Um ou dois alunos murmuraram alguma coisa, mas ninguém levantou a mão. Eu senti meu coração acelerar. Era agora ou eu ia ficar o semestre inteiro engolindo tudo calada. Levantei a mão. — Professor? — minha voz saiu um pouco mais fina do que eu queria. Ele sorriu. — Sim…? Seu nome? — Isabela. Engoli seco. — Eu… sou casada com um cadeirante. — falei logo, sem rodeio. — Ele sofreu um acidente de carro há alguns anos. Lesão na região torácica, T… — parei um segundo tentando lembrar dos números que o médico de Paris tinha falado — T11, T12. É paraplégico. A sala ficou em silêncio. Bem aquele silêncio de curiosidade. — E que tipo de sintomas ele tem hoje? — o professor perguntou, já interessado. — Ele tem sensibilidade estranha. — comecei. — No começo, nada. Agora… sente choque, form

