CAPÍTULO OITO
GABRIELA BORGES
Os telefones tocavam sem parar, então desliguei. Quando estava quase pegando no sono, ouvi batidas na porta.
Já eram quase onze da noite, me levantei e fui atender, parei em frente à porta com ela ainda fechada.
— Quem é?
— Entrega para Gabriela.
— Entrega? Eu não pedi nada! — respondi morrendo de medo.
— O Marcus pediu — abri a porta — já está paga.
Ele me entregou a pizza.
— Ele pediu para você ligar o celular — ele sorriu pra mim e eu fiz o mesmo.
— Obrigada! — fechei a porta.
Deixei a pizza na cozinha e fui até meu quarto. m*l liguei o telefone, e ele já tocou com a chamada de Marcus.
Ligação on
— Que desespero é esse?
— Por que não me atendeu? Por que desligou os telefones? Até o fixo você desligou! — ele gritava, tive que afastar um pouco o aparelho da orelha.
— Eu esqueci de pagar a conta do fixo, desculpa, eu queria dormir — menti — Eu iria te ligar pela manhã.
— Pela manhã — riu com sarcasmo — eu estava preocupado com você sozinha em casa. Tive que pedir um entregador pra ver se você estava viva. Quer saber? Boa sorte, eu desisto!
Eu queria o Marcus? Não.
Queria que ele saísse da minha vida? Também não. Eu estava sozinha, precisava de alguém. Passei no Enem esse ano, ano que vem eu iria para a faculdade, e tendo o Marcus para me ajudar financeiramente, pelo menos no começo, seria bom. Ele também me ajuda com coisas que eu não sei. Esse mês, ele pagou o IPTU da casa. Eu nem sabia o que era um IPTU. Então não, eu não podia perder o Marcus.
— Desculpa, não desiste de mim não! — usei a minha voz mais doce possível. Ele ficou em silêncio, dava pra ouvir ele praticamente bufando do outro lado.
Uma ideia brilhante surgiu na minha cabeça, na tentativa de acalmá-lo.
— Eu comprei uma coisa que quero te mostrar. Vou desligar e já já te chamo no MSN. Atende a chamada de vídeo.
Ligação off
Desliguei sem esperar resposta dele. Procurei o espartilho que eu havia comprado, vesti, me olhei no espelho e me senti sexy pra caramba.
Passei um batom vermelho e me sentei na cadeira em frente ao PC. Marcus estava online, mas ignorou a minha chamada. Mandei uma batida em sua tela e liguei. Ele atendeu, a webcam dele estava apontada para o chão e, na minha, eu tinha jogado uma blusa por cima para fazer uma surpresa.
@volpone: O que tem para me mostrar?
@Anjinha: Você me disse pra comprar uma coisa, lembra o que era?
@Volpone: Não.
Tirei a blusa de cima da webcam, afastei a cadeira mostrando meu corpo inteiro para ele.
@Volpone: Quer me enlouquecer?
@Anjinha: Sim.
@Volpone: Então tira ela pra mim.
@Anjinha: Tiro se você deixar eu ver você.
Ele mudou a posição da webcam, revelando seu rosto. Ele não era feio, não era bonito também. Os olhos dele eram lindos, um verde intenso, bem mais verdes do que os olhos da sua foto de perfil. Certeza que não eram os mesmos!
Eu tirei a parte de cima, deixando meus s***s à mostra. Fiquei com um pouco de vergonha no começo, mas ao ver a forma que ele me olhava, eu me senti poderosa.
@Volpone: Segura os dois bem juntinhos.
Minha b***a era de um tamanho normal, mas meus s***s eram grandes e isso agradou muito o Marcus. Fiz como ele pediu.
@Anjinha: Assim?
@Volpone: Isso. Agora passa a pontinha da sua língua no biquinho pra mim.
Inclinei minha cabeça e fiz o que ele pediu. Me lembrei da boca do Hugo em meus s***s e me senti quente.
@Volpone: Perfeita. Se toca pra mim!
@Anjinha: Nunca fiz isso, tenho vergonha. Fica pra próxima.
Ele não insistiu, disse que era paciente. Conversamos mais um tempo, e finalmente eu pude desligar pra dormir.
A caixinha de som do PC começou a dar interferência, então sabia que meu celular ia tocar. Era a Clara.
Ligação on
— Oi, amiga.
— Você está bem? — perguntou preocupada.
— Estou bem. Aconteceu alguma coisa?
— Não, tive um pesadelo com você e fiquei preocupada.
— Estou bem, amiga. Quer me contar seu pesadelo?
— Amanhã na escola. Vou voltar a dormir. Boa noite, te amo.
— Boa noite, também te amo. Até amanhã!
Ligação off
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Minha semana foi tranquila. Clara e eu fomos ao cinema ontem, assistimos Lua Nova. Minha amiga já está ansiosa aguardando o próximo filme da saga.
Há dois dias, na chamada de vídeo, Marcus brigou comigo por causa da cor do meu esmalte. Disse também que eu estava perfeita no dia que me mostrei pra ele, exceto pelo batom que eu escolhi, que me faz parecer uma p**a. Sim, ele me chamou de p**a por causa da cor do batom e do esmalte.
O que me deixou muito chateada. Então bloqueei ele, desliguei o celular que ele me deu e não atendo as suas ligações quando ele me liga.
Se ele pensa que vou aceitar qualquer coisa dele, está muito enganado!
Hugo me chamou pra sair com ele hoje. Eu aceitei, mas não tô muito afim de ir, não. Há uns três dias, nós ficamos, e Hugo tentou levantar minha saia. Me senti desconfortável e acho que hoje ele pode tentar de novo. Então acho que não vou.
— Amiga, arrumei um trabalho pra gente — Clara fala animada — uma amiga da minha mãe tá precisando de monitoras para o maternal na escola dela.
Nossa escola tem formação de professores, e minha amiga não vê a hora de poder trabalhar com isso. Eu pretendo ser professora, mas não do maternal. Quero ser professora de História. Eu preciso mesmo de um trabalho para me manter, já que estou decidida a tirar o Marcus da minha vida.
— Que maravilha, onde fica?
— Temos uma entrevista hoje, saindo da escola vamos direto pra lá. — olho pra minha roupa: uma saia de prega azul, blusa branca com botões da cor da saia, meia 3/4 e all star preto.
— De uniforme?
— Sim, ela sabe que nós formaremos esse ano e que vamos direto daqui!
A entrevista foi perfeita. A escola fica entre a minha casa e a UERJ, então será perfeita. Poderei trabalhar e ir pra faculdade de boa no próximo ano. Amanhã eu já começo a trabalhar.
Ando animada na calçada, faltavam três quarteirões pra chegar em casa quando um carro parou ao meu lado.
— Entra — Marcus ordenou — Entra!
Com as mãos trêmulas pelo susto e o medo, abri a porta do carona e entrei!