David largou sua mochila e enfiou as duas mãos dentro da mochila, puxou uma longa adaga de prata com sua mão direita e agarrou um orbe branco e brilhante com a outra.
— Ravena, mexa-se! Mas ela não conseguia. Imóvel em seu lugar, o corpo de Ravena de repente havia ficado frio como o gelo, como se a temperatura no ambiente tivesse caído uns 7
graus. Enfraquecida pela maldade que a criatura emanava, Ravena sentiu as mãos geladas dela se fecharem ao redor de seu pescoço, sufocando-lhe a vida.
— O que está acontecendo? Ela levou as mãos até a garganta e sentiu o peso do demônio a puxando para baixo. As trevas a penetravam, ameaçando consumir a sua mente.
Mas Ravena não deixaria que este h******l demônio a matasse. Ela era mais forte do que isto. Com sua força interior, fez um esforço e lutou contra aquele m*l depois de um tempo, o frio a libertou e se dissipou.
— Rápido... Atrás de mim! — David empurrou Ravena com força para o chão. Ele correu até onde ela estava e se postou no meio da sala, brandindo suas armas na frente do corpo.
Naquele momento, a Sra. Wil resolveu participar da diversão.
— Mas que bagunça é essa? — Ela berrou, enquanto voltava pelo corredor entre David e Ravena. Primeiro, ela viu David, que estava segurando uma enorme adaga, depois ela voltou sua atenção para Ravena, pálida no chão, a alguns metros atrás dele.
— Deus do Céu! — Berrou a Sra. Wil, encolhendo-se contra a parede, o que você está tentando fazer com esta faca?! — ela gritou.
Você vai nos matar... arrancar as nossas vísceras e vendê-las no mercado n***o? — Ela guinchou enquanto apertava as mãos contra o peito.
— Senhora, estamos aqui para protegê-la! — gritou David, com os olhos fixos na sombra.
A Sra. Wil acompanhou a direção do olhar de David e viu o demônio no final do corredor, ela soltou um gritinho. Assumindo uma forma sólida por um momento, o demônio revelou seu verdadeiro eu, uma essência pútrida de monstros entrelaçados. Tentáculos verminosos formavam pernas que ele usava para se movimentar. Ele cintilou antes de voltar para sua névoa n***a.
— Volte para o Submundo, demônio das sombras! — David apontou o orbe para o demônio. O orbe disparou raios brancos de luz. Eles voaram diretamente para o demônio das sombras e o atingiram. O demônio deu um grito de estourar os tímpanos enquanto sua forma sólida reaparecia, coberta em luz. Como se estivesse tendo uma convulsão, ele cintilou, voltou para a nuvem n***a e desapareceu.
— RAVENA! — gritou David ao se virar e olhar para ela. — Leve a Sra. Wil para fora... rápido... antes que mais demônios venham!
Ravena piscou! Ela encarou o rosto de David com seus pés plantados no chão. Imagens de
demônios passaram por sua cabeça... seus sonhos infantis eram reais.
Sua mãe estava dizendo a verdade todo o tempo. O demônio que atormentava Ravena em seus
sonhos de tempo em tempos havia acabado de aparecer a poucos metros dela. Ela se libertou do transe e se esforçou para se concentrar nas palavras de David.
Ela tinha que fazer alguma coisa: o corpo da Sra. Wil estava tremendo, seu rosto estava contorcido de terror e surpresa. Ela precisava da ajuda de Ravena.
Afinal de contas, Ravena era uma guardiã. Compelida a fazer a coisa certa, ela se levantou e pulou em direção à Sra. Wil, tropeçou e caiu de cara! Ops.
A Sra. Wil, por outro lado, resolveu se mexer. Passando por cima de Ravena, ela cambaleou para a cozinha, gritando como uma assombração.
—Ravena! — David berrou ao ver a Sra. Wil perambulando pelo território perigoso.
— A Sra. Wil está na cozinha! A lavadora de louça!
a mantenha longe dela!
Um calafrio percorreu o traje M de Ravena quando ela sentiu a temperatura do ambiente cair novamente. Ela ergueu a cabeça do chão e hesitou, enquanto outro demônio apareceu atrás de David.
— DAVID! ATRÁS DE VOCÊ! — Ela apontou para a criatura corrompida.
O demônio das sombras cintilou de novo para uma névoa e agarrou David por trás, o envolvendo em uma nuvem n***a. Por um momento, Ravena pensou que o demônio o devoraria e não havia nada mais do que um nevoeiro branco onde David estava. De repente, a criatura se materializou de volta para sua forma verdadeira e David apareceu. Ele saltou no ar, enquanto lutava com o demônio das sombras com a sua adaga, esfaqueando e decepando partes da criatura, um líquido n***o espirrava nas paredes.
— Vá... até... a Sra.... Wil... ele ofegava ao lutar contra o demônio.
