CAPÍTULO DOZE**
*GABRIELA BORGES*
Eu tinha que aprender a seguir as ordens dele ou eu perderia dias dormindo e sendo usada.
Marcus me dava banho com tanto carinho e cuidado que parecia que não tinha sido ele o causador do meu estado.
– Foi só você? – ele me olhou como se eu tivesse duas cabeças. – Que tocou em mim – esclareci.
Ele segurou meu rosto com as duas mãos, me fazendo olhar para ele.
– Enquanto você for uma boa menina, você será só minha, assim como eu serei só seu.
– E se eu não for?
– Se não for, meu irmão e meus amigos vão adorar conhecer você! – ele beijou minha testa. Eu tentei não chorar na frente dele, mas acabei desabando.
– Eu quero ser só sua, eu não preciso de tempo para aprender, por favor, não deixa ninguém me tocar. – Ele sorriu satisfeito.
O buquê de girassóis estava murcho na lixeira. Marcus percebeu que eu estava olhando as flores.
– Te trarei outras flores!
Eu estava pensando no tempo que estava perdendo, me sentindo tão murcha quanto aquelas flores, mas achei melhor deixar ele pensar que eu estava triste pelo buquê.
– Tenho certeza de que você trará! – forcei um sorriso.
******
Na manhã seguinte, Marcus entrou no quarto, o que era incomum, já que ele só vinha no final do dia normalmente.
– Bom dia – ele trouxe uma bandeja bonita de café da manhã.
– Bom dia – me levantei da cama com calma e desconfiança. O que ele veio fazer aqui?
Ele colocou a bandeja na mesa, se sentou e bateu em suas pernas, me chamando para sentar em seu colo. Me obriguei a ir até ele, mesmo com as minhas pernas tremendo. Me sentei em seu colo, ele passou geleia em uma torrada e deu em minha boca. Eu me sentia tão desconfortável que parecia que eu tinha esquecido como se mastigava. Marcus me serviu o café da manhã assim, em seu colo, servindo cada alimento em minha boca.
– Estou satisfeita? – Eu não queria mais ficar ali e não sabia se poderia sair sem despertar o lado agressivo dele.
– Está me perguntando se está satisfeita? – ele parecia descontraído – Não precisa comer o que não quer. Fique de pé e levante o vestido.
Fiz o que ele mandou. Fiquei de pé, de costas para ele, levantei meu vestido.
– Assim tá ótimo – minha b***a estava exposta para ele, uma de suas mãos segurando minha b***a, e eu travei. – Relaxa os músculos, Gabriela. Não se mexe. Não irei te machucar.
– Eu preciso me recuperar, Marcus, por favor, não... aí! – olhei para trás. Ele terminava de aplicar outra injeção em mim, depois beijou em cima de onde aplicou.
– Isso, boa menina. Calma, você não irá dormir. Você me disse ontem que quer ser só minha, e eu também quero isso. Vou te dar um tempo para se recuperar!
Me senti aliviada e intrigada.
– Infelizmente, tenho que ir – ele se levantou, me deu um selinho e saiu me desejando bom dia.
*****
Quando Marcus disse que me daria um tempo para me recuperar, eu fiquei aliviada, mas hoje fazem cinco dias que ele não vem aqui. A presença dele me apavora, e a ausência ainda mais!
Caminhei até a porta e, para minha surpresa, ela abriu. Caminhei pelo corredor a passos lentos. Antes de chegar até a escada, vi uma luz.
– A porta tá aberta! – a porta que tinha senha estava aberta. Subi as escadas correndo, encontrando a porta totalmente aberta.
Ele me abandonou e deixou as portas abertas para que eu pudesse ir embora?
Ou era um teste para saber se eu me comportaria?
E se ele estiver me esperando com outros homens?
– Pode ser a sua chance de fugir – falei para mim mesma e inspirei, reunindo a coragem, guardando os medos no fundo do meu ser. Passo pela porta, saindo em uma área de serviço. Saio do cômodo na ponta dos pés em busca de uma saída. Abri uma porta e ouvi a voz do Marcus, aparentemente falando ao telefone.
Tentei abrir uma janela, precisava sair antes que ele me visse. Acabei derrubando um vaso.
– Olha a bagunça que você fez, Gabriela! – Marcus estava parado no batente da porta – Estou surpreso em te ver aqui em cima!
– Você sumiu, a porta estava aberta, vim te procurar – menti.
– Pretendia me pular a janela e me procurar lá fora? – falou com ironia.
– Marcus, eu me senti sozinha, tive medo que tivesse me abandonado – não menti. Ele segurou meu pulso, me guiando até o cômodo ao lado. Paramos em frente a uma grande janela.
– Tá vendo aquele ali? – concordei – Ele trabalha pra mim, me ajuda a guardar segredos. Ele gostou bastante da foto da sua amiga Clara quando eu mostrei. Talvez você queira ela aqui para te fazer companhia. Ele vai adorar cuidar dela, e você vai se comportar, caso não queira virar um grande segredo.
– Deixa a Clara em paz!
– Eu não tenho interesse nenhum na sua amiga. Eu só quero você. Já você, eu não sei... – ele me olhou de uma forma que me fez congelar – Vem, vamos falar com o João.
Praticamente me arrastando pela casa, me levou até a varanda.
– João – ele gritou – o homem – Você ainda quer ser só minha?
Eu concordei, vendo o homem se aproximar.
– Não quero que fale nada, só escute. Consegue fazer isso? – concordei antes do homem estar em nossa frente. – João, amanhã você pode viajar para o Rio? – me agarrei a ele como se ele fosse me proteger dele mesmo.
– Posso sim, senhor!
– Passa aqui antes de ir que eu te entrego o sedativo, caso precise usar – o homem concorda, e ele me guia para dentro.
O que eles eram? Uma rede de tráfico humano?
– Marcus, eu faço o que você quiser, mas, por favor, deixa a Clara!
– Meu irmão vai casar em três dias. Quero te levar…