Capítulo 34

1072 Palavras
Horas mais tarde... Depois que a Cacilda foi embora, me levantei e para ir até o meu quarto buscar a Samanta. Queria mostrar para ela todo o material escolar que comprei. Passei a mão por uma caneta personalizada com princesas e sorri. Ela vai amar. A minha menina adora contos de fadas. Estreitei os olhos ao perceber o que havia dito. "Minha menina." Antes de sair do escritório, meu celular tocou. Olhei para a tela e franzi a testa. Era o Alessandro. Ligação: — O que você quer? Perguntei sem paciência. Alessandro: — A minha mãe perguntou se posso trazer a Samanta para um chá da tarde com ela. Sentei na poltrona, sem saber o que responder. Eu não podia negar um pedido da mulher do governador. Ela era tão meiga, tão amorosa... Mas o que será que ela quer com a minha Samanta? Pensei. — Não sei... Você a deixou sozinha da última vez. Sabe que ela não conhece a cidade, é uma garota que veio do campo. Ele riu e provocou: Alessandro: — Para quem não queria se aproximar dela, você está bem possessivo e cheio de desculpas. Revirei os olhos e bufei. — Não são desculpas. Se acontecer alguma coisa com ela, meu pai me mata. Alessandro: — É só um chá, cara. Você sabe como minha mãe tem sido carinhosa com todas as garotas jovens que conhece. Ela gostou da Samanta. Seja compreensível, meu amigo. Você já foi mais sensível. — E para onde me levou a minha bondade e compreensão? Fui traído e envergonhado no dia do meu casamento. Ele respirou fundo antes de responder: Alessandro: — Você não pode viver amargurado para sempre, Maike. Pensar que você já foi o príncipe dos contos de fadas da minha irmãzinha... Com certeza ela teria se decepcionado. Não seja rude. Não consegui segurar a gargalhada. Alicia era uma garotinha encantadora. — Tudo bem. Mas terão de esperar. Samanta caiu e machucou o pé. Quando ela melhorar, eu mesmo a levo. Alessandro: — O quê? Maike, você a agrediu? Gritou ele, alarmado. — Não! Ficou maluco?! Retruquei. Ele suspirou do outro lado da linha. Alessandro: — Não a machuque, cara. Por favor. Samanta é doce... só não teve a oportunidade de ter uma boa criação. Ele encerrou a ligação, e fiquei pensativo nas palavras dele. Será que ele está apaixonado pela Samanta? Me perguntei, balançando a cabeça. Bufei e saí do escritório, ainda irritado. Quando cheguei à porta do quarto, ouvi Samanta resmungando baixinho. Ela estava odiando ter que ficar trancada ali, saindo apenas quando eu a pegava no colo e a levava até a sacada ou ao banheiro. Abri a porta devagar e a encontrei sentada na cama, de braços cruzados e cara emburrada. Seus olhos até brilharam ao me ver, mas, orgulhosa, virou o rosto como se eu fosse o último ser que ela queria por perto. — Olha só quem tá de cara amarrada. Provoquei, encostando no batente da porta, com um sorriso preguiçoso nos lábios. — Por que o mau humor, querida? Samanta bufou, cheia de dignidade. — De novo você? Num cansa de mim pegá? — É o meu passatempo favorito. Respondi, com um sorriso debochado. Me aproximei devagar e ela virou o rosto, fazendo charme. — Num quero! Quero andá sozinha! Me abaixei diante dela e falei, segurando a vontade de rir da birra: — Eu sei, valentona. Mas seu pé ainda está dodói. Se forçar agora, depois vai ter que ficar mais tempo presa nesse aqui. Ela fez uma careta de desgosto.— Prometo que vai ser rápido. Falei, piscando para ela. Samanta hesitou, mordendo o lábio, até que finalmente cedeu com um suspiro dramático. — Tá bão... Mas num mim leva no colo feito bebê, tá? — Que isso, alteza? Ergui uma sobrancelha, debochado. — Você vai ser carregada como uma princesa... ou melhor, como uma ogra encantada. Com direito a fanfarra, se quiser. E não é mim, é me. Antes que ela pudesse protestar, a peguei no colo com facilidade. Samanta apoiou a cabeça no meu ombro e soltou outro suspiro exagerado, como se estivesse aceitando seu c***l destino. Enquanto atravessávamos o corredor, não consegui evitar o sorriso que cresceu no meu rosto. Chegamos ao meu escritório. Empurrei a porta com o pé, ainda carregando Samanta nos braços, e entrei com cuidado. Ela arregalou os olhos assim que viu a grande mesa coberta de cadernos, livros coloridos, lápis de cor, borrachas em formatos engraçados e uma pilha de canetas personalizadas com desenhos de princesas, ursinhos e bonecas. Samanta virou o rosto para mim, boquiaberta. — Tudo isso é... pra mim? Perguntou, com a voz embargada. Sorri de lado e a coloquei sentada suavemente na poltrona diante da mesa. — Sim, são seus materiais. Disse, me agachando na frente dela. — Eu vou te ensinar a ler e escrever. Os olhos dela se encheram de lágrimas no mesmo instante. Samanta passou as mãos trêmulas sobre o caderno de capa rosa, cheio de detalhes de ursinhos e laços, como se tivesse medo de estragar. — Eu... eu vou aprendê a lê de verdade? A voz dela falhou de emoção. Assenti, engolindo a própria emoção que me apertava o peito. — Sim. Garanti, limpando uma lágrima que escorreu pela bochecha dela com o polegar. — Depois que você souber o básico, eu vou contratar os melhores professores para te ensinar etiqueta, boas maneiras... tudo o que você tem direito de aprender. Samanta soluçou baixinho, passando a mão nos cadernos, nos lápis de cor, como se estivesse sonhando acordada. Seus lábios se entreabriram num sorriso tímido, e ela acariciava cada enfeite como quem segura um tesouro raro. Fiquei inseguro por um momento, vendo o quanto ela estava quieta. Será que ela não gostou? Será que errei nas escolhas? Mas ela gosta dessas baboseiras. Mas então ela levantou o olhar para mim, com os olhos brilhando. — Puxa... é tudo tão lindo... Disse, a voz tremendo. — Obrigada... Eu tô muito feliz! E, sem conseguir se controlar, começou a chorar desesperadamente, escondendo o rosto nas mãos pequenas. Meu peito apertou ainda mais. — Ei... calma, pequena. Disse, tocando com cuidado em seus ombros. — Vamos para varanda tomar um ar fresco, que tal? Ela apenas assentiu, ainda soluçando, e eu sorri, aliviado. Peguei-a nos braços novamente, decidido a dar a ela todos os motivos do mundo para nunca mais se sentir humilhada ou inferior a ninguém.
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