— Certo! — disse Ravena. Ela tinha de tentar manter a senhora longe da lavadora.
Ela se debateu para se levantar e cambaleou até a cozinha. Ravena encontrou a Sra. Wil escondida debaixo da mesa da cozinha, rezando.
Ravena caiu de joelhos, a centímetros da mesa.
— Sra. Wil, venha, venha comigo... temos de sair daqui! — Ela segurou o enrugado braço da velha e puxou. — Por favor, temos de ir! — Ela falou apressada.
Mas a Sra. Wil não se movia com os olhos arregalados, ela só balançava para frente e para trás, rezando em silêncio. Ravena podia escutar David ainda lutando com o demônio das sombras.
Ela sabia que tinham que sair rápido dali! com as mãos, ela tentou arrastar a Sra. Wil, puxando o mais forte que podia, mas nada aconteceu.
Ravena não conseguia tirá-la debaixo da mesa.
E quando Ravena pensou que as coisas não poderiam ficar piores, sentiu um calafrio quando outro demônio das sombras se materializou na cozinha, a cinquenta centímetros do rosto choroso da Sra. Wil. Tentáculos negros e nojentos em
forma de nuvem vinha pelo chão da cozinha, deslizando até elas. A Sra, Wil gritou e saiu debaixo da mesa da cozinha, jogando cadeiras e Ravena para trás e se chocando contra a parede.
Ravena via tudo acontecer como se estivesse assistindo a um filme em câmera lenta.
A Sra. Wil saiu de baixo da mesa da cozinha, escorregou e voou cinquenta centímetros no ar.
O corpo dela planou por um momento e se chocou contra a porta da lavadora. Com um barulho alto, a porta da lavadora se soltou de suas dobradiças e se achatou com o peso da Sra. Wil.
Ravena olhava fixamente a Sra. Wil com boca escancarada, caída com os braços abertos no chão da cozinha, com as facas fincadas em seu corpo ensanguentado.
O olho intocado dela estava fixo em Ravena, acusador, como se tudo fosse culpa dela.
Após um momento, o corpo da mulher reluziu, como se a pele tivesse sido salpicada com milhões de pequenos diamantes.
Os diamantes se soltaram e planaram sobre o corpo, se unindo em uma pequena bola de luz que parecia um pequeno sol.
Alguma coisa se moveu na visão periférica de Ravena. Ao se virar, ela assistiu horrorizada o demônio das sombras rastejar em direção à mulher morta. Sem pensar, ela se levantou e correu em direção à bola de luz; algo dentro dela lhe dizia para protegê-la. Mas após três passos, ela sentiu algo segurar o seu pé esquerdo.
Ela caiu de cara no chão, seu corpo foi erguido no ar pelo pé e arremessado pelo cômodo. Ela bateu na parede com violência e caiu com força no chão. Ravena lutou para se reerguer e virou rapidamente a cabeça. Uma polpuda massa de carne com veias expostas deslizou pelo chão da cozinha. Tentáculos vermelho-sangue avançaram como um enorme polvo. Múltiplas cabeças e bocas com
dentes afiadíssimos cobriam o corpo. O demônio ignorou Ravena e rastejou em direção à Sra. Wil.
Rígida como uma estátua, Ravena assistia horrorizada os tentáculos da criatura se enrolarem ao redor dos pés da mulher, que se projetou para cima, a centímetros da bola de luz.
Sua figura disforme se enrolou sobre o corpo morto da mulher.
Seu toque corrompeu o corpo dela e a pele ficou imediatamente n***a e apodrecida. O demônio das sombras continuou na direção da bola de luz.
— NÃÃÃÃÃO!!! — urrou David, aparecendo repentinamente na porta, e correu em direção à Sra. Wil.
Mas era tarde demais....O demônio das sombras brilhou e cresceu. Então, ele se lançou para frente,
engolindo completamente a bola de luz, e desapareceu.
David correu até a Sra. Wil e olhou para seu corpo enegrecido.
— Oh... isto não é nada bom — Ele caiu de joelhos. — Perdemos esta alma.
Vou levar uma bronca — ele disse, estreitando os olhos. — EU ODEIO os demônios! EU ODEIO ELES!
Ele se levantou e começou a chutar a lavadora de louças. O corpo murcho da Sra. Wil sacolejava sobre a porta. Uma meleca preta pingava dos cantos de sua boca.
David balançou a cabeça.— Espera aí... Eu não entendo. Como eles chegaram tão rapidamente aqui? Não faz sentido algum.
— O que... O que você quer dizer? David, do que você está falando?
— Os demônios eles nunca aparecem tão rapidamente. É como... se eles soubessem que estaríamos aqui.
Depois de um instante, ele olhou para Ravena com um olhar preocupado.
— Temos de sair daqui! — Ele parou por um momento, então correu até a cozinha e desapareceu no banheiro, deixando Ravena o observando boquiaberta.
— Rápido, por aqui! — gritou David da porta do banheiro.
— Está limpo! Ele desapareceu para dentro do banheiro.
— Caramba... Não estou com um bom pressentimento quanto a isto! — Ravena se
esforçou para se levantar.
— Ai! ela sentiu uma dor aguda em seu tornozelo
direito. Quando puxou uma perna da calça, viu que havia pequena marca preta na forma de uma teia de aranha em seu tornozelo.
— Que...? — Ela esfregou seu dedo na mancha e não sentiu desconforto. A dor havia passado.
Ela soltou a perna da calça e correu atrás de David.
Quando chegou à porta do banheiro, David estava ajoelhado diante da privada, tendo convulsões, mas ele não estava vomitando ou algo do tipo.
Ao invés disso, enfurecido, ele revirava o conteúdo de sua mochila até encontrar uma pasta.
Ele jogou a pasta no rosto de Ravena.
— Aqui, pegue isto... você vai precisar. Estamos indo para o quarto andar. Temos que contar para eles que perdemos uma alma!
Ravena estava de cabeça baixa e se sentia péssima. Ela não estava totalmente certa do que isto significava, ou do que ela havia feito, mas pela expressão maluca no rosto de David, imaginou que perder uma alma era muito r**m.
— Sinto muito — ela conseguiu resmungar.
— Eu...eu tropecei e aí não consegui puxá-la. Continuei puxando e puxando, mas tropecei de novo e o demônio...
— Não se preocupe com isto — David se endireitou e jogou a mochila nos ombros.
Agora, a melhor coisa que devemos fazer é sair daqui. — Ele levantou a tampa da privada com o pé. David deu uma olhada para Ravena e inclinou sua cabeça em direção à privada.
— Você vai primeiro, eu cubro você.
Ele deu um pulo e parou na porta com um ar de protetor, observando.
— O quê? O que você está fazendo? gritou Ravena, atônita, com os olhos saltando da cara.
— Você não quer que eu... você não pode estar falando a sério....Isto é nojento!
David se virou para encará-la e disse abruptamente.
— Nós realmente não temos tempo para isto! Você não percebeu que há demônios aqui? Olá? Ravena
piscou.
— Você é louco... não, você é insano! De jeito algum eu vou pular nisso...É nojento!
— É o que dizem — David virou a cabeça e observou o corredor, então se virou para Ravena e seus olhos se encontraram.
— Eu preciso que você mergulhe sua cabeça na água e não vou esperar para lhe dar um banho. Você realmente quer sentar aqui e esperar os demônios voltarem? Ravena se inclinou na direção da privada e colocou a mão na boca.
— Mas aí tem... aí tem resíduos da velha...Ela fez uma careta enquanto espiava a água amarela e um pegajoso anel marrom ao redor do vaso — Sério,
você não pode pôr sua cabeça aí!
David suspirou alto, enquanto baixava os ombros e olhava para o teto.
— Você não vai pegar uma doença ou algo do tipo, garota, você está morta.
Você precisa se habituar a isto...Esta é a sua nova carreira.
Rápido... Estarei logo atrás de você. — Ele se aproximou e a posicionou perto da privada.
— Espere! — disse Kara, desesperadamente. — O que acontece se eu puser minha cabeça a... a... aí? — Ela apontou para a privada.
— Você voltará para o Horizonte, direto para o quarto andar, disse David após uma longa pausa — Você estará a salvo.
Vamos embora, vai! — Ele a empurrou para frente.
Um barulho alto veio da cozinha.
Ravena torceu o nariz, ela se virou e encarou David com os olhos arregalados. Ele pulou para o corredor com sua adaga em punho.
Ravena tencionou suas pernas e caminhou para a porta. Enfiando a sua cabeça trêmula para fora da porta do banheiro, ela percebeu que o barulho era apenas o corpo murcho da Sra. Wil escorregando alguns centímetros para fora da porta da lavadora.
Ravena estremeceu. — David... os... os demônios... eles podem voltar eles podem sugar as nossas
almas...
David pulou de volta para o banheiro e empurrou Ravena em direção à privada.
— Tudo bem! Já deu e não me faça enfiá-la aí.
— Ele ergueu uma sobrancelha. — Eu farei isto, se for necessário... Acredite em mim.
Ravena cambaleou e olhou para a privada vazia.
— Não acredito no que estou prestes a fazer... não acredito. Precisamos da água... certo?
Ela apertou a pasta contra o peito. — Não posso pegar nada.
Já estou morta, ela fechou os olhos. — Isto aqui tem cheiro de rosas... grandes e lindas rosas... como as que a Vovó tem — Ravena tampou o nariz com os dedos, enfiou a cabeça na privada e sentiu suas milhões de moléculas se separarem.