URSO Eu tava ali, sentado na mesa, tentando tomar meu café em paz, mas as meninas não paravam de rir e cochichar, trocando olhares cheios de segundas intenções na minha direção. Olívia fingia que não ouvia, mas o rosto dela tá vermelhinho até agora. E eu? Eu só queria saber o que tá rolando. Dona Flaviana tava enchendo minha cabeça de perguntas pessoais, e eu ali tentando me manter educado. Mano, não sou um cara muito sociável, tá ligado? Sempre na minha, de boa, e agora tô aqui, na mesa cheia, me sentindo num interrogatório da polícia, só que com mais educação e um café forte na minha frente. Cada pergunta era um ataque. — Qual sua comida favorita? Qual seu signo? Tem parentes? Pretende ter filhos? — Oxi, dona Flaviana, calma aí, um de cada vez, né? — Não sei até quando vou te

