Um Homem Que Cuida

3113 Palavras
Mingyu via televisão enquanto Kyungsoo estava limpando a cozinha, já havia passado do horário do garoto dormir e ele mesmo já havia notado isso, pois na TV já passavam desenhos que ele nunca havia estado acordado para ver, Mingyu sempre dormia depois que Teen Titans Go terminava e já estava passando uma série adolescente e nada de Kyungsoo aparecer para lhe mandar tomar banho para dormir. Estava indo beber água quando notou que Kyungsoo estava deitado no chão da cozinha, devagar o garoto se aproximou e tocou o ombro do mesmo, chamou seu nome diversas vezes, mas o ômega não acordava. Desesperado o garoto o sacudia, mas sem obter reação alguma. Correu até o balcão encontrando o celular de Kyungsoo, que estava sem senha, nos últimos números discados encontrou o número de Jongin, ligando para o mesmo. O telefone chamou por um longo tempo, até ouvir a voz calma do outro lado da linha. — Appa, o omma não tá acordando! — o garoto disse desesperado — Ele tá deitado no chão da cozinha e não abre os olhos, appa! — Fica calmo, Mingyu, eu tô indo para aí, não sai de perto dele. O telefone foi desligado e o pequeno alfa ficou no chão ao lado de seu omma esperando até que seu pai chegasse. Não demorou mais do que alguns minutos até ouvir o barulho da porta sendo destrancada, Kyungsoo havia deixado uma cópia da chave com o alfa para alguma emergência e a tal emergência parecia ter chegado bem mais rápido do que imaginou. O alfa encontrou os dois no chão, Mingyu já estava chorando. Rapidamente colocou o ômega em seus braços e o tirou do chão, o rosto de Kyungsoo estava muito pálido e ao ergue-lo notou o quão leve ele era. Mingyu vinha logo atrás deles, trancando a porta assim que saíram. Jongin optou por leva-lo até o hospital onde ele próprio costumava fazer exames de rotina, que ficava um pouco mais longe dali, mas ele queria ter uma garantia de que Kyungsoo seria muito bem atendido e por médicos os quais confiasse. Ele sabia que alguma coisa errada estava acontecendo com o ômega e agora Kyungsoo não teria mais como esconder isso dele, pois o alfa mandaria que fizessem nele todo tipo de exames. Ele havia dito que cuidaria do ômega, mesmo que ele não quisesse todo esse cuidado, estava implícito que Kyungsoo não estava cuidando direito de si próprio. Ao chegarem, pediu para que seu médico de confiança atendesse Kyungsoo, que foi levado em uma maca por alguns enfermeiros. O alfa ficou com Mingyu na sala de espera, o garoto não entendia muito bem o que estava acontecendo e para não preocupa-lo, o Kim lhe deu seu celular para que o menino brincasse e se distraísse. Mas ele próprio não parava quieto, estava agoniado com aquela demora toda, ele queria entrar e saber o que acontecia com o ômega, um desmaio tão repentino não podia ser algo normal. — Jongin? — o médico apareceu em suas costas, o fazendo se levantar rapidamente. — Como ele está? — Pode ficar calmo, ele está bem. — essas palavras fizeram o alfa soltar o ar preso nos pulmões e se sentir aliviado por aqueles segundos — Recolhemos algumas amostras de sangue para alguns exames, como pediu, eles devem ficar prontos logo pela manhã. — Mas por que ele desmaiou? — O rapaz só está muito fraco, coloquei algumas vitaminas em seu soro, ele irá passar a noite em observação. — ele disse — Ele ficou muito agitado quando acordou, tentou tirar o soro alegando que precisava ir para casa ver o filho, tivemos que o sedar. — Appa, eu quero ver o omma! — Mingyu surgiu ao seu lado, puxando a barra de sua camisa. O médico, que era um conhecido do Kim, estranhou ao ouvir o garoto o chamando de appa, em vista de que o mesmo jamais havia comentado ter um filho e nunca o havia levado para alguma consulta, mas preferiu guardar isso apenas para si mesmo, ele não tinha nada a ver com a vida pessoal de seus pacientes, precisava apenas garantir que a saúde estivesse bem. — Nós podemos vê-lo? — Podem, mas sejam breves. O Kim assentiu e acompanhou o médico até o quarto onde Kyungsoo estava. O ômega parecia dormir tranquilo já vestido com uma roupa hospitalar e com um soro preso à sua mão. Mingyu se esticou do lado da cama para ver seu pai, estranhando vê-lo tão sem cor. Jongin chegou bem perto, em seu peito uma pontada estranha o incomodava, como se ver Kyungsoo daquele jeito fizesse m*l à si próprio, e era verdade, ele estava detestando ver o ômega daquela maneira. Alisou seus cabelos com leveza, afastando qualquer pensamento r**m de sua mente. — É melhor irmos, Mingyu, amanhã cedo nós o buscamos. — Mas o omma vai ficar sozinho? — Os enfermeiros vão cuidar bem dele, não se preocupe, ele não iria gostar nada de saber que você passou a noite em um hospital por causa dele, acredite, Kyungsoo quer que você vá para casa. — o alfa sorriu passando mais confiança para o menor — Vamos, filho! O garoto afirmou com a cabeça e segurou na mão do pai para saírem do hospital. Ele havia deixado seu número na recepção para que o ligassem se qualquer coisa acontecesse, qualquer coisa mesmo. No caminho para o apartamento do alfa, o menor perguntava o tempo todo o que aconteceria com Kyungsoo no hospital, ele estava curioso e ao mesmo tempo com medo de que coisas ruins acontecessem com ele, Mingyu não entendia o motivo de seu pai ômega ter que ficar lá. Quando chegaram Bom estava no sofá, Jongin havia lhe mandado uma mensagem dizendo que estava no hospital com Kyungsoo e a beta esperava para ter noticias do mesmo. — Como ele está? — Está bem, amanhã eu irei busca-lo, não precisa ficar preocupada. Mesmo ainda não conhecendo o ômega, Bom sabia o quanto ele havia se tornado importante na vida de Jongin, e se era importante para Jongin, era importante para ela também. Ela se preocupava com o menino também, ele provavelmente estava muito confuso com o que acontecia. — Vem, Mingyu, você vai tomar banho e vai pra cama, amanhã não tem aula, mas vai ser um dia cheio. O garoto o seguiu até o quarto do alfa. Pegou seu pequeno roupão que haviam comprado outro dia, entrando no banheiro para tomar seu banho. Enquanto o garoto tomava banho, Jongin escolhia um dos pijamas para ele vestir, optando pelo amarelo com ursinhos, calça e mangas cumpridas, estava um pouco frio. Depois do banho o alfa mais velho ajudou o filho a se vestir, agora penteava seus cabelos enquanto Mingyu brincava com as tiras do roupão azul. — Appa, e se o omma ficar com frio? O alfa achava muito fofa a preocupação do filho, mas não sabia se aquilo o fazia sorrir ou chorar de emoção. Era até engraçado pensar nisso, há pouco tempo atrás ele era tão fechado e poucas coisas o abalavam, mas agora qualquer coisa que seu filho fizesse era motivo para derreter como uma porção de margarina na frigideira. — Os enfermeiros vão lá e cobrem ele. — E se ficar com fome? — Os enfermeiros vão lá e dão comida pra ele. Ele pareceu ter ficado mais conformado. Quando Jongin terminou de o pentear, cheiro o cabelo do filho, o cheiro do shampoo era muito bom, fez cócegas no menor e em seguida o abraçou, adorava abraçar aquele pequeno ser, era como ter o mundo todo em seus braços, nunca se imaginou sentindo tudo aquilo, um amor estranho que não tinha explicação nenhuma, era apenas sentir e sentir cada vez mais. — Hora de dormir, Mingyu. O levou até o quarto de hóspedes, o cobrindo com um lençol grosso e o deixando lá. O menino parecia cansado e provavelmente dormiria rápido. Jongin voltou para o seu quarto, tomou uma ducha rápida, apenas para esfriar o corpo e relaxar um pouco. Quando saiu do banheiro, Mingyu estava sentado em sua cama. — Não gostou do quarto, filho? — perguntou enquanto procurava seu pijama em uma das gavetas. — Papai, me deixa dormir aqui com o senhor? — ele pediu, o sorriso encorajador nos lábios. Mingyu já sabia que conseguia qualquer coisa de Jongin o chamando de “papai”, aquilo deixava o alfa completamente mole por dentro, uma manteiguinha toda derretida. Aquele moleque tinha a quem puxar, era malandro e muito esperto, não negava o sangue que corria em suas veias. Jongin vestiu seu pijama, que só costumava usar quando fazia frio, deitou-se na cama com um livro em mãos, já sem nenhuma força para mandar Mingyu dormir no outro quarto. Continuava a ler aqueles livros sobre paternidade, que mandavam não ficar mimando o filho, mas que não o proibiam de fazer isso vez ou outra. Quando percebeu o pequeno alfa já estava dormindo tranquilo ao seu lado, tão calminho que nem parecia a mesma criança que fazia uma pergunta a cada cinco minutos. No outro dia, Jongin acordou bem cedo, foi ao banheiro e quando voltou Mingyu não estava mais lá. Se trocou e foi até a cozinha, onde obviamente o pequeno alfa estava, desta vez atacando uma pobre panqueca indefesa, comendo e sujando seu pijama com mel. — Bom dia, Bom. — ele cumprimentou a mulher, que se virou e sorriu para ele — Bom dia, pequeno destruidor. Mingyu sorriu com a boca cheia de comida. O alfa ocupou um lugar na mesa, seu prato já esperava por ele, onde se serviu de duas panquecas. Depois do café o Kim explicou para Bom que buscaria Kyungsoo no hospital e que a manteria informada. Mingyu precisou tomar banho, pois havia mel até o cabelo, Jongin vestiu um macacão marrom nele com uma camisa branca por baixo, havia ficado uma gracinha. Os dois foram para o hospital, Kyungsoo já estava acordado e havia acabado de tomar café da manhã. Mingyu foi correndo abraçar sua mãe, não se importante de subir na cama com tênis e tudo. Jongin veio mais atrás parando ao lado do ômega com um olhar de reprovação, Kyungsoo estava meio constrangido. O médico apareceu antes que pudessem ter qualquer conversa. — Como está se sentindo nesta manhã, Sr. Do? — ele perguntou de um jeito simpático, mas parecia bastante cansado, provavelmente aquele plantão havia sido agitado. — Estou ótimo, posso ir pra casa? — o menor perguntou meio afoito, quase como se estivesse tentando fugir. Kyungsoo não gostava de hospitais. — Pode sim, mas antes preciso passar algumas informações. — ele olhava para a prancheta que estava em suas mãos, Jongin o encarava quase tão afoito quanto Kyungsoo — Nós fizemos uma série de exames e detectamos algumas anormalidades — os dois pareceram ficar preocupados — Não é nada grave, mas pode vir a ser caso não se cuide. O senhor está carente de muitas vitaminas, provavelmente causada pela má alimentação, está abaixo do peso ideal, mas o que realmente está te deixando assim é o uso excessivo de inibidores de cio, isso está mexendo demais com sua saúde, são muito perigosos para os órgãos, principalmente para o fígado e os rins, além de correr o risco de ficar estéril. — Eu não posso ficar sem um inibidor de cio, um cio não... — Sinto muito, Sr. Do, mas não pode passar tanto tempo sem ter um cio, isso é muito prejudicial. — o repreendeu — Seu primeiro cio depois de um longo período sem cios será muito difícil de suportar, não tente passa-lo sozinho, precisa de um parceiro alfa. O médico não disfarçou nada quando olhou seriamente para Jongin, como se dissesse entrelinhas que aquilo era responsabilidade dele. Kyungsoo estava abalado, pronto para mil e um protestos, mas quando Jongin segurou sua mão e sussurrou um “não se preocupe”, ele não soltou mais nenhuma palavra. — Vai tomar algumas vitaminas por um tempo, elas vão ajudar, mas é essencial que passe a se alimentar melhor e comer de três em três horas, comidas saudáveis, nada de comidas prontas, tudo natural. — ele dizia enquanto anotava algumas coisas, entregando as receitas das vitaminas nas mãos de Jongin e não nas de Kyungsoo — Venha me ver em um mês. Ah, a falta dos inibidores pode fazer com que se sinta muito carente e sensível, irá chorar com mais facilidade e se irritar também. Logo depois ele saiu do quarto, deixando os três a sós. Kyungsoo não falava nada, em sua cabeça estava tentando raciocinar o que Jongin queria dizer com “não se preocupe” e entender isso o deixava com as bochechas vermelhas, mas não era como se ele fosse simplesmente aceitar que o alfa passasse o cio com ele, ainda precisava pensar muito nisso. Pensar o que, Kyungsoo? você não tem escolha. Os dois alfas esperaram por Kyungsoo do lado de fora enquanto as enfermeiras lhe ajudavam a se vestir. O ômega apareceu minutos depois sendo empurrado em uma cadeira de rodas, a cara dele não estava nada boa. — Eu disse que essa cadeira de rodas é desnecessária, eu estou bem! — o ômega ralhava. Fora levado desta forma até o lado de fora, onde Jongin o colocou no banco da frente do carro como se o menor estivesse com algum problema nas pernas. No caminho eles pararam e o Kim desceu para comprar as vitaminas de Kyungsoo e depois seguiram para a casa do ômega. Jongin não o soltou em momento nenhum, o segurando pelos ombros como se o menor pudesse cair a qualquer momento, é claro que Kyungsoo estava um pouco incomodado com aquilo, mas precisava admitir para si mesmo que seu lobo estava feliz por estar sendo protegido. Mingyu os seguia o tempo todo, curioso ao ver seus pais tão próximos, ele nunca os havia visto daquela maneira. Deixou Kyungsoo sentado na cama. — Muito repouso, você ainda está fraco. — o alfa disse, a expressão do menor era pura birra — E não faz essa cara, ficar sem se alimentar direito te deixou assim, e a partir de agora vou estar de olho em você. — Vai me vigiar é? — É, eu vou te vigiar, vou colocar um monte de câmeras na sua casa e ver o que você tá comendo. O ômega riu, o jeito com que Kyungsoo ria fazia o coração de Jongin ficar quente. — Tome um banho e vista uma roupa mais leve, não tranque a porta do banheiro e me chame se sentir tonto. — Você tá exagerando, eu tô bem. O Kim saiu do quarto para que o ômega pudesse se trocar. Colocou um filme para que Mingyu se distraísse assistindo, mais tarde o ajudaria com os deveres, pois no dia seguinte o pequeno alfa teria aula. A audição dos alfas era boa o suficiente para que pudesse ficar escutando o barulho do chuveiro, depois que o barulho cessou, ele ainda esperou longos minutos até buscar saber o que Kyungsoo estava fazendo. Abriu a porta fazendo pouco barulho e pela fresta viu o ômega de costas, ele estava apenas com um short e procurava por uma camisa no meio de outras, a pele alva estava à mostra, junto com a enorme tatuagem de dragão, que fazia um enorme contraste com a pessoa que Kyungsoo era, mas que estranhamente parecia perfeita. Fechou a porta novamente, decidiu que era melhor. Bateu e ouviu um “só um minuto”, e pouco tempo depois a porta ser aberta pelo menor. Os shorts curtinhos mostrando metade das coxas, a camisa mostrando seus braços, ele não sabia o quanto toda aquela exposição de pele fazia o corpo do alfa arder. Kyungsoo talvez não fosse seguro o suficiente pra saber o quanto ele era atraente, o quanto era bonito e o quanto era fácil que alguém se apaixonasse por ele. — Posso entrar? O menor balançou a cabeça afirmando. Jongin entrou e os dois foram até a cama, se sentando ali. Kyungsoo foi para uma das pontas da cama, recostando a cabeça nos travesseiros, suas pernas estavam esticadas e seus pés pertinho de onde o alfa estava. Ele estava um pouco sem jeito, pois de certa forma aquela cena era íntima e os dois estavam próximos demais e bem lá no fundo aquele Kyungsoo de oito anos atrás ainda existia. — Você está mesmo bem? — Tô sim, já disse que você está exagerando. O alfa abriu um sorriso pequeno e desviou os olhos para a janela coberta pela cortina, o sol brilhava tão intenso que nem ela poderia o conter. Os pés de Kyungsoo raspavam em sua coxa, tão branquinhos e pequeninos. Jongin pegou um deles, colocando sobre sua perna e passando a massageá-lo lentamente, algo que pegou o ômega de surpresa. O jeito com que Jongin passava os dedos entre os seus, o jeito com que o apertava ora mais fraco, ora mais forte. Ele estava completamente hipnotizado com aquele toque, era tão prazeroso, era tão raro ver um alfa em toques delicados que chegava a ser impressionante e seu lobo era quem mais estava derretido com aquilo. Ele apertou com mais força, fazendo o ômega puxar o pé. — Assim você me mata. Ele já havia ouvido isso antes, mas fora em outra situação. — Seria uma pena se isso acontecesse. — o alfa respondeu, puxando o pé do menor de volta para ele, o tecido do short deslizando pela coxa e mostrando ainda mais da pele alva, o alfa precisava ter todo o autocontrole para não ficar olhando, Kyungsoo tão lento nos toques do Kim que nem notava. Seus olhos se focaram nas mãos do alfa em seus pés, presenciando o momento em que ele o ergueu e beijou o peito de seu pé, o deixando sobre o colchão logo depois. — Eu preciso ir em casa, tenho algumas coisas da empresa pra resolver, não precisa fazer almoço, eu trago pra vocês mais tarde, balanceado e saudável do jeito que o médico mandou, quero você de repouso hoje. — o alfa disse, deixando sua ordem — Se comporte. Mas antes que o maior pudesse se levantar, o ômega se moveu na cama, engatinhando até o Kim e o agarrando pela camisa e subindo até seus ombros, rodeou os braços ao redor do pescoço do mesmo e encarou seus olhos. Jongin abraçou Kyungsoo pela cintura. Seus narizes roçaram um no outro por dois ou três segundos, até que por fim seus lábios se encontraram, se uniram lentamente e o gosto da boca de Kyungsoo era bem melhor do que Jongin havia imaginado.
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