**GABRIELA BORGES**
Durante o tempo que ele comia, olhou no relógio umas duas vezes. O desespero por não saber nem se era dia ou noite começou a tomar conta de mim.
— Chega, eu não quero brincar de casinha, não sou uma boneca, me deixa ir embora — falei com firmeza, sustentando o contato visual.
Ele não disse nada, se levantou, caminhou até a mala que trouxe, pegou algo e voltou até mim. Colocou sobre a mesa um vidro com acetona e uma caixa de algodão.
— Tira esse esmalte!
— Não! — gritei. O tapa veio forte, me fazendo cair da cadeira. Tentei me levantar, mas não consegui me apoiar no meu pulso. Possivelmente estava quebrado.
O pânico veio forte quando ele me cobriu com o seu corpo, segurou meu cabelo juntando tudo em sua mão, puxando minha cabeça para trás.
— Eu vou ensinar você a ser uma mulher decente. Acha que eu não sei que recebia visitas noturnas do seu vizinho? — Com a mão livre, ele me deu outro tapa. Minha bochecha queimou e eu gritei. — Tudo bem, eu estou disposto a te perdoar. Vou te adestrar.
Com a mão livre, ele abriu a calça que vestia. Eu gritei e tentei empurrá-lo, mas foi em vão. Tentou abrir minhas pernas usando os joelhos. Eu fiz força para as manter fechadas, mas não consegui. Ele abriu com violência, me causando dor. Meus tapas e socos pareciam deixá-lo mais motivado.
— Me solta, seu nojento! Me solta! — Ele afastou minha calcinha para o lado e me penetrou de uma vez. A lágrima desceu quente pelos meus olhos, o grito estridente pela dor. Ele sorriu e tentou me beijar. Ele não se mexeu, ficou parado me olhando com surpresa e felicidade.
— Se você tivesse me dito que era virgem, eu teria sido mais carinhoso — Ele soltou meu cabelo, acariciou meu rosto, secando minhas lágrimas. — Eu vou devagar agora, se você ficar quietinha.
Minhas unhas estavam enfiadas em seus ombros. Ele beijou minhas mãos e depois tentou me beijar novamente. Beijou a boca, recebeu uma mordida no lábio inferior. Ele começou a se movimentar como se estivesse alucinado.
— Para, por favor — implorei —, para.
— p***a, muito apertada... não vou durar nada! — Ele me ignorou, mantendo o seu ritmo até finalizar dentro de mim.
Quando ele saiu, o alívio não veio. A dor pela forma como minhas pernas foram abertas e mantidas durante o ato era horrível. A ardência na minha i********e quando ele saiu de dentro de mim me fez gritar mais uma vez.
Virei meu rosto para o lado, não queria olhar para ele. Meus lábios tremiam. Tentei abaixar o vestido e fechar as pernas, mas ele não deixou. Ele queria olhar o estrago que tinha feito.
— Desculpa, eu não achei que fosse virgem — Me arrastei no chão, me afastando dele.
— Marcus, me deixa ir para minha casa. Eu não vou contar pra ninguém sobre isso, eu juro.
Minhas costas bateram na parede, me deixando sem espaço para fugir dele. Ele me pegou no colo "carinhosamente", me levando para o banheiro.
— Você está em casa, minha amada. Da próxima vez, eu prometo ser mais calmo com você. Eu te amo bem mais agora que sei que você é só minha — Ele me deu um selinho. Eu estava sem reação, com a forma como ele agia, como se só tivesse esbarrado em mim. — Vou te dar um banho.
— Eu posso fazer isso sozinha, por favor. Eu preciso de um tempo sozinha — forcei um sorriso, tentando fingir aceitar sua forma carinhosa de agir comigo.
— Claro. Quando terminar, tire o esmalte! — Assenti e ele saiu.
Para minha felicidade, ele não estava ali quando saí do banheiro. Fui até a cozinha e tirei o esmalte como ele mandou. Ao lado da acetona tinha um comprimido e um bilhete:
**"Tome, é um relaxante muscular. Vai te ajudar. Amanhã à noite eu volto."**
Depois, fui pra cama. Meu corpo todo doía. Eu estava me sentindo a pessoa mais burra do mundo. Como eu vim parar nessa situação?
**Eu ficaria sozinha ali todos os dias?**
**Ele só viria à noite?**
**E se ele não viesse mais? Eu morreria ali sozinha?**
**Será que a Clara está preocupada comigo?**
Um milhão de dúvidas estavam na minha cabeça. Me lembrei da minha vó dizendo:
**"Chora na cama que é lugar quente."**
Chorei até dormir.
*****
Meu corpo estava dolorido quando eu acordei, mas quando fui fazer xixi, chorei novamente pela ardência e pelas lembranças do que me aconteceu.
Me obriguei a comer alguma coisa. Eu precisava ter energia para fugir daqui, então fazer greve de fome não iria me ajudar.
A geladeira estava bem abastecida. Nenhum dos alimentos ia ao fogo. No freezer tinha comidas caseiras congeladas, todas bem organizadas com etiquetas com datas e descrição do que tinha. Peguei uma de purê de batatas, arroz e almôndegas, levei até o micro-ondas, liguei a TV para assistir a algo, em busca de informações sobre horários. Era horrível não ter janelas.
Consegui saber o horário através dos jornais. Passei o dia no sofá, estava assistindo *Malhação* quando Marcus chegou, com os cabelos molhados de um banho recente, uma camisa branca e uma cueca samba-canção.
— Trouxe pizza. Espero que goste de peperoni! — Ele agia de forma natural, como um marido que chegou do trabalho. — Como foi seu dia?
Ele colocou a caixa de pizza e um refrigerante no sofá e ficou me encarando, esperando uma resposta.
— Estranho — fui sincera. Ele foi até a cozinha, pegou copos e se sentou ao meu lado.
— Está com dor? — Ele parecia realmente preocupado. — Desculpa, a sua desobediência me fez perder a cabeça.
Minha vontade era de mandar ele se f***r, mas eu não queria levar outro tapa.
— Sim, meu corpo inteiro está doendo e estou bem ardida lá embaixo.
— Vou providenciar pomada pra você! — falou, me entregando uma fatia de pizza. — Fez a lista do que usa ou gostou do que comprei?
Eu tinha que aceitar que ele não ia me liberar tão cedo. Esperar pelo melhor momento para fugir desse louco.
— Onde tem papel e caneta?