24 - Emoções nunca antes sentidas

1773 Palavras
*Amber Lee PoV* Vejo-o se levantar e se juntar ao Rico, enquanto aponta para a cadeira vazia. ㅡ O que você pretende fazer, Amber Lee? ㅡ Eu vou dar um jeito sem você, Michael. Esse computador não é um grande mistério. Ele está me desafiando com o olhar de novo, com aquele jeito de “Estou louco para ver isso.” Eu respiro fundo e faço uma contagem mental para não perder a linha. Não vou dar o braço a torcer, até porque, se ele vir o que eu estava pesquisando aqui, posso dar adeus à minha paz. Bom, pelo menos ao que sobrou dela desde que ele surgiu como um carro desgovernado na minha vida. ㅡ Então, você é boa em alguma outra coisa além de jogar paciência… Ele nunca perde a oportunidade… Que seja! ㅡ Honestamente, eu prefiro passar ho®as tentando decifrar códigos que aturar você. Percebo como ele segura a risada que certamente está lutando para sair. Idïota… ㅡ Isso é porque você me acha s&xy. Eu reviro os olhos diante de sua audácia. ㅡ Arrogante e presunçoso seria mais adequado. Michael não se deixa abater, parece até estar gostando da nossa troca de farpas. Ele sorri para Rico, orgulhoso como um pavão com a cauda aberta. ㅡ S&xy... Ela me acha s&xy. Rico cai na gargalhada e dá um tapinha de cumplicidade no ombro de Michael. Agora entendo tudo. Meu amigo armou essa situação para nos juntar e eu caí como uma patinha. Decido ignorar a interação deles e me sento com um ar imperial, daquele de quem tem a resposta para o problema. Clico em vários lugares na tela, achando que estou abafando, tentando fechar as janelas das minhas pesquisas sobre esse ser irritante. Do nada, o equipamento começa a apitar e, no auge do meu desespero, bato na tecla ESC repetidas vezes para tentar fechar tudo. Oh, Céus! O que eu faço? *Michael PoV* Deus, ela vai acabar explodindo o computador! Eu acabo rindo da situação constrangedora dela. Quase tenho pena. Quase. ㅡ Bom, ojitos, eu vou te deixar com seu pequeno caso de amor com seu computador. Preciso de um café. Estou fora, chiquititos. ㅡ Olho para Rico incrédulo. Não é seguro me deixar sozinho com uma garota. Ainda mais uma que me provoque tanto. Um sorriso ardiloso se forma em sua boca. ㅡ Não façam nada que eu não faria... Filho da mãe! Embora deva confessar que um tempo sozinho com ela talvez ajude a quebrar o gelo. ㅡ Prefiro morrer! Você vai ver só, Rico! Talvez não... Abro espaço para ele, que desaparece pelo corredor e eu fico no meu canto achando graça de sua tentativa de cupido. Acho mais engraçada ainda a expressão de desespero que se apossa do rosto dela. Por que você luta tanto contra o desejo que notoriamente sente por mim? Seria tão mais fácil... Não, esquece. Assim é mais interessante. Ela volta sua atenção para o computador, enquanto eu aguardo ansiosamente que me implore por ajuda. Conforme os minutos passam, eu a vejo bufar, suspirar, coçar a cabeça, roer as unhas da mão que não está no mouse... Tudo praticamente ao mesmo tempo. Pelo amor de Deus, mulher! Custa pedir a minha ajuda? ㅡ Máquina do m@l! Após seu desabafo, ela bate com a testa no teclado algumas vezes e a graça da situação acaba. Realmente começo a me sentir culpado, pois tenho a impressão que ela vai acabar chorando. Não aguento ver uma mulher chorar, é de partir o coração. Aproximo-me um pouco e ela me observa de soslaio. De repente, meu coração aperta ao vê-la tão fragilizada. Coço uma orelha e mordo meu lábio inferior, tentando disfarçar. Deixo escapar um suspiro de pura descrença, ao perceber que ela prefere perder seu tempo que recorrer a mim para resolver seu problema. Não a culpo. No lugar dela, faria igual. Talvez pior. ㅡ Eu nunca conheci alguém tão teimosa… ㅡ Você quer realmente falar dos defeitos alheios? Porr@, mulher! Será que eu vou ter que sacudir uma bandeira branca para mostrar que estou tentando ajudar? ㅡ Você quer mesmo que eu deixe você se virar sozinha com isso? Dessa vez, ao falar, tiro da minha voz todo sarcasmo e ironia. Ela gira a cabeça na minha direção para me observar melhor. Estou sendo sincero. Não costumo me preocupar com qualquer um. Mesmo com os poucos amigos que tenho, sou rude e frio diversas vezes. Então, aqui estou, diante de uma garota que m@l conheço, tentando ser sincero e gentil, sem entender a razão disso. A julgar pela expressão de dúvida em sua face, não estou indo muito bem. A culpa é minha. Nunca fui bom em demonstrar o que sinto. Na verdade, escondo tudo muito bem, pois tenho medo de libertar meus demônios interiores, de sofrer novamente. É mais seguro não se envolver, não sentir nada. No entanto, quanto mais olho para ela, mais eu a quero. É uma atração insana. Ela continua a clicar em todos os ícones da tela aleatoriamente, e se aborrece mais ainda por nada acontecer. Resolvo dar fim à sua tortura. Não vai me doer ser gentil uma vez. Sei que não vai abrir espaço para mim, então, sem aviso, coloco minha mão sobre a dela que está manipulando o mouse para guiá-la. Só agora me apego a detalhes que tentei antes ignorar. Sua pele é macia como veludo, quente, perfumada. Nunca fui fã de perfumes florais doces, porém jasmim combina perfeitamente com ela. Quero aproveitar mais dessa sensação e apoio minha outra mão na beirada de sua mesa, inclinando meu corpo para envolvê-la em uma espécie de abraço. Ela permanece parada, grudada na cadeira, olhando para além da tela do computador. É delicioso vê-la corar e sua pele se arrepiar com a minha proximidade. Não porque eu esteja tentando seduzi-la, mas porque suas reações são sinceras, genuínas. Enquanto procuro desbloquear o sistema, me pego gostando da sensação de tê-la em meus braços, de uma forma que jamais senti por outra mulher. *Amber Lee PoV* Eu pensei que fosse surtar ao sentir seu corpo tão próximo ao meu. A lembrança daquele homem nojento sobre mim ainda me causa pesadelos. No entanto, eu me vejo envolvida por seu calor estonteante e seu perfume selvagem, que afloram desejos aqui dentro que eu preferiria que ficassem bem enterrados diante dele. O tempo parece ter parado e só consigo ouvir meu coração ecoando bem alto dentro do meu crânio. Quase não encontro o ar, por mais que meus pulmões estejam funcionando perfeitamente. Fecho meus olhos quando sua bochecha toca a minha e seguro o suspiro de satisfação que tenta me escapar. Pode ser impressão minha, porém acho que ele não é indiferente a essa nossa proximidade. É como se uma bolha nos envolvesse, deixando de fora todas as preocupações, todos os problemas. Só o que importa é esse momento que só posso definir como mágico. Nunca estive com ninguém além do Kevin. E até mesmo os anos que fiquei com ele parecem insignificantes agora. Michael me envolve de uma forma que nenhum outro homem jamais fez. *Michael PoV* Nossas bochechas se tocam e seus olhos se fecham. Sinto seu coração acelerar tanto quanto o meu, de tão próximos que estamos. Eu não sou de ferro e acabo baixando meu olhar para o decote de sua blusa. Posso até ver parte da renda da lingerie branca que usa envolvendo suas curvas. Eu seguro a vontade enorme de virar meu rosto para beijá-la e acariciar seu corpo. Não quero estragar o que quer que esteja acontecendo. É impactante, sensual, viciante e assustador. É como se eu mergulhasse em um solo de guitarra extremamente insano e me perdesse na melodia, sem vontade alguma de encontrar o caminho de volta. Ela abre os olhos, porém continua congelada. Acho até que parou de respirar. Eu acho graça de uma forma extremamente charmosa. Acabo deixando escapar uma risada contida. ㅡ Amber Lee, respire… Ela suspira e eu continuo a movimentar o mouse, tocando seus dedos delicados. Nunca abençoei tanto o fato de demorar para consertar um computador defeituoso. De fato, é difícil prestar atenção no problema do equipamento estando assim tão próximo dela. Ainda mais quando vejo em seus olhos uma chama que parece ser tão ardente quanto a que eu sinto. Esse pensamento me faz sorrir, apesar de tentar não demonstrar o turbilhão de emoções que ela provoca em mim. Consigo finalmente resolver o problema do computador e me afasto dela para o bem da minha sanidade mental. Mais um pouco e eu poderia pular sobre ela e possuí-la aqui mesmo. O que merecidamente me renderia uma bofetada e um processo por assédio. Ela não se entrega fácil. É como uma gata selvagem por debaixo da pele de uma coelhinha assustada. ㅡ Reinicie o computador. Deve funcionar agora. Não espero por sua resposta e dou meia volta para me retirar. Não quero que ela note o quanto me perturba. Encontro com Rico retornando de seu café demorado. Ele foi no Starbucks comprar? Despeço-me dele e sumo no elevador sem olhar para trás. *Amber Lee PoV* Somente depois que ele se vai é que consigo sentir o ar invadir meu corpo novamente, juntamente com seu delicioso perfume. ㅡ E então, ojitos? Michael resolveu o seu problema? Não sei porquê, porém sua pergunta soa ambiguamente. Eu o ignoro solenemente e sigo as orientações de Michael, reiniciando minha máquina. Rico se senta em sua cadeira ao meu lado, enquanto não tiro meus olhos da tela. ㅡ Fale comigo, ojitos… Pela visão periférica, vejo seus lábios se torcerem em um bico trêmulo. Eu suspiro, revirando os olhos, e lhe aponto um dedo autoritário. ㅡ Que ideia foi essa de chamar o Michael aqui? ㅡ Não tinha mais ninguém no Help Desk e ele estava disponível. Qual o problema? Sua falsa inocência é enervante. Ele até pisca os olhos repetidamente, como a Lauren faz, para se fazer de inocente. Acaba derretendo meu mau humor e eu sorrio de forma contida. ㅡ Nunca mais faça algo assim sem me consultar, ouviu? Quase nos matamos depois que você saiu. O que é uma enorme mentira, porém ele não precisa saber da parte onde quase me derreti nos braços de Michael. ㅡ Foi tão ruïm assim? Eu o encaro tentando esconder minha surpresa. Se eu disser que sim, ele vai me pegar na mentira. Se eu disser que não, sabe-se lá o que mais ele pode aprontar nessa sua fase de bancar o meu cupido. Prefiro mudar o assunto, sem responder sua pergunta diretamente. ㅡ Não importa mais. Vamos terminar logo essa prova para podermos ir para casa.
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