43 - Comemoração nos bastidores

1948 Palavras
*Michael PoV* Damos o show por encerrado e a plateia aplaude em delírio. Todos sentiram a energia dessa apresentação. Acho... Não... Tenho certeza que nunca senti nada tão forte assim. Foi tão intenso quanto ser dilacerado por um o®gasmo. Saímos extasiados do palco e alguém chama Pete para conversar. Não presto muita atenção. Estou completamente fascinado por ela. Sua alegria após o show me contagia. Observo-a com cuidado, enquanto retiro meu instrumento e o coloco apoiado na parede do backstage. O que aconteceu naquele palco foi real. Foi uma entrega total. O nervosismo me invade e coloco as mãos nos bolsos para não demonstrar. Amber Lee me encara desconfiada, certamente espera que eu faça alguma provocação costumeira. Não tenho dúvidas do que quero. Ela, e somente ela. Reduzo a distância entre nós, abraço seu rosto com minhas duas mãos para olhar bem dentro de seus olhos e sorrio verdadeiramente. É um total suicídio emocional, eu sei. Porém, não vou permitir que outro abismo cresça entre nós. Quando eu a elogio, é do fundo do meu coração. ㅡ Caramba, Amber Lee! Você é matadora! Você foi fantástica, como se tivesse feito isso a sua vida toda! ㅡ Ela fica surpresa. ㅡ Você sentiu isso, não sentiu? *Amber Lee PoV* É a primeira vez que ele me elogia assim tão abertamente e sem qualquer pitada de sarcasmo ou arrogância. Fico tão cativa de seu olhar cristalino, que digo a primeira bobagem que me vem à cabeça. ㅡ Você... É perturbador... Suas mãos deslizam para o meu pescoço e sinto meu corpo arrepiar. É tão gostoso quanto sonhei que fosse. Não… É muito melhor… ㅡ Tirou as palavras da minha boca, little bunny. Você me perturbou... Você foi maravilhosa no palco e sua música falou comigo. Falei com ele através da música? Jamais imaginei que algo assim fosse possível. Vivíamos brigando feito cão e gato, no entanto, aqui estamos nós, completamente envolvidos um pelo outro, em um momento proporcionado pela música. Eu entreguei a minha alma ali no palco e sempre foi disso o que precisávamos. Algo em comum que nos unisse. E esse apelido… Adoro quando ele me chama assim. É tão fofo e carinhoso… Suas mãos descem pelas minhas costas, me fazendo estremecer. Quando dou por mim, ele me tira no chão, segurando-me bem firme em seu colo, e dá diversos giros em torno do próprio eixo, com a alegria estampada em seu rosto. Eu me agarro ao seu pescoço com medo de cair, pois esta é uma face de Michael Denver que eu nunca havia visto antes. Ele não se importa nem um pouco com os olhares dos funcionários do lugar sobre nós e ri como um adolescente. Confesso que meu peito se enche de alegria também. Quando ele me coloca de volta no chão, não se afasta. Mantém seu abraço ao redor de mim, seu rosto a apenas alguns milímetros do meu, seu olhar repleto de ternura. Sua aproximação é o prenúncio de um beijo, pelo qual tenho ansiado por um bom tempo. Quero tanto isso… *Michael PoV* Percebo sua descrença nos meus elogios. Sua dúvida. Desço minhas mãos por suas costas e, sem pensar duas vezes, a pego no colo e a giro no ar. Devo parecer um t0lo, entretanto não estou nem aí. Estou feliz como nunca estive antes. Ela se agarra ao meu pescoço com medo de cair, eu creio, e começo a rir. Seus dedos entrelaçados na minha nuca enviam arrepios pelo meu corpo. Coloco-a de volta no chão, mas a mantenho presa a mim. Faço carícias em suas costas e aproximo minha testa da dela. Estou perdido, preso nesse olhar que não consegue esconder seu desejo. Talvez, esse seja o momento perfeito. Quero tanto beijá-la... Mordo meus lábios com a dúvida que me consome. Meus amigos têm total razão. Eu penso demais. Ela faz parte da banda, não quero colocar tudo a perder. Seus