— A gente podia sair hoje — sugeriu Júlia, sentada na beira da cama, abrindo uma garrafa de espumante.
Isadora estava com o rosto virado para a janela do flat. Já era noite em São Paulo, e as luzes da Paulista refletiam no vidro como constelações artificiais.
— Não sei se tô no clima.
— Amiga — Júlia se levantou com uma taça na mão —, a gente foi chutada de uma empresa covarde que tratou nosso talento como brinde de relacionamento. Choramos, ficamos em silêncio, agora é hora de enfiar esse salto alto no ego de todo mundo e mostrar quem a gente é.
Isadora virou o rosto. Os olhos estavam menos inchados do que no dia anterior, mas ainda carregavam mágoa. Porém, no fundo, ela sabia. Aquela dor só seria curada se ela devolvesse ao mundo tudo o que segurou por tanto tempo.
Engoliu um gole do espumante.
— Pra onde?
— Uma boate na Vila Olímpia. A Exclusiv. Tá tendo festa de lançamento de um perfume caríssimo, cheio de artista, empresário, jogador de futebol… dizem que até políticos vão estar por lá.
— Acha mesmo que é uma boa ideia me jogar no meio de gente rica, influente e com o mesmo tipo de ego do Vinícius?
— Sim. Porque essa noite, Isa… não é sobre eles. É sobre você.
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Duas horas depois, as duas surgiam na entrada da Exclusiv. Isadora usava um vestido preto de cetim, justo, decote nas costas e alças finas cruzadas. O salto era agulha, a maquiagem perfeita. Os cabelos escovados com ondas largas davam um ar de mulher poderosa, intocável. Júlia, com um conjunto de top e saia vinho escuro, chamava atenção pelo sorriso e postura.
Na porta, seguranças liberavam o acesso com pulseiras pretas de acesso VIP.
— Nome? — perguntou o recepcionista.
— Júlia Prado. Isadora Moreira. Lista da Flávia Marins — disse com firmeza.
Ele checou rapidamente e entregou duas pulseiras discretas. A entrada estava liberada.
A boate era de tirar o fôlego. Luminárias suspensas em formato de gotas, pista de dança de vidro iluminado, garçons passando com taças de espumante francês, e um DJ tocando deep house ao fundo.
Pessoas conhecidas desfilavam ali dentro. Atrizes, influencers, empresários do ramo da moda, homens com ternos impecáveis e mulheres de vestidos que valiam mais que carros populares.
Mas Isadora não se intimidou.
Ela estava diferente.
Estava em guerra com a versão submissa que carregava há anos.
— Vamos tomar uma dose? — perguntou Júlia, puxando-a para o bar.
— Vamos.
Duas doses de tequila depois, o corpo já estava mais leve, e a alma, mais quente.
— Sabe o que quero? — disse Isadora. — Quero dançar. Como se ninguém aqui tivesse poder sobre mim.
— Então vai. Vai, Isa. Se solta. Mostra que você é a mulher que eles nunca conseguiram domar.
Ela foi.
No centro da pista, com o jogo de luzes tocando seu corpo como se o mundo estivesse em câmera lenta, Isadora fechou os olhos. O vestido colava na pele, o calor dos corpos ao redor se misturava com o perfume doce que pairava no ar.
Ela dançava como se estivesse despindo a dor.
E ele a viu.
No lounge superior, afastado do barulho da pista, um homem observava. Terno sob medida, copo de uísque entre os dedos, maxilar marcado, olhos escuros fixos nela.
Dante Montenegro.
Empresário. Discreto. Misterioso. Um dos investidores da marca que promovia o evento.
Ela não sabia.
Mas o olhar dele queimava mais do que as luzes.
— Quem é ela? — perguntou ao segurança ao lado.
— Acho que é uma ex-funcionária da Almeida & Vasconcelos. Dizem que foi demitida ontem.
— Ela dança como quem acabou de se libertar de uma cela.
Dante levou o copo aos lábios.
— Traga o nome completo dela pra mim.
O calor da pista começava a sufocar.
Isadora dançava como se o mundo tivesse sumido ao redor. Mas agora os pés doíam, a boca estava seca e a tequila queimava no estômago. Ela se afastou de Júlia, que ainda dançava, e seguiu em direção ao bar, trêmula, com o coração pulsando no pescoço.
— Me dá qualquer coisa forte — disse ao bartender, jogando o cabelo para trás.
O homem entregou um copo com um líquido âmbar. Isadora virou de uma vez.
Mais uma dose.
Mais uma.
Mais uma.
O som estava abafado, os rostos ao redor borrados, e tudo o que ela sentia era o gosto da fúria misturado com desejo. Desejo de apagar tudo. De se esquecer.
Foi quando ele apareceu.
Dante Montenegro se aproximou silenciosamente. Camisa social preta com os dois primeiros botões abertos, blazer em tom grafite e aquele olhar firme que parecia atravessar camadas.
Ela não o viu chegando. Apenas sentiu.
— Você bebe como quem quer apagar alguma coisa — disse ele, com a voz baixa, rouca, próxima demais do ouvido dela.
Isadora virou o rosto devagar. O mundo girava um pouco, mas os olhos dele estavam ali, fixos nela. Nenhuma cantada. Nenhuma pergunta. Apenas presença.
— E você olha como quem quer invadir.
Ele arqueou um canto da boca. Aquilo não era um sorriso. Era um aviso.
— Talvez eu queira.
Ela não pensou.
Não racionalizou.
Apenas agarrou a nuca dele com uma mão e o beijou.
Foi um beijo urgente, molhado, torto, carregado de raiva, álcool e vontade de desaparecer dentro de outro corpo. Dante a segurou pela cintura, firme, devolvendo o beijo com a mesma fome contida. A mão dele subiu pelas costas dela, encontrando pele, calor, vulnerabilidade.
Eles se afastaram por um segundo. Ela respirava rápido.
— Me tira daqui — disse ela, a voz arrastada.
Dante não respondeu. Apenas pegou sua mão, passou por entre os corpos, puxando-a como quem sabe exatamente o que faz. No estacionamento, um motorista os esperava. O carro era discreto, escuro, de vidros fumê.
— Motel mais próximo — foi a única ordem.
O caminho foi silencioso, mas as mãos se tocaram no banco de trás. Isadora tremia, entre o medo e a excitação. Dante a observava com os olhos cravados em cada movimento, como se já a tivesse imaginado antes.
Quando entraram na suíte, não houve hesitação. Ela tirou os sapatos, ele o blazer. A tensão entre os dois era elétrica. Dante a encostou na parede, prendendo os braços dela acima da cabeça.
— Tem certeza disso? — perguntou ele, quase encostando os lábios no pescoço dela.
— Cala a boca.
O quarto do motel era banhado por uma luz avermelhada que dançava pelas paredes, criando sombras sensuais e perigosas. Isadora ainda sentia o calor do álcool nas veias, mas cada batida do coração acelerado era uma lembrança de que algo mais forte a dominava agora — o desejo cru, selvagem, que emanava daquele homem à sua frente.
Dante não falou nada de imediato. Apenas a observou.
Ela estava ali, de vestido justo, colado ao corpo, o tecido subindo sutilmente com cada movimento. O cabelo bagunçado, o batom borrado. Os olhos de quem não queria pensar, só sentir.
— Vira de costas — ele ordenou, com a voz baixa e carregada de comando.
Isadora obedeceu sem discutir. Virou-se, os joelhos tremendo levemente de antecipação. Ele se aproximou, subindo as mãos pelas suas coxas, devagar, até encontrar a barra do vestido e erguê-lo com firmeza, revelando a calcinha rendada por baixo.
Ela sentiu a respiração dele quente contra sua pele.
— Linda... e completamente entregue.
A frase sussurrada veio seguida de um beijo ardente na parte interna da coxa. Dante a fez se inclinar para frente, apoiada na cama, e arrastou a calcinha pelas pernas devagar, sem pressa, como se estivesse desfazendo um embrulho precioso.
Em seguida, ajoelhou-se atrás dela e mergulhou entre suas pernas com a língua, sem nenhum aviso. Isadora arqueou o corpo, um gemido escapando alto pela garganta. Ele a devorava como se tivesse fome, como se cada movimento da língua fosse uma sentença de prazer.
Ela se contorcia, gemia, perdia o controle.
— Vai gozar pra mim, princesa — ele ordenou, a voz carregada de luxúria.
E ela gozou.
Ali mesmo, de pé, o corpo tremendo, as pernas fracas, os olhos marejados. E antes que se recuperasse, Dante a virou de frente, ergueu o vestido por completo e a deitou na cama, sem sequer tirar a peça do corpo dela.
— Quero te ver gozar de novo... com meu p*u dentro de você.
Dessa vez, ele tirou a calça devagar, e quando se posicionou entre suas pernas, foi direto. Entrou de uma vez só, fundo, quente, avassalador. Isadora gritou — não de dor, mas de surpresa. De sentir algo diferente, inteiro, preenchendo cada centímetro seu.
Dante segurava suas pernas pelos joelhos, abrindo-a mais, a cada estocada mais firme. Ela se agarrava aos lençóis, o vestido ainda enrolado na cintura, os s***s expostos e os olhos fechados.
— Ninguém nunca te comeu assim, não é? — ele provocou.
Ela só conseguiu gemer, balançando a cabeça.
Ele sorriu.
Virou-a de bruços, levantou seu quadril com uma das mãos e entrou novamente, ainda mais profundo. Agora com uma das mãos em sua nuca, mantendo-a pressionada contra os lençóis, dominando seu corpo por completo. Ela perdeu a conta de quantas vezes chegou ao limite.
Dante a fazia gritar. A fazia tremer. A fazia esquecer tudo.
O terceiro orgasmo veio como uma explosão silenciosa — o corpo dela arqueou, os olhos se reviraram e ela sentiu o álcool sumir do corpo como mágica.
E quando ele também gozou, o fez dizendo seu nome. Sem querer, sem planejar.
Depois, ficaram em silêncio, ofegantes, os corpos ainda colados, suados, marcados. O vestido amarrotado ainda estava em seu corpo. Mas agora, ela não se sentia vestida. Sentia-se exposta de um jeito que ninguém jamais a tinha tocado.
Dante se afastou devagar e deitou ao lado dela.
Ela virou-se, os olhos fixos no teto.
— A gente não se conhece. Não quero nomes. Nem promessas — disse.
— Você vai tentar esquecer — ele respondeu — mas eu duvido que consiga.
Ela sorriu de canto.
No fundo, já sabia que ele estava certo.