06

1369 Palavras
O relógio finalmente marcou 18h. Isa fechou o notebook, empilhou os relatórios e pegou a bolsa. Estava exausta, com a mente pulsando e o corpo ainda sensível desde o toque disfarçado de Dante na reunião. Entrou no elevador já cheio. Posicionou-se ao fundo, entre dois executivos que conversavam baixo. Estava com o blazer fechado e a calça social justa que moldava seu corpo com elegância. Sentia-se sufocada — pela tensão do dia e pela presença que logo se faria sentir. E então ele entrou. Dante Montenegro. Com a postura impecável, as mãos nos bolsos e os olhos escuros que vasculharam todo o elevador até encontrarem os dela. Como se só existisse ela ali. Ele se posicionou atrás dela, tão próximo que Isa podia sentir a respiração quente dele tocando a lateral do seu pescoço. Ela engoliu seco. O elevador desceu dois andares, e, quando o grupo se adiantou, ele se aproximou mais, a ponto de o ombro dele encostar sutilmente no dela. Os dedos longos e quentes tocaram a parte inferior de seu blazer, deslizando com discrição para baixo, até encontrar a cintura da calça. Isa estremeceu. — Fica quieta — ele murmurou, a voz grave ressoando como uma ordem sussurrada. Com uma destreza absurda, seus dedos passaram por dentro da barra da calça, buscando o cós da lingerie. O toque era seguro, proibido, escondido atrás da formalidade do traje dela. Isa mordeu o lábio inferior com força, enquanto ele continuava o jogo silencioso. Ninguém à frente notou. Os outros ainda falavam sobre reuniões e cafés, completamente alheios à guerra de desejos que se desenrolava às suas costas. No 7º andar, alguns saíram. Portas fechadas novamente. Apenas os dois. Foi o suficiente. Dante a girou sutilmente e a encostou contra a parede espelhada. Seus olhos mergulharam nos dela antes de capturar sua boca em um beijo profundo, urgente. Isa tentou se afastar, mas o corpo não obedeceu — afundou no dele, sugando cada segundo daquele contato intenso. Ele a segurou firme pela cintura, puxando-a para si, e ela sentiu o calor do corpo dele queimar através do tecido. O blazer de Isa estava aberto agora, as mãos dele encontrando a curva da cintura, os dedos pressionando por cima da calça, ainda provocando, ainda comandando. As portas se abriram no térreo. Ela o empurrou, ofegante, ajeitou o blazer com as mãos trêmulas e saiu como se fugisse de uma armadilha. Dante ficou onde estava, sorrindo com aquele ar maldito de quem sabia exatamente o que havia feito. E Isa... Isa caminhava em direção à saída com o corpo aceso e o coração prestes a explodir. Ela precisava fugir dele. Mas uma parte sua... queria ser pega de novo. O sábado amanheceu nublado, mas Isa estava acordada antes mesmo do sol aparecer. A cabeça ainda girava com tudo o que havia acontecido durante a semana. O novo emprego, a tensão com Dante, o elevador, o toque escondido... e aquele maldito beijo. Um beijo que ela sentia na pele como se ainda estivesse acontecendo. Ela tentou se distrair, organizando o apartamento novo, colocando roupas na máquina, fazendo uma faxina quase agressiva. Mas nem o barulho da vassoura batendo contra o rodapé apagava as lembranças. Seu celular vibrou sobre a bancada. Júlia: Hoje é sábado e a gente vai sair, não inventa desculpa. Te pego às 20h. Coloca aquele vestido vinho. Beijos. Isa sorriu, mesmo contra a vontade. Júlia era sua âncora — e sua principal cúmplice quando o mundo parecia desabar. E agora, mais do que nunca, ela precisava esquecer. Às 20h em ponto, o interfone tocou. Isa estava pronta: cabelo solto em ondas marcadas, maquiagem impecável e o vestido vinho justo, que abraçava seu corpo como uma segunda pele. O decote não era exagerado, mas insinuava o suficiente. O salto preto completava o visual de mulher que queria se sentir no controle — nem que fosse por uma noite. — Uau, gata! — Júlia exclamou, assim que Isa entrou no carro. — Se Dante te vê assim, cai de joelhos. Isa revirou os olhos. — Não fala esse nome. Hoje eu sou só