Alonzo
Subo as escadas e entro no quarto principal. É um dos poucos quartos que está pronto. Jogo a gravata de lado, desabotoo a camisa e a tiro da calça. Eu olho para o terno. Mesmo no preto, o sangue aparece. Felizmente nunca foi meu terno favorito.
Há uma batida na porta e me viro para ver um soldado arrastar a garota para dentro do quarto.
Paola De Le Rosa.
Filha única de Danilo De La Rosa.
O tio dela está certo. Eu deveria matá-la. Mas há algo nela que me deixou curioso e não consigo definir o que é.
Eu olho para ela. Mesmo com o vestido de noiva destruído e ensanguentado, ela é linda. Eu deveria cuidar disso. Afundar o meu p*u em sua b****a quente e então matarei minha curiosidade.
— p***a — ela murmura, tropeçando quando o soldado a solta.
Ele a segurou com bastante firmeza, mas tenho certeza de que foi porque ela provocou.
Ela parece uma mulher que provoca qualquer um.
Ele olha para mim, espera meu aceno e depois vai embora. Ele ficará lá fora. Não que eu precise que ele cuide dela. Posso lidar com Paola De La Rosa com uma mão amarrada nas costas.
Nós estudamos e por um momento, vejo-a de joelhos aos meus pés novamente me implorando para poupar seu irmão. Ele não implorou por si mesma.
Ela está sem fôlego por causa da subida das escadas ou da briga com o soldado. Não seria muito inteligente se ela desperdiçasse sua energia com isso.
Continuo tirando minhas roupas, desabotoando os punhos e dois botões na frente antes de tirá-las pela cabeça. Sigo seus olhos enquanto eles me observam, suas sobrancelhas se unindo momentaneamente, sua testa enrugada. Não tenho certeza se é por causa das tatuagens ou das cicatrizes, mas de qualquer forma eu fico lá e deixo ela dar uma boa olhada. Enquanto ela faz isso, eu faço o mesmo. Eu a estudo porque há algo naqueles olhos cor de mel que não entendo. Algo que vai contra tudo que aprendi ser verdade.
Mas f**a-se essa merda.
Garotas bonitas tem aos montes. Não há nada de especial nesta.
Ela deixa meu p*u duro. Isso é tudo com que tenho que me preocupar.
— Tire o vestido — digo a ela.
Seus olhos se estreitam e ela inclina a cabeça para o lado. Ela é petulante. Um problema ambulante.
Mas uma voz irritante me diz que há mais do que essas coisas. Seria simples se ela fosse apenas essas coisas. E eu sei exatamente o que é. Ela é leal. Uma característica que não aparece facilmente em meu ramo de trabalho. Ela se humilhou, se jogou aos meus pés para salvar o irmão.
É uma pena que ela seja leal ao lado errado.
— Você tem dificuldade de ouvir? — Eu pergunto.
Ela apenas olha.
Aponto para o vestido.
— Está sujo. Você está coberta de sangue e miolos. Sem falar que é feio. Não quero que você suje minhas coisas.
Suas sobrancelhas sobem em sua testa.
— Você não quer que eu suje suas coisas?
— Isso mesmo.
— Eu quero meu véu. Seu capanga não me deixou pegar meu véu antes de me arrastar para fora de lá.
Eu bufo com isso, tiro os sapatos e as meias, desfaço o cinto e as calças. Viro-me e caminho em direção ao banheiro, parando na porta para olhar para ela momentaneamente.
— Achei que você foi forçada a se casar com Rinaldi. Não foi isso que você disse? Ou foi mentira para salvar seu pescoço? Então, por que diabos você iria querer alguma lembrança das núpcias supostamente forçadas que interrompi?
Seu olhar cai para a virilha aberta da minha calça e ela não é rápida o suficiente para virar a cabeça enquanto limpa a garganta.
Eu tinha razão. Apenas uma garota safada pensando em pensamentos impuros. Bom. O impuro é bom.
— Não tem nada a ver com ele. O véu é da minha mãe. — Ela para,
balança a cabeça. — Era da minha mãe. E eu quero ele de volta.
Eu observo o rosto dela. Observe-a tentar mascarar suas emoções.
— Ela está morta há muito tempo. Por que isso importaria?
— Você não esquece as pessoas que ama. A menos que você seja algum tipo de monstro, é claro.
Suas palavras atingiram seu alvo.
Eu cerro os dentes.
Ela não sabe. Ela está apenas jogando palavras para mim. Apenas palavras. Ela perdeu a mãe semanas antes de eu perder a minha. Pais mortos por aqueles dois idiotas caídos com metade do rosto arrancado lá embaixo.
Entro no banheiro e tiro o resto das minhas coisas, depois ligo o chuveiro e entro sob a água.