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711 Palavras

HELENA NARRANDO Eu acordo diferente, esses dias. Não sei explicar. Parece que até o ar entra melhor no peito. Antes mesmo do despertador tocar, eu já tô de olho aberto, mão no coração, lembrando da voz do Davi no telefone: “Mãe, a Isabela tá grávida. Eu vou ser pai.” Toda vez que essa frase volta na minha cabeça, eu fico com vontade de chorar e rir ao mesmo tempo. Meu filho. Aquele menino que eu carreguei no colo, limpei joelho ralado, levei pra escola, briguei por causa de videogame… agora vai carregar um filho dele. Levanto da cama falando sozinha: — Eu vou ser vovó… eu vou ser vovó, meu Deus do céu… Antônio vira de lado, ainda meio dormindo. — Tá delirando de novo, Helena? — reclama, rindo. — Desde que esse menino falou dessa gravidez, você não fala em outra coisa. — E vou fal

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