25 - Descobrindo Amber Lee

1638 Palavras
*Michael PoV* Fico aliviado ao finalmente voltar para a minha sala. Acho que não respirei o caminho todo. Sento-me com o cotovelo apoiado no braço da cadeira e o rosto sobre o punho fechado. Observo as telas diante de mim, sem vê-las na verdade. O que está acontecendo comigo? É só uma garota irritante, abusada, teimosa, espirituosa e lindamente s&xy que não me deu bola. Quer dizer, está na cara que ficou interessada em mim, porém, me mandar pastar como ela fez, foi o que realmente me aborreceu. Batuco com os dedos da outra mão no braço da cadeira. Essa mulher mexe comigo absurdamente. Luto contra a vontade de olhar sua ficha nos arquivos da empresa. No final, não resisto. Abro uma janela de busca e digito seu nome. Espera, não sei o sobrenome dela. No entanto, quantas Amber Lee devem existir no quadro de funcionários de Nova Iorque? Na busca surgem três nomes. Agradeço internamente por não ser uma lista longa. Filtro pelo setor de Marketing e apenas um nome fica na tela. Taste, Amber Lee. Ela está sorrindo na foto tirada para o seu perfil. Um lindo sorriso. Dou-me conta de que ela não sorriu desse jeito uma única vez quando estive por perto. Será que fui tão detestável assim, para ser capaz de apagar um sorriso desses? Eu sou um idïota e mereço uma surra… Deveria voltar lá e me desculpar. Ela com certeza iria pensar que estou de sac@nagem com a cara dela. Então, eu a pegaria nos braços para provar... Ah, porr@! Amber Lee consegue tirar da linha de raciocínio lógico todos os meus pensamentos. Por quê? Meu celular vibra com uma mensagem do McGregor e eu salto da cadeira. "Acabei de receber novas informações sobre o Grupo MEI. Talvez haja algo que te ajude. E. M." "Estou subindo." A tela do computador acusa 19h05m. Observo a ficha com a foto sorridente dessa doce criatura. Essa garota vai acabar me fazendo perder a cabeça. Digo a mim mesmo para manter distância dela e repito esse mantra elevador acima. McGregor me recepciona na porta do elevador e seguimos para sua ampla sala. Ele me entrega uma pasta e já começo ali mesmo a analisar o conteúdo. ㅡ Você acha que tem algo útil nessas informações? ㅡ Eu não sei... Há muitas fotos das instalações, porém nada comprometedor. Seria também pouco provável encontrar uma senha para o sistema deles aqui, não é mesmo? Eu sorrio e ele retribui. ㅡ Você parece cansado, Michael. Ainda não se acostumou ao fuso horário? ㅡ Na verdade, minha noite foi agitada. Dormi muito pouco. ㅡ Vá para casa e descanse. Vai te fazer bem. Ele sempre tem um tom calmo e fraternal de falar. Chega a ser relaxante. Bem diferente do total caos emocional que senti apenas há alguns minutos atrás, na presença dela. Se eu for para casa, ela vai me assombrar os pensamentos novamente. ㅡ Obrigado, porém prefiro tentar ver o que consigo extrair desse arquivo. Chacoalho a pasta diante dele e me levanto. Nós nos despedimos e retorno para minha sala. Junto o material anterior que tinha com esse novo que McGregor me deu em uma pasta única. Juro que tento me concentrar, porém minha cabeça está em outro lugar. Será que ela ainda está trabalhando? Rico não me mandou mensagem alguma, então acredito que o computador dela deva ter funcionado. Ela provavelmente já foi para casa. Tento ler o conteúdo da pasta, porém a imagem dela me assombra o tempo todo. Levo uns quinze minutos para perceber que não vou conseguir trabalhar. M@ldita tentação! Olho para a tela do meu computador, ainda com seu perfil de trabalho aberto e seu sorriso doce me chamando. Rico disse que ela não era daqui… A curiosidade me toma, quero saber mais sobre essa mulher que me perturba tanto. Procuro na internet por seu nome e encontro uma rede social. Não há muita coisa, acho que ela pode ser tão reservada quanto eu. Porém, descubro que ela é de Nazareth, na Pensilvânia. A cidade é um ovo, pouco mais de seis mil habitantes. A surpresa vem do fato do pai dela, Robert Taste, ser dono de uma das maiores mineradoras de antracite do estado. Ela é de família rica, porque então se sujeitou a empregos como babá de cachorros e garçonete, quando não precisaria sequer trabalhar pelo resto de seus dias? Eu me lembro de seu jeito simples, pouca maquiagem, roupas comuns. O modo dela falar também não condiz com sua posição social. Realmente, não parece uma dondoca cheia de dinheiro. Há algo muito estranho na história de vida dela. Navego por suas fotos, não tem nada recente nos últimos meses. Há algumas fotos antigas, várias de seus quinze anos e de quando se formou na faculdade. Em nenhuma delas eu vejo o sorriso radiante que ela exibe no perfil da