Jongin havia ficado para o almoço naquele dia, ambos comiam enquanto Mingyu falava de seu dia entre um mastigado e outro, quase se engasgando para poder contar o quanto estava feliz por ter acompanhado todos da turma e não precisar mais ir para as aulas de reforço. Mas o Kim olhava o tempo todo para Kyungsoo, que não estava com uma expressão muito boa, pra falar a verdade ele só beliscava a comida e sorria vez ou outra para o filho. Quando Mingyu foi escovar os dentes, Jongin barrou o ômega na porta da cozinha.
— O que aconteceu? — ele perguntou, ainda segurando o menor pela lateral de seu corpo, os dois estavam muito perto.
— Nada demais.
— Não, não é nada demais, você está triste, posso notar isso no teu cheiro.
Quando Jongin se abaixou para sentir o cheiro do menor um pouco mais de perto, Kyungsoo sentiu seus pelos se arrepiarem, o Kim era... quando ele estava assim tão perto, era capaz de arrancar qualquer informação de qualquer um, ele era irresistível, e mesmo que nem fosse intencional, os seus atos eram sedutores.
— Fui à entrevista hoje e eles me disseram que eu não fazia o perfil da empresa. — contou, expressou toda a sua insatisfação diante disso — Eu não entendo, sabe, que perfil é esse que eu nunca tenho? O problema é que eu sou feio demais pra trabalhar, é isso?
O Kim não gostou nada de ouvir isso, segurou o queixo do menor para fazê-lo olhar para ele, os olhos do ômega estavam tão tristes e teimavam em querer marejar. Com o polegar ele fez carinho em sua bochecha.
— Você é lindo. — o respondeu, e aquela frase com certeza balançou algo dentro do menor — Não se diminua por essas pessoas. Olha, eu já trabalhei um tempo no RH da empresa e sei que eles são cruéis na hora de contratar, que a aparência é realmente importante. O problema não está no seu rosto, você só precisa passar uma imagem mais elegante, o seu jeito de andar e de se vestir devem mostrar que você é responsável e competente, que sabe exatamente o que está fazendo, sua imagem deve transmitir confiança e infelizmente a sua não transmite.
— O que tem de errado na minha imagem?
— Você se veste como se já tivesse 60 anos, Kyungsoo. — ele quase riu do bico que o ômega fez — Olha, você passou muita coisa por sete anos da sua vida, mas não precisa esquecer que você é um ômega jovem e muito bonito, precisa voltar a se valorizar, cuidar mais de você, não se perca no tempo, Kyungsoo, você é mais do que uma mãe, você tem a sua própria vida pra viver e não só a do Mingyu.
— Desde quando você é tão legal?
— Eu já disse que não sou essa pessoa horrível que você criou na sua cabeça. — ele disse, finalmente soltando o rosto do menor — E pra provar eu vou te ajudar. Vou ligar pra um amigo, um ômega, ele vai poder te ajudar melhor, e vocês vão sair pra fazer compras e vão à um salão, um spa, onde quiserem ir, ele vai te ajudar a se vestir melhor e cuidar da aparência, eu garanto que você vai ser um novo ômega depois dessa tarde.
— Jongin, isso não é necessário. — ele tentou negar, achava tudo um exagero.
— Kyungsoo, eu só quero que seja mais confiante, que veja todo o potencial que tem dentro de você.
— Não sei não, Jongin, eu nem tô podendo gastar com essas coisas.
O Kim pegou sua carteira do bolso de trás da calça, o que de cara já deixou o menor desesperado. Ele não queria ficar aceitando dinheiro do alfa sem mais nem menos, ele já tinha gastado demais com o Mingyu, aquilo já era passar dos limites. Quase teve um treco quando o mais alto lhe estendeu um cartão preto que de cara dava pra ver que era sem limites assim como o próprio Jongin.
— Eu não vou ficar passeando e dando uma de madame às suas custas. — ele recusou, empurrando a mão do Kim para longe.
— Kyungsoo, não seja tão difícil. — ele insistiu — Eu já te disse uma vez e vou dizer de novo, eu quero te dar conforto, você merece isso. Eu sei que nada do que eu fizer vai recompensar os anos em que você sofreu, mas me deixa te ver bem, por favor.