Isa Mendes. Solteira, livre e disposta a beber até esquecer que CEO's existem. Júlia riu e acelerou. Foram parar em uma casa noturna badalada nos Jardins, com lista de espera na porta e fila de gente famosa entrando e saindo. Mas Júlia, como sempre, conhecia alguém. Entraram sem esforço. O lugar pulsava com luzes vermelhas e douradas, música alta e corpos dançando como se o mundo fosse acabar naquela noite. Isa deixou-se levar. Beberam drinks coloridos, dançaram até o salto doer, riram, flertaram com dois rapazes interessantes — um advogado e um produtor musical — e, pela primeira vez em dias, Isa se sentiu viva. — Você precisava disso, amiga — disse Júlia, já levemente alta. — Nada melhor do que uma noite de pecado pra mandar homem babaca pro inferno. Isa levantou o copo. — Amém, irmã. Foi quando o olhar dela se perdeu por um segundo no fundo da pista e seu corpo gelou. Dante Montenegro. Com uma camisa preta aberta no peito, calça de alfaiataria e um copo de whisky na mão. Ao lado dele, uma mulher. Morena, alta, elegante. Mas os olhos dele não estavam nela. Estavam em Isa. Um sorriso lento surgiu nos lábios dele, como se dissesse "Você achou que eu não viria te buscar." Isa sentiu o coração acelerar. — Não. — murmurou para si mesma, desviando o olhar. — Hoje, não. Mas ela sabia... A noite estava só começando. Isa fugiu da pista como quem foge de um incêndio. Desviou do olhar de Dante como se aquilo fosse suficiente para apagar o calor que ele provocava. Arrastou Júlia com ela, inventando qualquer desculpa: — Aqui tá muito cheio, quero dar uma volta. Vamos ver o segundo andar? Júlia, animada demais para questionar, concordou com um sorriso bobo nos lábios. Subiram por uma escada lateral, iluminada por luzes vermelhas que piscavam como um aviso. No andar de cima, o clima era completamente diferente. Menos barulhento, mais... íntimo. A música era mais suave, sensual. As luzes criavam sombras no ambiente e o cheiro no ar era uma mistura de perfume caro e tensão s****l. Isa franziu a testa. Pessoas elegantemente vestidas conversavam em pequenos grupos, algumas com taças nas mãos, outras mais ousadas, já trocando carícias sem pudor algum. Um casal passou por ela, mãos entrelaçadas, sorrindo para outro casal como se aquilo fosse o mais natural do mundo. — Onde a gente veio parar? — perguntou Isa, olhando ao redor, desconcertada. Júlia arregalou os olhos, olhando para uma mulher que usava uma lingerie rendada por cima do vestido. — Eu... acho que isso aqui é tipo... um andar privativo. Swing, talvez? Isa engoliu seco. Não era preconceito, não era medo... era surpresa. E uma curiosidade inegável. Ela deu um passo para trás, pensando em voltar, quando sentiu um arrepio percorrer a espinha. Antes mesmo de se virar, soube quem era. — Curioso te ver aqui, Isa. A voz de Dante deslizou pela pele dela como um toque. Ela se virou devagar, o coração batendo forte demais. Ele estava ali, recostado na parede como se pertencesse àquele ambiente. Elegante, perigoso, com um sorriso no canto da boca que era pura provocação. — Eu não sabia o que era esse andar. — disse ela, tentando manter a compostura. — E agora que sabe... vai embora? Isa hesitou. Júlia, percebendo o clima, inventou uma desculpa qualquer e desapareceu dali, como uma boa amiga faria. — Isso não é da sua conta — Isa respondeu, o queixo erguido, tentando esconder o quanto ele mexia com ela. Dante deu um passo à frente, a distância entre eles diminuindo. — Tudo que envolve você me diz respeito agora. Querendo ou não. Ela sentiu o corpo reagir antes da mente. — Você é só meu chefe. E uma lembrança borrada de uma noite que eu prefiro esquecer. Ele sorriu. — O problema é que eu não esqueci. Isa o encarou, o coração descompassado. — Nem eu. Mas ela não ia ceder. Não ali. Não ainda. Ela se afastou, sem dizer mais nada, deixando para trás o som abafado da música e os olhares de Dante queimando suas costas.
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