empresa. Na verdade, muitas vezes ela parece deslocada e infeliz, como se não estivesse em seu elemento. Como alguém, com a grana que a família dela tem, pode não ser feliz? Os únicos sorrisos sinceros que demonstra são em fotos bem antigas, de quando ela era apenas uma linda garotinha, ao lado de uma senhora idosa. Há até fotos das duas juntas em festas pomposas, sentadas lado a lado em um caro piano de cauda preto, tocando. Eu fico intrigado. Ela parece em paz… Penso na minha própria condição, no quanto a música é minha âncora nessa vida tumultuada que levo. Lembro-me de seu olhar nos bastidores antes de nos “encontrarmos”, ou me admirando durante o show, o quanto ela estava maravilhada com tudo. Eu faço a ligação de imediato. Não era por mim que ela estava tão envolvida, mas pelo ambiente e pela minha música? Não posso deixar de sentir meu ego levar mais um golpe. É claro que ela se interessou por mim, porém percebo que eu nunca fui o motivo dela ter ido ao pub ou aos bastidores para início de conversa. Foi a música. Enquanto olho suas imagens, vejo uma que faz meu sangue ferver. Um rapaz, aparentemente da mesma idade que ela, dando-lhe um beijo nos lábios. Começo a vasculhar e encontro o mesmo cara em diversas fotos, inclusive nas antigas. Um namoradinho de infância? Então, foi por isso que ela me rejeitou? Trinco os dentes e memorizo bem o infeliz. Ele é magrelo, não é tão bonito assim, com aquela sobrancelha que mais parece um r@bo de gambá de tão grossa. Leio a legenda e fico put0. “Minha filha e seu futuro marido.” Ela é noiva? Não me lembro de ter visto um anel no dedo dela. Há uma marcação para Kevin Bergman na foto e eu acesso seu perfil. Tudo em sua rede social é voltado para Amber Lee, com diversas declarações bestas de amor e poemas. Que descarada! Com aquele joguinho de se fazer de difícil e me dar mole ao mesmo tempo quando, na verdade, já está comprometida com outro? É por isso que não me apego a ninguém! Por puro instinto, eu olho as datas das postagens. Enquanto ela praticamente abandonou sua rede social, ele se manteve ativo. No entanto, suas postagens mais recentes são perturbadoras e eu ergo uma sobrancelha. “Amor, onde quer que esteja, eu ainda te amo. Volte para mim.” Um nó se forma na minha garganta. Ao que parece, ele não sabe onde ela está. Abro uma janela em branco do navegador e pesquiso sobre a família Taste de Nazareth. Conforme leio as notícias, fico ainda mais confuso. De acordo com isso, ela sumiu de casa no meio da noite. Foi feito até um boletim policial, dando-a como desaparecida, quase um ano atrás… Kevin daria uma grande festa em homenagem a Amber Lee e, pelo o que diz aqui, ele a pediria em casamento oficialmente. Começo a juntar todos os fragmentos, principalmente ao ler uma notícia sobre como a futura união dos filhos das duas famílias mais influentes da cidade seria um benéfico acordo de poder. Volto para seu perfil social e me concentro em seu olhar triste. Então, dou-me conta do que aconteceu. Ela fugiu de casa! Lembro-me de ter visto algo em seu currículo, além da faculdade de Marketing. Era um curso de música, um dos bons. E, a julgar pelo o que li, a história com o tal Kevin foi algo arranjado entre as famílias, pois ela não parecia nem um pouco contente ao lado dele. Acho que temos mais coisas em comum do que eu pensava… Respiro fortemente e decido ir para casa. Minha concentração está perdida, de qualquer forma. Eu poderia ligar para um dos trezentos números de telefone que tenho e arrumar companhia para esta noite. Porém, depois de vê-la hoje, de senti-la em meus braços e descobrir fatos tristes sobre sua vida, qualquer outra mulher parece apenas um consolo do qual não quero dispor. No dia seguinte, vou trabalhar como de costume. Assim que chego em minha sala, pego a pasta que McGregor me dera no dia anterior. A minha mente divaga um pouco. Só o simples pensamento de saber que ela está próxima me alegra. São só dois andares de distância. Eu poderia visitá-la... Melhor não... Qualquer desculpa que eu der não vai soar bem. Além do mais, estamos no trabalho, não é bom misturar as coisas. Decido mergulhar na minha tarefa, a melhor coisa para limpar a minha mente dos pensamentos libidinosos que tenho com ela. Coloco os fones, só funciono mediante música, e me deixo levar. Resolvo testar algumas ideias e tento fuçar um pouco no sistema do Grupo MEI. Passo uma ho®a do meu tempo nisso, até alguém pôr a mão no meu ombro. Eu pulo da cadeira de susto, para encarar ninguém mais, ninguém menos, que Amber Lee. Porr@! O que ela está fazendo aqui?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR