Beatriz acordou naquela manhã com a sensação de que algo estava prestes a acontecer. Ela não sabia exatamente o quê, mas havia uma tensão no ar, algo que parecia anunciar um momento de decisão iminente. Eduardo tinha o poder de virar o mundo dela de cabeça para baixo com apenas um olhar, e, mais do que isso, ela começava a perceber que ele sabia disso — ele sabia o quanto tinha controle sobre ela.
Ela tentou ignorar o fato de que suas noites eram cada vez mais invadidas pelos pensamentos sobre ele, sobre o que ele poderia fazer e sobre como sua presença parecia consumir toda a sua energia. Quando ele estava perto, ela sentia como se o ar ao redor ficasse mais denso, mais difícil de respirar, e seus batimentos cardíacos aceleravam sem explicação. Era uma necessidade crescente de algo que ela não conseguia compreender — ou talvez não quisesse.
Quando entrou na sala de estar, seu olhar se encontrou com o de Eduardo, que estava sentado no sofá, observando-a com um sorriso discreto, mas perigoso. Ele não precisava dizer nada, porque seu olhar dizia tudo. Ele sabia o que ela estava pensando, e, por mais que ela tentasse esconder, sabia que ela estava começando a perder o controle.
“Bom dia, Beatriz,” disse ele, sua voz suave, mas carregada de uma autoridade inegável. “Você dormiu bem?”
Ela não respondeu de imediato. O simples fato de ele perguntar como se estivesse interessado em algo tão banal a fez se sentir ainda mais vulnerável. Ela queria falar, queria gritar para ele se afastar, mas algo dentro dela se impedia. Talvez fosse o medo de mais uma de suas ameaças. Ou talvez fosse a necessidade de algo mais profundo, algo que ela começava a entender que estava muito além da resistência.
“Eu não sei se quero mais isso,” ela respondeu, a voz tensa. Tentava se manter firme, mas, por dentro, havia um conflito enorme. “Eu não quero viver sob o seu olhar, sob o seu controle, Eduardo.”
Ele a observou por um momento, como se estivesse estudando sua reação. Depois, um sorriso sutil apareceu em seus lábios, mas não era um sorriso gentil. Era um sorriso de quem sabia que estava no controle de toda a situação.
“Você acha que pode fugir de mim?” ele perguntou, quase como se fosse uma piada, mas Beatriz sabia que não era. “Você acha que pode simplesmente ir embora e me deixar para trás? Porque é isso que você tem tentando fazer, não é?”
Ela não disse nada. As palavras dele a atingiam como flechas afiadas, e ela não sabia mais o que era real e o que era apenas sua mente tentando se proteger. Ele estava certo. Ela tentava fugir, tentar manter o controle sobre sua vida, mas ele estava sempre lá, atrás dela, observando-a, como se fosse um predador, e ela, a presa.
“Você não pode mais fugir de mim, Beatriz,” ele continuou, com calma. “O que você sente por mim é inevitável. E o que você acha que pode controlar em você, eu também controlo. Você já me pertence. Só não sabe disso ainda.”
As palavras dele estavam começando a fazer sentido de uma maneira que a aterrorizava. Ele tinha razão. Ela não sabia se queria admitir, mas algo dentro dela estava começando a se entregar. Não completamente, mas o suficiente para que ela começasse a questionar a linha entre o certo e o errado. Ele havia cruzado uma linha invisível, uma linha que Beatriz não sabia como atravessar sem se perder.
Eduardo se levantou do sofá com uma calma desconcertante, e se aproximou dela. Cada passo dele parecia mais pesado, mais definitivo. Beatriz deu um passo para trás, mas sua reação não passou despercebida. Ele percebeu, claro. Cada movimento dela era estudado por ele.
“Você está com medo de mim, Beatriz,” ele disse, com uma voz que transbordava de algo mais profundo. “E o medo... é o que mais te atrai.”
Ela não respondeu, mas sentiu a verdade em suas palavras. Era uma confusão. A cada vez que ele se aproximava, ela sentia o medo, sim, mas também sentia uma atração inexplicável. Era algo que ela não sabia como controlar, algo que estava se tornando mais forte a cada segundo que passava com ele.
“Eu não sou sua,” ela disse, embora soubesse que não acreditava mais totalmente nas suas próprias palavras. Ela não sabia mais o que era verdade.
Eduardo parou à sua frente, e a tensão entre eles aumentou. O espaço parecia desaparecer, e o ambiente ficou mais quente, mais carregado. Ela sentia o ar condensado entre eles, como se ele estivesse prestes a quebrar a distância de uma vez por todas.
“Você pode dizer o que quiser, Beatriz,” ele murmurou, seu rosto tão perto do dela que ela podia sentir a respiração dele. “Mas no fundo, você sabe que vai se render. Porque, no final, você vai entender que nada disso tem a ver com o que você quer. Tem a ver com o que eu decido.”
Ela se afastou dele com um movimento rápido, sentindo o choque da sua resistência. Mas, ao fazer isso, ela se deparou com algo que a fez parar: ele havia colocado a mão suavemente sobre sua cintura, impedindo-a de ir mais longe. O contato físico era suave, mas ao mesmo tempo, impossível de ignorar. Era como se ele tivesse colocado uma âncora nela, algo que a impedia de se mover para longe dele.
Beatriz sentiu seu corpo reagir de uma forma que não sabia como controlar. Sua mente gritava para que ela se afastasse, mas seu corpo estava respondendo de outra forma. A linha entre o desejo e a submissão estava começando a se dissipar. Ela não sabia o que fazer com isso.
“Você está começando a entender agora, Beatriz,” ele disse, sua voz agora baixa e cheia de um tipo de prazer que ela não entendia. “Você está começando a perceber que não pode mais me deixar. E quando você se render, vai se entregar de corpo e alma.”
Ela sentiu sua respiração se acelerar, e por um momento, o medo e o desejo se confundiram dentro dela. Ele estava certo, ela sabia. Mas ela não sabia como fugir disso, e nem tinha certeza se ainda queria.
Eduardo, vendo a luta interna dela, sorriu, mas não de forma triunfante. Era um sorriso de quem sabia exatamente o que estava prestes a acontecer.
“Eu sei o que você quer, Beatriz,” ele disse, suavemente. “E quando você entender o que isso realmente significa, você vai se entregar a mim sem resistência. E você vai se perguntar por que demorou tanto para perceber.”
O choque foi grande demais para ela. Tudo o que ela sentia naquele momento era a urgência de não se perder, mas parecia que as palavras de Eduardo estavam destruindo qualquer resistência que ainda restava. O medo era profundo, mas a atração dele, agora, também era inegável.