse desesperada para manter o controle, algo dentro dela começava a mudar. Algo que ela não queria admitir. Cada vez que Eduardo a olhava com aquela intensidade, cada vez que ele aparecia em sua porta, cada vez que ele falava com ela de uma maneira quase possessiva, algo dentro dela se quebrava. Ela começou a perceber que ele estava certo. O controle estava se esvaindo dela. As palavras dele, suas ações, estavam minando sua resistência. A linha entre o medo e o desejo começava a desaparecer. Ela começava a questionar o que sentia por ele, o que sentia por si mesma. Naquela noite, quando Beatriz estava na sala de estar, ela ouviu a porta se abrir novamente. Mas desta vez, não era a presença fria de Eduardo que a fazia se arrepiar. Era o silêncio. O silêncio denso que parecia tomar conta da sala. Ela se virou para vê-lo, mas não foi preciso. Ele já estava lá, parado diante dela. Não havia mais distância entre eles. Ele estava perto, muito perto, e a maneira como a olhava parecia fazê-la perder a sanidade. “Beatriz,” ele disse com um sorriso enigmático. “Você está tão perto de entender. E eu vou te mostrar o que significa ser minha. De verdade.” Ela engoliu em seco. Estava a ponto de ceder. Estava a ponto de entrar naquele abismo do qual ela não conseguiria mais sair. Mas não sabia se tinha forças para resistir. Eduardo deu um passo à frente, e ela não recuou. A obsessão dele agora era tudo o que ela sentia. E, de alguma forma, ela sabia que não poderia mais fugir.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR