Já estava tão acostumado com Jongin em sua porta cedo pela manhã que já deixava a mesma destrancada para que o alfa não precisasse mais bater, Jongin sempre batia, nunca tocava a campainha e Kyungsoo não sabia o que ele tinha contra campainhas. O Kim tinha a chave de seu apartamento, mas nunca ousava destrancar a porta e ir entrando, nem mesmo quando ômega passou a deixar a porta aberta ele entrava de uma vez, precisou de muita insistência do menor, ele achava que ir entrando era falta de educação. Ir entrando era uma mania de Chanyeol e ele não queria ter nenhuma mania de Chanyeol.
— Eu já estou quase pronto! — ouviu quando o ômega gritou de dentro do quarto.
Ele sabia que o quase pronto de Kyungsoo significava que ele ainda estava de cueca. Sentou-se no sofá onde Mingyu estava, o pequeno alfa parecia bem quieto, mexendo suas pernas enquanto esperava pelo omma. Jongin olhava para o relógio o tempo todo, eles acabariam se atrasando se Kyungsoo não se apressasse. Pelo amor de todos os santos, como Kyungsoo demorava!
— Estou pronto, vamos! — o ômega surgiu pela porta do quarto, ainda passava a mão pelo cabelo dando seus últimos retoques.
Mingyu correu para a porta, enquanto Jongin ficou no meio do caminho do ômega, que ficou um pouco vermelho pelo jeito que o alfa o olhava. Jongin não era bom em disfarçar seus olhos, especialmente porque o sorriso acompanhava e quando o Kim segurou seu pulso e com a outra mão acariciou seu rosto, Kyungsoo sentiu que seu coração estava acelerado demais para aquela hora da manhã.
— Você está lindo. — ele elogiou, o ômega já não sabia mais lidar com aquela frase, o Kim não parava de repeti-la, já estava começando a acreditar — Se arrumou desse jeito só para o seu primeiro dia? Desse jeito vai me deixar com ciúmes dos seus colegas de trabalho.
A voz prendeu em sua garganta por alguns segundos, precisou desviar os olhos.
— Para com essas coisas, Jongin. — soltou seu pulso da mão do Kim, agarrando o pulso dele no lugar disso — Vamos, estamos atrasados.
O ômega o puxou pelo braço para saírem logo de casa, seu cheiro se espalhava indicando que havia ficado nervoso. Talvez Jongin se sentisse culpado por gostar de deixa-lo perturbado dessa maneira, apenas para que pudesse sentir seu cheiro mais forte. O cheiro de cerejas que Kyungsoo tinha era maravilhoso e viciante, se sentia ansioso para senti-lo sempre que chegava perto do ômega. Se pudesse, passaria o dia grudado em seu pescoço.
Kyungsoo não queria ficar atrapalhando a manhã de Jongin, sabia que ele era um homem muito ocupado e tinha milhões de coisas pra fazer. Também sabia que havia mudado e muito a rotina do Kim, que agora passava muito tempo com eles, ao invés de passar esse tempo trabalhando. Mas aquilo era bom pra ele, o alfa parecia mais feliz, mais vivo e com um aspecto ainda mais saudável.
Primeiro eles deixaram Mingyu na escola, o garoto deu tchau e saiu correndo, ele aparentemente gostava muito daquela escola, até mais do que Kyungsoo imaginava. Mas parecia mesmo ser uma boa escola, o garoto estava até mesmo fazendo todas as suas atividades sem nem sequer precisar de ajuda dos pais, aliás, haviam coisas que nem Kyungsoo sabia e que Mingyu já sabia. Ele já falava mais de 10 frases em um inglês perfeito, essa era a única matéria que Jongin ajudava, em vista de que o alfa era fluente em inglês.
E em mais três idiomas, mas ele jurava que só sabia falar coisas referente a negócios e que não saberia ter uma conversa decente com nativos. Kyungsoo achava que ele só estava tentando ser modesto.
Depois o alfa o levou até o escritório de advocacia onde iria trabalhar, não era muito longe dali, coisa de dois ou três quarteirões. Kyungsoo estava nervoso e ao mesmo tempo muito animado, estava louco para conhecer seus colegas de trabalho e fazer novos amigos, aliás, era disso que ele estava precisando, de amigos novos, gente nova em sua vida, dar uma melhorava em todos os aspectos possíveis. Olhava pela janela o tempo todo, até pararem diante do nem tão grande escritório, com uma faixada bonita e elegante.
— Boa sorte no seu primeiro dia, Kyungsoo. — Jongin desejou, olhava para o ômega enquanto falava, ele parecia tão calmo, ficava mais bonito assim.
Com aqueles olhos serenos brilhando.
— Obrigado, Jongin. — o menor abriu um pequeno sorriso, estranhamente estava se sentindo sem jeito.
Tirou seu cinto e fez menção de sair do carro, mas parou ao sentir a mão pesada do Kim em sua coxa esquerda. Virou-se para ele e os dois se encararam por mais segundos do que puderam contar. Jongin também gostava de olhar os olhos do menor, ver o quanto eles se pareciam com tempestades quando ficavam em silêncio por mais de cinco segundos. O alfa aproximou seu rosto, mas parou onde o cinto impediu.
Mas Kyungsoo estava livre para alcançar seus lábios em um beijo que ambos poderiam jurar que era apaixonado, tão lento e cheio de coisas desconhecidas. Jongin gostava do jeito meio casto e carinhoso que Kyungsoo acariciava seu rosto e Kyungsoo gostava quando Jongin mordiscava seu lábio inferior. Quando aquele beijo acabou, os dois apenas se olhavam, por longos segundos, era como se ali pudessem admirar de perto o quão o rosto alheio era belo.
Jongin gostava dos detalhes de Kyungsoo.
[...]
O celular de Jongin sempre alarmava para lembra-lo de ir buscar Mingyu na escola, notara que precisava disso mesmo, pois certamente iria deixar passar do horário, havia dias que esquecia até de comer, por que não esqueceria de ir buscar seu filho na escola? Naquele dia ele estava no meio de uma reunião com o setor de finanças quando o celular começou a soar um barulho horrendo, fazendo com que todos, que estavam muito concentrados, se assustassem com aquilo.
— Eu preciso ir buscar meu filho na escola, continuamos a reunião pela tarde. — quando ouviram isso, achavam que ele estava brincando, o setor de finanças era isolado o suficiente para que ninguém soubesse a novidade do filho do chefe — Estou falando sério, vão, vão almoçar!
Quando disse isso, o alfa já estava na porta, deixando todos para trás. Quando o assunto era Mingyu, ele não ousava se atrasar, não queria que seu filho ficasse sozinho do lado de fora da escola, alguém poderia lhe fazer algum m*l, ou Mingyu poderia ter a brilhante ideia de ir pra casa sozinho. Não podia arriscar quando tinha um filho tão enérgico e cheio de ideias mirabolantes.
Chegava sempre um pouco antes, então sempre via quando Mingyu saía, ele era alto comparado com as crianças de sua idade e era até fácil de achar no meio da multidão. O pequeno alfa já conhecia seu carro, então já saia correndo e entrava no mesmo, no banco de trás, onde Kyungsoo disse que era pra ele sentar, crianças pequenas não deveriam sentar no banco da frente, coisa que Jongin constantemente deixava, diga-se de passagem.
— Como foi na escola, filho? — ele sempre perguntava quando Mingyu entrava no carro.
O pequeno Kim sempre contava tudo que havia feito durante o caminho, falava tão animado e como o pai bobão que era, Jongin achava tudo aquilo o máximo. Era bom ver que seu filho estava feliz naquela escola e que estava recebendo uma boa educação, já fazia mil planos em sua cabeça sobre Mingyu se tornar um homem de negócios bem-sucedido, um grande nome nesse ramo
Mas ele nunca havia perguntado o que Mingyu queria ser.
— O que você quer ser quando crescer, filho?
— Policial.
Talvez Jongin tenha ficado um pouco surpreso.
— E por que quer ser policial?
— Porque a roupa é bonita.
Coçou a garganta segurando aquela risada, Mingyu era realmente um bebê ainda. Gostava daquele lado inocente do filho, significava que ele não havia perdido totalmente a infância de seu filho, que ainda podia lhe educar e ensinar boas coisas, muitas coisas. Mingyu via o mundo com os olhos de uma criança ainda e aquilo era algo muito bom, o deixava feliz.
— Por que você não segue a carreira do papai? — não era como se não fosse aproveitar para puxar a sardinha para o seu lado.
Lembrava de seu pai ter começado cedo a colocar isso em sua cabeça. Mas não queria obrigar Mingyu a nada, ele era livre para escolher o que queria ser na vida, e se quisesse ser um policial, Jongin ficaria muito orgulhoso e certamente seria o primeiro na fila quando se formasse na academia. E também não era como se Mingyu fosse ser seu único filho, poderia ser que algum deles aceitasse cuidar da empresa, nascesse com seus genes de CEO.
E talvez com um sorriso de coração.
— Mas papai, eu não sei o que o senhor faz. — ele foi sincero, só sabia que Jongin era dono de um prédio cheio de pessoas.
— Eu sou um homem de negócios.
— E o que um homem de negócios faz?
— Assina papeis, manda nas pessoas e tem filhos na faculdade.
Viu pelo retrovisor quando Mingyu meneou a cabeça para o lado, aparentemente sem ter entendido nada. Achava engraçado quando ele fazia aquilo, uma vez disse que parecia um cachorrinho, mas Kyungsoo não gostou nada dele comparando seu filho com um cachorro, fora uma luta para explicar o que ele estava tentando dizer.
— Eles têm muito dinheiro, Mingyu, e podem comprar um monte de coisas.
— Eu quero ser um homem de negócios, papai.
E foi ali, quando Mingyu ainda tinha sete anos, que Jongin descobriu que seu filho era um baita de um interesseiro. Mas era um interesse infantil, era fofinho, Mingyu fazia parte da porcentagem das crianças que facilmente seriam levadas pelo homem do saco caso estes lh oferecessem alguma coisa, cinco dólares, por exemplo.
Havia combinado com Kyungsoo que Mingyu ficaria com Bom pelo período da tarde enquanto ambos estavam trabalhando. A beta estava muito animada com essa história, não tinha muito o que fazer pela tarde, já havia aprendido um monte de coisas vendo tutoriais no YouTube, Bom já havia virado uma super beta, tudo o que alguém perguntava, ela já sabia fazer, seria bom ter alguém por perto para conversar, a beta já havia começado a falar sozinha.
Tirou tempo para almoçar com Bom e Mingyu, onde o alfa menor ficou tagarelando com Bom sobre a escola e sobre o parquinho que havia visto ali perto e que estava muito interessado por sinal. Jongin alertou que não desse muita trela, pois Mingyu era perigoso. Depois do almoço o Kim mais velho precisou voltar pra empresa. Era sempre assim, se queria sair mais cedo, precisava comer rápido e não se dar ao luxo de tomar um banho relaxante antes de voltar, m*l dava tempo da comida sentar no estomago.
A tarde se passou bem lentamente para Jongin, que precisou rever diversos contratos e organizar planilhas de setores que nem sabia que existia, estava tão exausto com aquilo tudo, só queria chegar em casa e tomar um banho bem demorado e se ao prazer de passar horas ouvindo Mingyu falar sobre os episódios de seu desenho favorito, que mudava todas as semanas. Gostava de ouvir Mingyu tagarelando, o garoto falava pelos cotovelos e ele adorava aquilo, adorava ouvir sua voz, adorava ter Mingyu o cutucando quando estava pegando no sono e gritando “papai, o senhor não está prestando atenção, eu vou ter que contar tudo de novo”.
Quando o relógio marcou 17h 32min. Lembrou que iria buscar Kyungsoo no trabalho, não havia dito nada ao ômega, mas queria lhe fazer essa surpresa, queria ir busca-lo todos os dias, não queria que Kyungsoo voltasse sozinho, achava perigoso aquele caminho. E a quem queria enganar? Aquele caminho era muito seguro, mas seu instinto protetor estava tão ligado em Kyungsoo, que não queria deixa-lo só.
Ficou o esperando do lado do escritório de advocacia, no mesmo lugar onde havia parado mais cedo. Saiu do carro para que Kyungsoo pudesse vê-lo quando saísse. Demorou alguns minutos até avistar o ômega saindo, tão lindo com seus cabelos meio bagunçados aquela bolsa de lado e o sobretudo num marrom clarinho, caía muito bem nele. O Do sorriu assim que o viu do outro lado da rua, indo até ele ostentando seu sorriso em formato de coração.
— O que está fazendo aqui? — perguntou, mas não estava sendo m*l-educado.
— Eu vim buscar você.
— Não precisava me buscar, eu podia ir sozinho, eu ia pegar um ônibus.
— A mãe do meu filho pegando um ônibus e correndo o risco de ser encoxado por pessoas m*l educadas? De jeito nenhum! — o alfa abriu a porta do carro para que Kyungsoo entrasse.
O ômega entrou e se sentou, esperando que Jongin rodeasse e entrasse também.
— Não fale como se se preocupasse muito comigo.
— Eu me preocupo muito com você.
Kyungsoo nunca levava a sério quando Jongin falava essas coisas, achava que eram apenas brincadeiras. Com o tempo ele descobriria que tudo sempre foi sério. Jongin o levou para o seu apartamento, seria a primeira vez que Kyungsoo e Bom se veriam e tanto o ômega quanto a beta estavam animados para isso. Kyungsoo também estava curioso para conhecer o apartamento do Kim, já estava se imaginando bisbilhotando tudo enquanto Jongin estivesse no banho.
Logo de cara percebeu que o prédio era muito chique, o tipo de lugar que se paga até para respirar dentro, mas muito bonito. O apartamento do Kim ficava na cobertura, demorou para o elevador chegar até lá, demora esta que resultou em mais dois ou três beijos trocados ali dentro, sem se importar com a senhora que segurava seu cachorro no colo e os olhava estranho. Quando finalmente chegaram, o Do pôde ver o quanto aquele apartamento era bonito e bem organizado.
— Bom, tem alguém que veio te conhecer. — Jongin anunciou enquanto entravam na cozinha, a beta estava descascando alguma coisa na pia, enquanto Mingyu estava sentado no balcão, milagrosamente não estava comendo nada — Bom, este é Do Kyungsoo, o ômega de quem falei.
Falou e como falou!
— Olá, Kyungsoo, finalmente nos conhecemos. — a beta abriu um sorriso enorme, mas não se aproximou muito por estar com um avental sujo e as mãos cheias de cascas.
— Ouvi falar muito de você.
— Espero que só coisas boas.
Aparentemente Bom e Kyungsoo iriam desatar em uma longa conversa. Jongin anunciou que iria tomar um banho e sumiu pela porta. Realmente aquela longa conversa aconteceu, enquanto o alfa parecia ter morrido dentro do banheiro.
Jongin só apareceu quase meia hora depois, com os cabelos molhados e uma roupa leve. Kyungsoo nunca havia o visto assim antes, sempre que estava com Jongin o alfa estava sempre muito social, arrumado demais e com um topete bem feito, bem diferente daquele Jongin, que agora parecia um cara normal como qualquer outro. Talvez fosse isso que Kyungsoo precisava enxergar, ver Jongin como uma pessoa comum.
Kyungsoo ficou pro jantar, que foi servido cedo. O ômega ainda ficou na cozinha depois de comer, ajudando Bom a lavar a louça, mesmo que ela tivesse dito que não precisava, Jongin ficou ali ajudando em absolutamente nada e ninguém o julgaria com aquela cara de cansado. Quando o celular do Kim tocou ele saiu da cozinha para atender na sala.
Kyungsoo ficou curioso e acabou por ficar espiando sua conversa, sem entender muita coisa porque ele estava falando em uma língua estranha, coisa que sua mãe religiosa teria dito que era possessão. Quando percebeu já estava parado atrás do sofá, onde Jongin estava sentado.
— Hǎo, míngtiān zài qù gōngsī. — ouviu isso ou coisa parecida — E Kyungsoo, pare de escutar minha conversa, eu estou ouvindo você respirar.
O alfa deitou a cabeça nas costas do sofá, encontrando o rosto de Kyungsoo o encarando. O ômega não se sentia nenhum pouco culpado, talvez frustrado por não ter entendido nada.
— Não adiantou de nada, eu não entendo japonês.
— É chinês.
— Muito menos.
— Vem cá.
O ômega rodeou o sofá, mas antes que pudesse sentar no mesmo, Jongin o segurou pela cintura e o fez sentar em seu colo. Kyungsoo se assustou com aquele contato, queria não ter ficado tão envergonhado, mas ficou. Jongin alisou seu rosto com o polegar, daquele jeito que o deixava totalmente sem chão. O Do colocou a mão sobre a dele, de um jeito que quem ficava sem chão era Jongin. Deixaram que seus lábios ficassem juntos novamente, voltando para aquele novo vicio, que precisava ser alimentado o tempo todo.
Jongin viciado em seu gosto e Kyungsoo viciado em suas mordidas.
— Vocês disseram que não eram namorados.
E Mingyu estava ali, parado olhando pra eles com sua carinha confusa.