45 - A prática leva a perfeição

1719 Palavras
*Michael PoV* Consegui sair com uma ho®a de atraso apenas. Amber Lee também teve que fazer algo para o Mortimer, então nossos horários acabaram coincidindo. Enviei uma mensagem avisando que estava de saída. Fui até a garagem do prédio, peguei meu carro e o estacionei na porta, esperando por ela. Vejo a ruiva sardenta, que esteve no meu escritório mais cedo, sair e passar por mim como uma bala. Estou ficando muito bom em irritar mulheres próximas a mim. Para minha surpresa, Amber Lee sai acompanhada do próprio CEO poucos minutos depois. Ele segue para sua limusine e eu a encaro surpreso. ㅡ Você conversa sempre com o McGregor? Não posso conter o riso ao ver a cara dela de consternação. Ela realmente não sabia com quem estava falando. ㅡ O quê? ㅡ Isso mesmo, Amber Lee. Você estava conversando com o chefão. Ela fica vermelha de vergonha, corre para entrar no meu carro e se encolhe no banco. Não sei o que falaram no elevador, porém, deve ser muito constrangedor, agora que ela sabe que ele é o CEO. Não trocamos uma única palavra até chegarmos no meu apartamento. Evitei falar, pois fatalmente eu faria alguma provocação com o fato dela estar tricotando com o chefe sem sequer saber. Quando entramos no meu apartamento, vou direto para a cozinha. ㅡ Você quer beber alguma coisa? Tento agir o mais naturalmente possível, o que se torna uma tarefa árdua ao vê-la me despir com os olhos. ㅡ Sim, eu adoraria. Pego duas cervejas, entrego uma a ela e a observo por um instante. Está tensa como quando eu agia como um animal. Talvez eu deva lhe dar um porre para que ela relaxe. É cansativo ficar medindo o que falar ou fazer diante dela. Porém, essa situação de merd@ é minha culpa. Aquele quase beijo deve tê-la deixado tão confusa quanto eu. ㅡ Vamos? Indico com o queixo a direção do estúdio. Assim que entro, ligo as luzes e vou direto para a mesa de som. Noto que ela fica na porta me olhando. Bem que você poderia parar de me olhar desse jeito. Estou tentando manter o controle aqui. ㅡ Fique à vontade. Ela caminha até seu teclado, removendo sua jaqueta e jogando-a em uma cadeira no canto do estúdio. Fico hipnotizado por cada gesto seu. ㅡ O Pete está atrasado de novo? ㅡ Ele não virá. ㅡ Por quê? ㅡ Você e ele tocam bem juntos. Não precisa ensaiar com ele, mas comigo. Ela se surpreende novamente. Estou tentando ser sensato e racional, no entanto, toda vez que a vejo, lembro que ela foi a única garota que conheci que me rejeitou e, agora, está fora do meu alcance, mesmo demonstrando estar interessada em mim. A promessa daquele beijo não consumado ainda está quente nos meus lábios. É uma situação frustrante. Aproximo-me dela com um ar brincalhão para me distrair, uma mão no bolso e outra segurando minha garrafa de cerveja. ㅡ Nós tocamos bem juntos no show. Quero praticar nisso para o disco. ㅡ Apenas isso? Ela parece desconfiada das minhas intenções. Fico só a um pequeno passo de distância. Não resisto em brincar com essa atmosfera que nos cerca. ㅡ Por que, exatamente, você achou que eu te chamei para vir aqui? Ela dá de ombros e se apoia contra a parede. Enche o peito de ar respirando profundamente, o que me faz perder o foco um momento, pois meu olhar vaga pelo volume dos seus s&ios por debaixo da blusa fechada azul que veste. Se soubesse o quanto já fantasiei com você… Quando volto a olhar para o seu lindo rosto, ela está séria. ㅡ Imaginei que seria para explicar porque quase me beijou ontem e depois me descartou como se eu não tivesse qualquer valor. Eu fico sem palavras e engulo em seco. Como eu explico, sem ser ofensivo, que não podemos misturar as coisas? Ela já parece aborrecida o bastante e não quero que a situação piore. Enquanto penso, vejo-a ficar mais carrancuda ainda com o meu silêncio. Ela até cruza os braços, aguardando minha resposta. ㅡ Bom, pelo o que vejo, não sou digna sequer de uma explicação… O que eu poderia querer, não é mesmo? Sou só um step e, quando sua querida baixista voltar, você vai me dispensar definitivamente. É isso? Suas palavras me causam um desespero tão grande, que coloco a garrafa no chão e seguro seu rosto com ambas as mãos. Meu movimento é tão repentino, que ela acaba se assustando, seus dedos apertam a gola da camisa e nossas respirações pesadas colidem sem controle. ㅡ Não! De onde você tirou essa ideia absurda? ㅡ Então, como explica o seu comportamento? Você praticamente me ignorou depois que o Pete contou sobre o disco! ㅡ Olha, me desculpe… Não foi minha intenção e não tem nada a ver com a sua posição na banda ou o disco. Você é a pianista mais talentosa que eu já vi, acredite. Eu seria um louco se deixasse você escapar. Minha garganta aperta e eu não consigo continuar a encarar esses olhos brilhantes. Fecho os meus com um suspiro pesado e colo minha testa na dela. ㅡ Sinto que tem um “mas” por vir. ㅡ Mas, eu não quero que as coisas azedem entre a gente de novo… Por isso, quando soube do contrato, achei que seria melhor não nos envolvermos… Você sabe… Além do profissional. Pronto. Falei. Ainda estou de olhos fechados, sem coragem para abri-los. Nunca me senti tão desarmado diante de alguém, principalmente uma mulher. Não estava brincando quando disse que ela me perturbava. Todo o meu raciocínio lógico vai para o ralo na presença dela. ㅡ Eu também não… ㅡ Fico surpreso com sua resposta e só agora consigo encará-la. ㅡ Olha, vamos passar uma borracha no que aconteceu, está bem? Estou cansada de brigas, minha saúde mental está pedindo uma trégua. ㅡ Eu que o diga… Ela acaba sorrindo, aquele tipo de sorriso que sempre me faz tremer na base. De repente, me sinto um completo idïota por achar que reprimir o que eu sinto é melhor que arriscar. Talvez, esteja na ho®a de quebrar algumas das minhas barreiras… ㅡ No que está pensando, Michael? ㅡ Em um monte de possibilidades e sobre qual seria o caminho certo a seguir. ㅡ Ah, então é por isso que está saindo fumaça das suas orelhas? Eu não consigo evitar a risada que me atinge e ela me acompanha. Deus… Como eu adoro esses momentos com ela! Passo um polegar por sua boca tentadora gentilmente. É mais forte que eu, não consigo evitar. Como percebendo o grau de envolvimento no qual estamos, ela limpa a garganta e escapa do meu domínio pela lateral, porém não se afasta muito. Seu jeito travesso não me escapa. ㅡ Se você pensa que eu vou cair nos seus encantos, está muito enganado, Michael Denver. Vim aqui para praticar, então é isso o que vamos fazer. Sorrio com o duplo sentido de suas palavras. Se ela quiser brincar assim, eu não me oponho. ㅡ Acredito que nós vamos praticar, little bunny. No momento, vamos começar com a música. ㅡ Eu não estava pensando em nada diferente disso. Ela está usando minhas armas contra mim, o mesmo sarcasmo que eu costumo demonstrar. Isso só me atiça mais. Faço um ar teatral de falso ofendido. ㅡ Agora estou chateado... Quer dizer que você recusaria ir comigo para um outro quarto tão interessante quanto esse? ㅡ Prefiro pular de um penhasco! Ela mente muito m@l… Acaricio sua bochecha e me afasto para pegar minha Fender. Pisco com todo charme que possuo para ela. Acho que entramos em uma nova fase. Uma mais divertida e intensa. Está claro como água o que ambos queremos. O que vai ser da Everlasting, vou deixar nas mãos do destino. Poucas foram as vezes em que tive algo realmente bom na minha vida, não posso deixar essa chance escapar. Por medo, quase perdi essa garota maravilhosa bem diante de mim. É melhor não apressar as coisas. Ela merece que eu não a trate como uma qualquer e quero que dure. Nunca estive tão empolgado. Pete e Rico tinham razão. Vale a pena arriscar. ㅡ Você deve ser a primeira garota a me evitar tão abertamente. ㅡ Então, você está frustrado ou irritado? Sou direto e sincero como poucas vezes já fui na vida. ㅡ Hum... Isso me faz querer lutar para te conquistar. ㅡ Ela levanta uma sobrancelha desafiadora e sorri mordendo o lábio inferior. ㅡ Vamos, Amber Lee. Pegue seu teclado e... Pratique comigo… *Amber Lee PoV* Fico pasma com o que ele acabou de dizer. Lutar para me conquistar? Eu limpo minha garganta e me faço de rogada. ㅡ Foi você mesmo quem disse que devemos manter a linha profissional. Deveria se decidir, Michael. Caso contrário, vou achar que está brincando comigo. ㅡ Eu… ㅡ Seu pomo de Adão sobe e desce com a saliva que ele engole de tão nervoso que está. ㅡ Eu me decidi. Você me disse que eu tinha que descer do muro, então, é isso o que estou fazendo. Ainda continuo sem acreditar. A imagem daquelas tietes em cima dele me deixam frustrada. ㅡ Não foi o que pareceu, quando você deixou aquelas fãs se esfregarem em você depois da apresentação. Ele levanta uma sobrancelha curiosa e um sorriso cresce no canto de sua boca. Merd@! Falei demais… ㅡ Tem alguém com ciúmes aqui? Seu tom zombeteiro se faz presente em cada palavra e eu reviro os olhos. ㅡ Ciúmes? De você? Faça-me o favor! Dou uma risada irônica. Michael se aproxima, sem tirar o sorriso dos lábios, enquanto cruzo os meus braços. Ele aperta minha bochecha gentilmente e eu quase me derreto. ㅡ Sei que não quer saber, pois você não está com ciúmes de mim, porém eu não deixei nenhuma daquelas garotas se “esfregarem” em mim, por mais que elas tentassem. Fui cedo para casa. Sozinho. Ele sussurra a última palavra ao pé do meu ouvido e eu estremeço. Logo, ele se afasta com um sorriso orgulhoso e segue para o microfone. Mordo minha bochecha internamente e procuro esconder o sorriso de satisfação que tenta me dominar. Finalmente, você está fazendo algum progresso, Michael. Talvez, mereça uma chance afinal…
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