Ele estava espalhando seu cheiro, aquilo era um golpe baixo dos alfas para fazer com que os ômegas ficassem mais moles com eles, um golpe muito baixo, mas que estava funcionando. Kyungsoo encarava os olhos calmos do Kim, não era sempre que aquele olhar tão bonito era direcionado a ele, era bom de ver.
— Tá, eu aceito. — ele pegou o cartão — Mas depois não se arrepende.
— Eu vou ligar pro Baekhyun.
Kyungsoo foi tomar um banho enquanto Jongin fez a ligação. O alfa ficou vendo TV com Mingyu enquanto o menor se arrumava.
Gostava de passar o tempo perto do pequeno alfa, o garoto o deixava feliz mesmo que estivessem apenas perto um do outro enquanto não faziam nada, gostava do jeito com que Mingyu sorria enquanto olhava pra TV e dizia que quando crescesse queria ser um caçador de dragão também, mas ele também dizia que queria ser um astronauta e até mesmo um Power ranger.
O ômega surgiu na sala depois de alguns minutos.
— Ele está te esperando lá embaixo, cabelo rosa, carro branco, é fácil de achar. — o alfa informou — Ah e eu já enviei a senha do meu cartão pro seu celular.
Kyungsoo revirava alguma coisa em sua bolsa.
— Aqui está a cópia da chave, tranque tudo antes de sair e feche as janelas. — ele parecia uma mãe ditando as regras — E não deixe o Mingyu comer besteira, eu não sei que horas eu volto.
— Não precisa se preocupar. — o acalmou — Vou cuidar direitinho do nosso filhote.
O ômega sorriu e saiu.
Enquanto descia pelo elevador, ele só conseguia pensar no que estava fazendo, estava feliz por poder ter essa oportunidade, já fazia muito tempo que não tirava um momento só pra ele, era possível que Jongin realmente tivesse razão, ele precisava pensar um pouco mais apenas em si e não só em seu filho, afinal, Kyungsoo só tinha 28 anos e uma vida inteira pela frente.
O carro branco estava parado bem diante do prédio e com as janelas abaixadas, a cabeleira rosa dava pra ser vista de longe. Enfiou a cabeça para dentro do carro.
— Baekhyun?
— Ao vivo e a cores. — o outro ômega respondeu, abrindo a porta do carro para que o ômega de cabelos pretos entrasse — Você deve ser o Kyungsoo, sabe, eu lembro de você na época da faculdade, eu era de outro curso, mas lembro de já ter te visto com o Eunwoo.
— É, eu estava sempre com ele.
— Até que o ômega bonito se deu bem, eu sempre vejo o rosto dele nas revistas de moda, continua desnecessariamente bonito. — o ômega Park respondeu, era até engraçado pra quem conhecia o chamar de Park Baekhyun, um ômega de família tão rica acabar por herdar o sobrenome de um alfa que até algum tempo atrás m*l tinha onde cair morto — Faculdade pra que? O que importa é ser bonito nesse mundo.
— Baekhyun, só porque a sua carreira como modelo não deu certo por você ser do tamanho de uma ervilha, não fique dando uma de invejoso.
Só então Kyungsoo notou a presença de outro ômega no carro, que estava sentado no banco de trás mexendo em seu celular, e assim como Baekhyun dizia que Eunwoo era desnecessariamente bonito, o ômega sentado ali também era, pra falar a verdade sua beleza chegava a ser assustadora.
— Fica na sua, Han. — Baekhyun havia acabado de ultrapassar um carro vermelho, pondo a mão para fora e mostrando o dedo do meio para alguém que reclamava — Eu desisti da minha carreira para criar meu filhote, nunca confiei em babás.
— Se é o que você tá dizendo.
Kyungsoo achava engraçado o jeito que os dois discutiam, eles acabaram por continuar com aquilo até chegarem no shopping, depois de deixar o carro no estacionamento, os três entraram. Era um shopping diferente dos que Kyungsoo já havia ido, se bem que ele não podia considerar os que foi, já que não se encaixavam exatamente como shopping.
Baekhyun parou de andar de repente, se virando para os outros dois.
— Muito bem, quanto temos pra gastar? — perguntou, olhando diretamente para Kyungsoo.
Ele ficou meio envergonhado em ter que declarar logo de cara que estava ali com o dinheiro dos outros, mas não tinha muito lugar para onde fugir. Mexeu em sua bolsa pegando sua carteira e tirando de lá o cartão do Kim, que assim que Baekhyun pôs os olhos... bem, ele podia jurar que o ômega de cabelos rosados iria desmaiar.
— Jongin te deu o cartão preto dele? — ele parecia não acreditar — Em nome do santo Thor, como isso aconteceu?
— O que tem demais nesse cartão? — Kyungsoo não entendia, era só um cartão.
— O que tem demais nesse cartão? — o outro, de cabelo meio cinza, estava mais incrédulo ainda — Kyungsoo, esse cartão é oferecido diretamente pelo banco e só para clientes que faturam anualmente mais de 10 milhões de dólares, faz ideia de que esse cartão não tem limite?
O ômega ainda ficou um bom tempo tentando raciocinar, mas em sua cabeça só se passava a parte dos 10 milhões, fazia ideia de que o Kim tinha muito dinheiro, mas não tanto. Se parasse pra pensar, notaria o quanto Jongin confiava nele, pois se quisesse poderia sacar uma quantia milionária e sumir no mundo. Mas claro, ele havia ficado com Mingyu, aquele alfa não dava ponto sem nó.
— Jongin tem tanto dinheiro assim?
— Você realmente não o conhece de verdade né? — Baekhyun franziu o cenho — Kyungsoo, você engravidou de um dos alfas mais ricos do país.
— Como sabe do nosso filho?
— O conheci no aniversário do meu filho, um doce de menino. — o Park sorriu — Mas vamos, precisamos começar, temos muito pela frente!
[...]
Jongin levou Mingyu para conhecer Bom, a beta não parava de falar sobre o quanto estava ansiosa para conhecer o pequeno alfa, e unindo o útil ao agradável, ele o levou para sua casa. Desde a portaria Mingyu já estava impressionado com tudo, o prédio era mesmo muito grande e bonito, e haviam pessoas muito bem vestidas andando de um lado para o outro. Ficou fazendo caretas para o espelho do elevador enquanto subiam, uma senhora que estava com eles ria discretamente da atitude do garoto, o achara uma gracinha.
Assim que entrou na casa o alfa pequeno apontou logo para a TV gigantesca que havia na sala. Ouvindo o barulho, Bom surgiu.
— Ah, Bom, deixa te apresentar uma pessoa. — Jongin se animou, trazendo o filho segurando em sua mão — Bom, este é Mingyu, meu filho. Mingyu, esta é Bom, ela cuida de mim desde que eu era só um bebê.
A mulher estava realmente impressionada com a semelhança entre os dois, poderia jurar que estava vendo Jongin criança em sua frente, não conseguia deixar de sorrir ao ver o quão encantador aquele pequeno menino era. Mingyu abriu seu sorriso.
— Você é lindo. — ela disse, se abaixando até ficar na altura do mesmo — Igualzinho ao seu pai.
— Eu me pareço com o Appa Jongin? — ele perguntou, meneando a cabeça para o lado.
— Muito, é igualzinho a ele.
O garoto pareceu pensar um pouco.
— Você quer um pedaço de bolo? — ela ofereceu, já completamente animada com a ideia de enfiar comida goela abaixo no Kim pequeno.
Talvez os planos de deixar Mingyu longe de doces não fosse funcionar ali. Quando percebeu o garotinho já estava indo para a cozinha com Bom. Deixou-o com ela enquanto tomava um banho e quando voltou encontrou o filho com o rosto completamente lambuzado de chocolate e a roupa toda suja, por sorte havia trazido uma muda de roupa, ou estaria bastante encrencado.
— Bom, ele não pode comer essas coisas. — reclamou, recebendo um olhar feio da beta.
— Deixa o garoto, é só um pedacinho.
— Pedacinho? Ele tá com um javali no prato.
— Se você não come os meus bolos, pelo menos agora eu encontrei alguém que vai comer. — ela disse, alisando os cabelos do menino que comia como se não estivesse na cena — Coma tudo, querido, e se quiser mais, pode pedir.
Kyungsoo iria mata-lo se descobrisse, precisava dar um jeito de aquilo ser um segredo entre os três, pois o ômega certamente que iria pirar só de sonhar que seu filho de dentes branquinhos e muito educado na hora de comer, estava devorando um javali de chocolate na cozinha.
Depois do lanche Mingyu teve que tomar um banho, o garoto ficou doido quando descobriu que tinha uma banheira no banheiro do pai e deu o maior alarde dizendo que queria tomar banho nela, mas Jongin não deixou, e se Mingyu soubesse para que o pai usava aquela banheira ele também não iria querer. De banho tomado os dois saíram para dar uma volta no shopping e comprar algumas roupas para o pequeno alfa, não era nada demais e Kyungsoo também não precisava ficar sabendo, as roupas eram para ficar em sua casa, para que seu filho tivesse o que vestir estando lá, sendo que pretendia leva-lo para ficar em sua casa mais vezes.
O menor se divertiu muito, ele adorava experimentar roupas e também ganhou alguns sapatos, além de pijamas, era ridículo ter que admitir que havia ficado tão apaixonado pelo pijama de leão que praticamente obrigou as funcionárias da loja vasculharem todo o estoque em busca de um que coubesse em Mingyu.
Pena que a diversão precisou acabar no momento em que o Kim recebeu uma ligação de sua secretária, o lembrando de uma reunião importante, ao qual ele já estava atrasado. Não queria ir, mas precisava tratar de assuntos muito importantes, se perdesse a reunião, muita coisa se bagunçaria na empresa.
— Eu preciso voltar pro trabalho, filho. — ele disse, vendo o garoto fazer uma cara tristinha — Não faz essa cara, eu realmente preciso ir, você pode ficar com a Bom.
— Eu quero ir, appa.
— Mas na empresa é chato.
— Mas eu quero ficar mais tempo com o senhor.
Aquilo derretia o alfa completamente por dentro, o que Mingyu não pedia sorrindo, que ele não fazia chorando? Aqueles olhinhos pidões e as mãozinhas juntas como se implorasse, aquilo matava qualquer um na unha. Não sabia com quem Mingyu havia aprendido a ser tão convincente, só sabia que havia aprendido muito bem. Bom poderia dizer que o garoto havia puxado ao pai, levando qualquer um com seu rosto bonito e seus olhos negros.
— O que eu não faço por você? — o alfa apertou o nariz do menor — Tudo bem, você pode ir.
O pequeno comemorou com um pulo e um “uhul”, que fez com que o maior risse, pegando o filho pela mão e voltando para o carro depois de pagar tudo. O pequeno alfa estava muito animado em conhecer o local de trabalho do pai, não parava de fazer perguntas o tempo todo, além de perguntar o tempo todo se já estavam chegando.
Quando os dois entraram na empresa e Mingyu viu o quanto ela era grande por dentro e cheia de pessoas correndo para todos os lados, abriu a boca em um perfeito “O”, fazendo aquela expressão exagerada que as crianças faziam quando ficavam impressionadas com algo.
— Isso tudo é seu, appa? — ele perguntou, já louco para sair correndo por aí, mas Jongin segurava firme sua mão, já sabendo do que o menor era capaz.
— É sim, e sabe o que mais?
— O que?
— Quando você crescer isso tudo vai ser seu.
— Meu? Por quê?
— Porque você é meu filho e tudo o que é meu, é seu também.
Mingyu estava muito impressionado. Para uma criança que passou a vida toda tendo pouco, descobrir que um lugar grande como aquele seria seu um dia, era algo espetacular, aliás, seria para qualquer um, naquele momento não existia criança mais boba e alegre do que aquela, ele se sentia o próprio dono do mundo, e olha que para ele aquilo era só um prédio grande com pessoas dentro. Pra falar a verdade Mingyu, em sua cabeça infantil, achava que Jongin era dono das pessoas que estavam andando por ali, e que um dia ele iria ser dono das pessoas também.
Fora uma luta convencer Mingyu a ficar com Hyejin, secretária do Kim, enquanto o mais velho iria para a reunião, mas o garoto acabou ficando depois de ganhar algumas folhas em branco e canetas coloridas.
Um novo produto seria lançado no mercado e o criador do mesmo estava a explicar seus benefícios, o ômega jovem que apresentava seu mais novo trabalho sequer notou quando figuras de animais começaram a aparecer na tela, e Jongin quase entrou em desespero quando notou Mingyu parado na frente do projetor fazendo figuras de animais com os dedos. A essa altura todos os funcionários que participavam da reunião começaram a rir, fazendo o ômega olhar para trás e notar o que estava acontecendo.
Claro, Jongin, leva seu filho pra empresa, ele vai ficar quietinho.
— Está perdido, querido? — o ômega que apresentava o produto parou para perguntar.
Mingyu parou o que estava fazendo e olhou para o mesmo. Mas antes que o garoto pudesse dizer qualquer coisa, foi agarrado pelos ombros pelo Kim, que conduziu o garoto até uma cadeira ao lado da que estava sentado, sabia que não adiantaria em nada mandar ele de volta para a sala de sua secretária.
E falando nela, Hyejin surgiu desesperada na porta atrás do garoto.
[...]
Baekhyun o deixou na porta de casa quando já estava quase anoitecendo, os três terminaram a tarde em um salão, onde recebeu uma massagem que com certeza arrancou fora problemas m*l resolvidos que ele tinha desde 97. Kyungsoo se sentia leve como uma pluma sendo levada pelo vento. Fora muito difícil subir com todas aquelas sacolas, mas teve a ajuda do porteiro, que o acompanhou até o apartamento. Ele foi embora depois de ganhar uma boa gorjeta pela ajuda prestada.
Guardou tudo em seu guarda-roupa, descobrindo que precisaria de um novo e bem maior. Depois de tudo, acabou se encontrando na frente do espelho, admirando o quão bonito ele estava. As roupas novas combinavam muito bem consigo, além de terem valorizado suas curvas, seu cabelo estava brilhoso e agora com uma franja ondulada que o deixava ainda mais jovem, olhava para o espelho e adorava tudo o que via.
Não sabia quanto tempo havia ficado ali, mas só se deu conta do mundo quando ouviu a voz de seu filho entrando no quarto, o garoto parou bem em frente a ele e ficou o admirando.
— O que foi, filho?
— Você está muito bonito, omma.
Kyungsoo se abaixou e beijou a bochecha da criança, havia sentido sua falta a tarde toda.
— Obrigado, filho.
Os dois saíram do quarto, dando de cara com Jongin sentado no sofá, o alfa ficou de pé assim que o viu. Kyungsoo ficou sem jeito pela forma com que o Kim o olhava, ele nunca havia olhado daquela forma pra ele antes.
— Acho que o jantar vai sair um pouco tarde hoje. — o ômega comentou tentando desviar o constrangimento que estava sentindo naquele momento, ou pelo menos, fazer Jongin despertar do mundinho onde ele havia se enfiado.
E demorou até que o Kim formulasse uma frase.
— Podemos sair pra jantar fora, ou pedir comida. — o alfa sugeriu.
— Pedir comida me parece uma boa ideia.
— Tem alguma preferência?
— Você pode escolher.
Jongin acenou com a cabeça e ficou perdido por mais alguns segundos até pegar seu celular para pedir a comida por aplicativo, pediu comida tailandesa, Kyungsoo tinha cara de quem gostava de comida de outros países. Mingyu ficou brincando ao pé do sofá enquanto o ômega sorrateiramente fugiu para a cozinha.
Fugiu mesmo, ele estava claramente se escondendo do alfa. Mas Jongin foi atrás dele, surgindo na cozinha e encontrando o menor ao lado do balcão, olhando para o vazio como quem pensava em algo sem importância nenhuma.
— Se divertiu hoje?
A voz do alfa o fez se assustar um pouco, mas virou-se para ele e confirmou com a cabeça e um sorriso que não mostrava os dentes.
— Obrigado por tudo. — finalmente lhe mostrou um sorriso decente e cheio de dentes — Eu... eu gostei bastante, na verdade eu não me sinto tão bem há anos.
O alfa se aproximou, Kyungsoo precisava admitir que seu lobo pulava com aquela aproximação, e quando Jongin segurava em seu queixo, parecia que o mundo tinha dado uma parada brusca. Sentia seu coração palpitar mais forte, ficava nervoso quando ele ficava perto daquele jeito.
— Você está ainda mais bonito. — o Kim elogiou, estava perto demais, aquilo acabava com ele.
— Obrigado.
Jongin sorriu pequeno enquanto seu polegar fazia carinho no rosto do menor. Ficaram em silêncio por alguns segundos, até Kyungsoo segurar em sua mão e tira-la de seu rosto, finalmente se afastando, não podia ficar se deixando levar por ele, Jongin era perigoso demais, se apaixonar por um homem daqueles era a coisa mais fácil do mundo, algo que não poderia se dar ao luxo.