CAPÍTULO ONZE

1045 Palavras
GABRIELA BORGES** Depois que comemos, ele saiu e voltou um tempo depois com alguns livros, lápis, papel, um tubo de pomada e outro comprimido para dor. Fiz a lista com os produtos que eu sempre quis usar. Não coloquei os que eu usava normalmente, por quê? Não sei. Pedi também um relógio e um calendário. No dia seguinte, ele trouxe as coisas que pedi. Achei que ele não traria o relógio e o calendário, mas ele trouxe. Só os absorventes que ele trouxe errado: trouxe protetores de calcinha. Ficou de trazer no outro dia. Ele me entregou uma bolsa com uma camisola rosa extremamente transparente e uma calcinha que parecia mais uma linha na parte de trás. Meu estômago embrulhou com o nojo e o medo. – Amanhã, quando eu chegar, quero ser recebido por você vestida com ela – balancei a cabeça em negação e dei dois passos para trás – às dezoito horas eu te quero pronta para mim! – Eu não quero! – Eu quero, amor – ele acariciou meu rosto – seu querer é irrelevante. Eu não me atraso, e não gosto de esperar, então esteja pronta! Ele colocou o relógio pendurado na parede, em cima da porta, marcou o dia de hoje no calendário, me roubou um selinho e foi embora. ***** Agora que eu tinha um relógio, o dia parecia se arrastar. Eu já tinha lido um livro quase todo e nem era meio-dia. Minha avó dizia que eu me distraía com facilidade, e hoje, presa aqui sem ter com o que me distrair, vejo que ela tinha razão. Escolho e esquento a refeição que comprei para o almoço, faço minha refeição, lavo o banheiro, limpo tudo, termino de ler o livro, olho no relógio e, para meu desespero, o tempo voou desde a última vez que olhei: já eram quase cinco. Tarde demais. Eu não queria ter relação s****l com o Marcus novamente. Também não queria apanhar. Sentei no sofá, chorei, fui para o banho. Me permiti demorar no banho, hidratei e desembaracei meus cabelos. Fiz uma bolinha com os cabelos que tirei da escova e enfiei embaixo da cama. Um dia alguém saberia que eu estive ali. Decidi que não, eu não vestiria a roupa que ele mandou. Vesti uma calcinha e um vestido verde, na altura dos joelhos. Eu queria uma calça, mas não tinha essa peça. Nas gavetas só tinha vestidos e saias, todas bem comportadas. Eu nunca escolheria esses modelos por conta própria. Saí do banheiro faltando dez para seis da noite. Meu coração parecia que sairia do peito de tão rápido que batia. Meu pulso já estava melhor, ainda doía, mas nada insuportável. Ele não mentiu quando disse que não se atrasava. Às dezoito em ponto ele passou pela porta, sem camisa, calça de moletom, nas mãos trazia um buquê de girassóis e uma caixa bonita de chocolates. Me olhou com diversão ao analisar minha roupa. – Sabe, Gabriela, eu tento ser legal com você, mas você não colabora. Eu pretendia me redimir pela forma que te tratei na sua primeira vez, mas você não me ajuda! Ele caminhou até a mesa da cozinha, colocou as flores e o chocolate lá. Eu permaneci imóvel, em pé atrás do sofá, como se o móvel fosse me proteger dele. – Hoje é sexta-feira. Eu queria aproveitar o fim de semana com você, mas você me desobedeceu mais uma vez. Ele estalou a língua me olhando, como se estivesse pensando no que fazer. Sem se aproximar de mim e sem dizer mais nada, ele saiu. Respirei aliviada. Comi dois bombons da caixa. Achei que ele não voltaria mais hoje, então peguei outro livro e fui pra cama. Quase duas horas depois, ele retornou com uma maleta na mão, uma expressão de raiva e um sorriso assustador. – Achei que não voltaria hoje! – falei, me sentando na cama. – Te dei um tempo para corrigir seu erro, mas veja só: você não corrigiu. – Com calma, ele colocou a maleta na cama, abriu com paciência. Olhei para o que havia dentro e me levantei. Correntes, ganchos parecidos com os que se usam para redes, só que maiores. Ele jogou as coisas sobre a cama, me olhando. Ele queria me ver assustada. – Marcus... – minha voz quase não saiu. Ele riu do meu desespero, mexeu nas coisas sobre a cama e pegou uma seringa com um líquido transparente. – O que é isso? Eu visto, eu vou vestir o que você quiser! – Agora eu refiz os meus planos, Gabriela! – Ele caminhou até mim com passos lentos. Tentei correr, ele me pegou, me jogou na cama de bruços, me imobilizou com o peso do seu corpo e aplicou o conteúdo em mim. Eu gritei, tentei me debater, tudo em vão. Apaguei. ***** Abri meus olhos com dificuldade. No meu braço havia um acesso com soro. Eu estava nua. Tudo em mim doía. Devia ser essa a sensação de ser atropelada. – Acordou, bela adormecida? – Marcus entrou trazendo uma nova remessa de refeições. – Vou guardar isso e já vou aí tirar seu acesso, me dê um minuto! Me sentei na cama, olhando em volta. No teto havia dois dos ganchos que ele havia trazido. Nas paredes também havia ganchos. Meus pulsos e tornozelos tinham marcas de correntes. Entre minhas pernas havia sangue seco misturado com algo que parecia cola. Não precisei de muito para saber o que era. Meu peito tinha marcas de chupões e mordidas. Tentei me afastar quando ele se aproximou para tirar o acesso. – Eu não gosto quando você tenta ficar longe de mim! – Ele segurou meu braço, retirando o acesso com cuidado. – É só soro, precisava te manter hidratada. – Que dia é hoje? – perguntei, me cobrindo com um lençol. – Dia dez de dezembro, domingo. Vem, vou te ajudar com seu banho. Eu não sei exatamente o que ele fez comigo, mas tudo em mim doía. Ao me olhar no espelho, vi que até o canto da minha boca estava cortado. Me sentia fraca, então tive que aceitar que ele me ajudasse com o banho. Quando a água e o sabão tocaram meu ânus e minha v****a, arderam. – O que você fez comigo, Marcus?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR