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1057 Palavras
– Christian Quando chego ao avião, toda a equipe — incluindo Zaytsev — já está a bordo, vestida com equipamento de combate completo. Os trajes são à prova de balas e retardantes de chamas, o que os torna absurdamente caros. Nunca reclamei disso. Se dependesse de mim, continuaríamos usando-os sempre. Eles reduzem significativamente as baixas entre nossos homens. Sou o último a embarcar. Como sou o piloto, é assim que deve ser. Visto meu traje rapidamente, faço minha checagem mental e, minutos depois, já estamos taxiando pela pista. Nosso destino: Tajiquistão. Mais especificamente, um reduto terrorista nas Montanhas Pamir pertencente à Al-Quadar. Zaytsev localizou o esconderijo recentemente e, desde que cometeram o erro de sequestrar sua esposa alguns meses atrás, ele está determinado a apagá-los do mapa. Os russos nos concederam passagem segura — foi para isso a reunião com Romanov — então não espero problemas. Ainda assim, expectativa não significa nada nesta parte do mundo. Mantenho os olhos atentos ao radar enquanto deixamos o espaço aéreo de Moscou para trás e avançamos em direção à Ásia Central. Por aqui, descuido mata. Quando atingimos a altitude de cruzeiro, coloco o avião no piloto automático e começo a checar minhas armas. Desmonto cada uma, limpo com cuidado, inspeciono todos os mecanismos e remonto com precisão metódica. Foi uma das primeiras coisas que aprendi na Marinha: sua arma é sua linha de vida. O equipamento de Zaytsev é de primeira linha. Nunca falhou comigo. Mas sempre existe uma primeira vez. Quando termino, guardo tudo e olho novamente para o radar. Nada fora do comum. Recostando-me no assento, estico as pernas e solto o ar devagar. Já consigo sentir — o início da adrenalina queimando sob a pele. O zumbido silencioso nas veias. A antecipação que sempre me envolve antes de uma luta. Meu corpo sabe. Sempre sabe. É para isso que fui feito. Lutar é a única coisa que sempre fez sentido para mim. Foi por isso que me alistei na Marinha logo depois do ensino médio. Foi por isso que rejeitei o futuro que meus pais tinham cuidadosamente planejado: faculdade, direito, sociedade no renomado escritório de advocacia da família em Manhattan. Eu teria sufocado naquela vida. Minha família nunca entendeu. Para eles, direito corporativo — poder, dinheiro, prestígio — era o auge do sucesso. Eu deveria ser o filho perfeito. O herdeiro. — Se não quiser direito, pode tentar medicina — meu pai sugeriu quando expressei minhas dúvidas. — Ou banco de investimento. Posso conseguir um estágio no Goldman Banks. Ficaria ótimo na sua candidatura para Princeton. Goldman Banks. Princeton. Salas de conselho cheias de homens polidos e vazios. Eu sabia que aquilo não era para mim. Não sabia onde eu pertencia — mas sabia onde não pertencia. Descobri a resposta numa noite do último ano. Estava bêbado, atravessando uma estação de metrô vazia no Brooklyn, quando um grupo de criminosos decidiu que eu parecia um alvo fácil. Garoto rico do Upper East Side. Sapatos caros. Eles tinham facas. Eu não tinha nada. Bêbado demais para sentir medo, reagi. O treinamento assumiu o controle. O instinto assumiu o controle. Em meio ao caos, agarrei uma das facas e a enterrei na carne de um deles. Ainda me lembro do calor do sangue escorrendo pelas minhas mãos. Do choque nos olhos dele. Do momento em que percebi que não estava horrorizado. Eu estava vivo. Foi naquela noite que entendi o que faltava. A violência não estava fora de mim. Ela fazia parte de mim. Estamos sobrevoando o Uzbequistão, a algumas centenas de milhas do nosso alvo, quando Zaytsev entra na cabine. Ouço a porta abrir e olho por cima do ombro. — Estamos dentro do cronograma — digo antes que ele pergunte. — Cerca de uma hora e meia. A pista estava com gelo, mas já estão descongelando. Os helicópteros estão abastecidos. — Excelente. — Os olhos azuis dele brilham. — Alguma atividade incomum? — Nada. Espaço aéreo tranquilo. Ele se senta no assento do copiloto e afivela o cinto. — E a russa? — pergunta casualmente. Por um segundo, algo se retorce dentro de mim. — Bem satisfatória — respondo, permitindo um leve sorriso. As imagens de Scarlett invadem minha mente. — Você perdeu. — Imagino — diz ele, sem demonstrar arrependimento. Zaytsev é completamente obcecado pela esposa. Duvido que a mulher mais bonita do mundo o distraísse. — Confesso que nunca imaginei você como homem casado — digo. Ele ergue uma sobrancelha. — Homens como nós não são exatamente material para casamento. Ele ri baixo. — Não sei se Rayza concordaria que sou um bom marido. — Se não concorda, deveria. — Volto minha atenção aos controles. — Você não a trai. Protege. Já quase morreu por ela. Enquanto falo, algo pisca no radar. Franzo a testa. — O que foi? — A voz dele fica afiada. — Eu não tenho cer… A explosão interrompe minha frase. O impacto sacode o avião violentamente. Alarmes disparam. A aeronave inclina bruscamente para baixo. Fomos atingidos. A certeza é instantânea. Agarro os controles e tento estabilizar o nariz enquanto despencamos através das nuvens. O cheiro de fumaça invade a cabine. — O que nos atingiu? — Zaytsev pergunta, incrivelmente calmo. — Não sei! Talvez um míssil… Outro solavanco. Estamos perdendo altitude rápido. Luzes de incêndio piscam no painel. Estamos pegando fogo. A adrenalina explode no meu sangue. Forço o avião a nivelar por um segundo. Os motores respondem. Falham de novo. Os picos das Montanhas Pamir surgem à frente, brancos e implacáveis. Não vamos conseguir. — Segurem-se! — grito. O chão sobe em nossa direção. Luto com os controles, direcionando o avião para uma área com árvores menores. A descida desacelera — quase nada. Dizem que a vida passa diante dos olhos antes da morte. A minha não passa. Estou ocupado demais tentando sobreviver. Ao meu lado, Zaytsev segura o assento em silêncio. As copas das árvores se aproximam rapidamente. Estamos a segundos do impacto. Faço um último ajuste desesperado. O avião atinge as árvores. Metal grita. Vidros estilhaçam. O mundo se fragmenta em caos — madeira se partindo, aço rasgando, força esmagadora. E no último segundo antes de tudo ficar preto. Eu penso nela. Na pele pálida sob a luz cinza de Moscou. Na garota russa que eu tinha certeza de que nunca veria novamente. Então o mundo desaparece.
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