pés se esticam e nossos rostos ficam quase na mesma altura. Ela também anseia por esse beijo. Tenho que assumir o controle antes de fazer algo que não terá mais volta. ㅡ Você tocou uma nota errada, Amber Lee. ㅡ É o que digo, franzindo a testa. Ela não se deixa abalar e ergue uma sobrancelha gozadora. Já entendeu que a simbiose que compartilhamos poucos minutos atrás não foi uma ilusão. Em pouco tempo, ela aprendeu a me ler. ㅡ Não tem problema, só eu e você sabemos disso. Porém, não pense que vou te beijar agora. Não sou muito convincente, já que não consigo soltá-la e acabo unindo de vez nossas testas. ㅡ Por quê? Você beijou uma estranha no dia em que eu entrei para a banda, não foi? Fico sem palavras diante de sua afirmação. Quanto mais eu penso, mais fico empolgado. Ela ficou com ciúmes de mim? Afundo meu rosto em seu pescoço e não me escapa como o corpo dela reage à minha respiração pesada sobre sua pele. Ela arrepia totalmente, o que só me estimula mais. ㅡ No começo, fiz o que sempre costumava fazer. Fingir. Aquela garota não me queria, era do cantor s&xy que ela estava atrás. No segundo seguinte, eu continuei apenas porque imaginei estar beijando outra pessoa. Uma que me enxergasse como eu sou. Eu a sinto estremecer nos meus braços e não ouso tirar meu rosto de onde está. Minha confissão surpreendeu até a mim e jogou no lixo todas as minhas regras, deixando-me à deriva, rezando para que ela se transforme na minha âncora. É assustador. Seu sussurro ofegante é o golpe de misericórdia. ㅡ Mesmo assim, não é certo. Você acaba magoando quem está ao seu redor. Não dá para ficar em cima do muro, Michael. Você tem que escolher um lado e pular. Do que tem tanto medo? Busco o ar com todas as minhas forças e volto a encará-la. ㅡ Você… Você é tão fascinante quanto irritante. ㅡ Bom, então estamos empatados… Continuo acariciando suas costas, sem a menor vontade de afastá-la. Não quero que esse momento acabe. Estou tão vulnerável quanto uma mosca em uma teia e, sinceramente, não desejo escapar dessa doce armadilha. Ah, pro infe®no todo o resto! Não aguento mais! Desenho o contorno de seus lábios semi abertos com os meus lentamente, tocando-os devagar. Lábios deliciosamente irresistíveis. ㅡ Oh, Deus! Pessoal, eu tenho boas notícias! Pete surge como um tornado, saltitando de excitação e quebrando completamente o clima. Afasto meu rosto do dela, assustado com a aparição repentina dele, e sinto as mãos dela abandonarem meu pescoço lentamente. Se eu pudesse, mataria o meu baterista nesse instante. Porr@, cara! Tinha que aparecer justo agora? ㅡ O que exatamente está acontecendo, Pete? Eu pergunto, enquanto tiro minhas mãos das costas dela para conseguir me concentrar no meu amigo empata-fod@. Ele sequer percebe o que interrompeu. Normalmente, ele é cheio de energia, porém parece ter corrido uma maratona de tão sem fôlego que está. Chega a apoiar as mãos nos joelhos. ㅡ Você nunca vai adivinhar! ㅡ Claro que não! Sou músico, não vidente, imb&cil! *Amber Lee PoV* ㅡ No começo, fiz o que sempre costumava fazer. Fingir. Aquela garota não me queria, era do cantor s&xy que ela estava atrás. No segundo seguinte, eu continuei apenas porque imaginei estar beijando outra pessoa. Uma que me enxergasse como eu sou. Meu corpo estremece com essa confissão inesperada. As coisas que Pete me falou começam a fazer todo sentido. Isso não quer dizer que eu concorde. Se algo deve acontecer entre nós dois, ele tem que entender que não vou aceitar esse comportamento. ㅡ Mesmo assim, não é certo. Você acaba magoando quem está ao seu redor. Não dá para ficar em cima do muro, Michael. Você tem que escolher um lado e pular. Do que tem tanto medo? Ele respira profundamente, como criando coragem para me encarar. ㅡ Você… Você é tão fascinante quanto irritante. Minhas pernas bambeiam e, se ele não estivesse me segurando, eu teria ido ao chão. ㅡ Bom, então estamos empatados… Talvez, eu me arrependa de me abrir assim, porém ele também o fez. Mostrou mais um pedaço dele debaixo dessa casca e isso é o que me estimula. Seus lábios fazem o contorno da minha boca. Sinto seu calor quando tocam gentilmente a minha pele e fecho os meus olhos, disposta a mergulhar nesse momento, cujo encanto é totalmente quebrado quando Pete surge do nada, aos berros. Oh, Pete! Você tinha que aparecer justo agora? Não consigo evitar me sentir frustrada quando as mãos de Michael saem das minhas costas. Decido entrar na conversa, pois o coitado realmente está empolgado e nem notou o que interrompeu ou que Michael ficou muito aborrecido. ㅡ Então, conte-nos. ㅡ Champanhe! Uma garrafa muito grande! É obrigatório! Levanto uma sobrancelha curiosa, pois deve ser algo muito importante. No entanto, Michael o provoca, com um sorriso sarcástico nos lábios. ㅡ Por quê? Você finalmente conseguiu uma garota? *Michael PoV* Sou sarcástico na pergunta. Preciso descontar minha frustração de alguma forma. Ele se limita a rir e a apontar para mim. ㅡ Essa seria uma boa razão. No entanto, não. Um produtor viu o show e adorou! Ele quer assinar com a gente e gravar um disco! Meu corpo congela. Não ouso sequer respirar. Meus olhos vagam dele para Amber Lee e passo uma mão pelo cabelo, tentando absorver a informação. Um disco? É incrível! ㅡ Você me ouviu? ㅡ Ele continua. ㅡ Um produtor quer assinar um contrato com a gente! ㅡ Nós te ouvimos, cara... ㅡ Bom, então, champanhe! Ele segue para o bar, sacudindo os braços para o alto, vibrando de alegria. Eu queria me sentir da mesma forma. Gravar um disco é um sonho se realizando. Entretanto, eu sei que é graças a ela. Ao seu talento, dedicação e desprendimento que despertaram o melhor de mim. Seria um erro enorme arruinar tudo por causa de um sentimento que nem sei nominar. Coloco uma certa distância segura entre eu e ela e enfio as mãos nos bolsos. Ela parece... Decepcionada. Limpo a garganta antes de falar. ㅡ Então, você vem? Vamos tomar aquele champanhe? Ela continua me encarando tão intensamente que baixo o olhar. Aponto o bar com a cabeça e caminho para lá em silêncio, sem esperar por ela. Tenho que pensar no futuro da Everlasting. Estive a ponto de cometer um erro enorme. Devo me policiar mais daqui em diante. Não podemos nos envolver. *Amber Lee PoV* O que deu nele? Até parece estar arrependido. Minha cabeça começa a ferver com as possibilidades. Talvez, ele não queira que eu faça parte do disco. Afinal, só estou cobrindo o buraco que a Dorothy deixou. Certamente, está com esperanças de que ela volte atrás e retorne para a banda. Dirijo minha atenção para os dois no bar e noto como Michael evita olhar para mim. Isso dói, tanto, que tenho que fazer um grande esforço para não chorar. Mascaro minha tristeza e faço companhia a eles para um único brinde. Apesar da alegria do Pete, parece haver um muro entre eu e Michael. Ele me chutou para fora de seu mundo em um piscar de olhos. Acho que eu não poderia esperar outra coisa de alguém como ele, não é? Pete se oferece para me levar em casa, porém eu recuso. Isso iria tirá-lo mais cedo da comemoração. Tampouco, poderia ficar. Algumas garotas começaram a cercar o vocalista da Everlasting e, sinceramente, meu estômago revira só com a ideia de que ele vá escolher alguma delas para festejar. Vou embora com Rico e Lauren. Pete estava errado, ou, talvez, só estivesse tentando salvar a banda. No final, não aconteceu nada entre Michael e eu que fosse tão especial…
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