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1245 Palavras
Seus dedos apertaram minha garganta quando ele se inclinou, com o rosto a centímetros do meu. "Não a trouxe aqui porque sou gentil, Angelina", seus lábios se aproximaram o suficiente para que eu sentisse o calor de sua respiração. "Eu a trouxe porque meu lobo não queria nada mais do que se enterrar dentro de você." Por razões que eu não conseguia explicar, apertei minhas coxas. "Você deveria estar na sala fria lá embaixo, como os outros." Seu aperto pulsou, mais agudo agora, o suficiente para fazer meu maxilar doer. "Mas eu não conseguia nem mesmo querer você." Drakkar se inclinou para mais perto, sua testa quase tocando a minha, e sua voz ficou mais baixa. "Então, o que vai acontecer é o seguinte. Você voltará para aquele bordel imundo ao qual pertence, e considere isso como misericórdia." Eu não recuei. Em vez disso, juntei a saliva em minha boca e cuspi com força, o jato quente atingindo sua bochecha antes de descer lentamente pela borda de sua mandíbula. Eu estava com nojo dele! "Que nobre de sua parte", eu disse. "Eu preferiria t*****r com cem estranhos naquele bordel a passar mais um segundo perto de você. Mesmo do outro lado deste maldito castelo, posso sentir sua presença podre." A princípio, ele não respondeu, apenas olhou para mim. Em seguida, Drakkar se levantou lentamente, passando as costas dos dedos pelo cuspe em seu rosto com uma espécie de calma mórbida. Seus olhos permaneceram nos meus enquanto ele... levava os dedos à boca e os lambia. Com uma calma repugnante. Ele lambeu sem quebrar o contato visual, depois sua voz ficou calma, do tipo que não precisava se elevar para arrepiar cada centímetro da sua espinha. "Você vai voltar para o bordel", disse ele. "Você vai t*****r por migalhas." Ele se inclinou para mais perto. "Mas você vai me pagar primeiro." E com isso, seu aperto se afrouxou. Minhas pernas cederam antes que eu pudesse detê-las, então caí no chão com força, com os joelhos batendo na pedra enquanto as palmas das minhas mãos me pegavam tarde demais. Quando olhei para cima, ofegante, com a garganta queimando, ele já estava se afastando. ** Sentei-me rigidamente em frente à penteadeira ornamentada, com meu reflexo ofuscado pela luz pálida que entrava pelas janelas, e a escova passava suavemente pelo meu cabelo. Atrás de mim estava Rose. Ela era uma mulher alta, com a pele em tom de caramelo que trazia as leves marcas do tempo, não exatamente rugas, mas o tipo de suavidade que vem do fato de ter sobrevivido demais. Seus olhos cor de avelã eram profundos. Seus cachos escuros tinham mechas prateadas nas têmporas, presos em um coque bem arrumado que não balançava. O vestido de cor creme que ela usava combinava com o uniforme de empregada, embora fosse mais solto nos ombros e um pouco mais justo na cintura. Rose trabalhava como alguém que fazia isso há mais tempo do que a maioria das moças vivia. Exalei lentamente, resistindo à vontade de arrancar a escova de suas mãos, porque eu odiava ser tocado. Mas as mãos de Rose nunca se demoravam. Ela escovava com eficiência, não com i********e, e isso tornava tudo tolerável. Olhei para o meu reflexo, limpo agora, mas quando inclinei a cabeça ligeiramente, eu os vi: hematomas fracos florescendo ao longo da minha garganta, sombras de seus dedos onde ele me sufocou contra a parede. A visão fez meu estômago se contrair. Por mais suave que minha pele parecesse, eu ainda era a mesma garota que dormia no chão de bordéis e sonhava em incendiar o palácio do rei. Eu o odiava. Não apenas porque ele escravizou minha espécie. Não só porque ele se dizia rei enquanto alimentava um demônio com nossos corpos. Mas porque ele podia olhar uma mulher nos olhos, arrancar sua dignidade e ir embora com sangue nas mãos. Ele era maligno. "Você está muito quietinha hoje", disse Rose. Pisquei os olhos. "Desculpe. "O que você viu ontem o assustou tanto assim?" Não respondi de imediato. Eu estava com medo? Do Drakkar? De ser arrastada de volta para aquela sala fria onde as mulheres entravam e nunca saíam? Pela Deusa, sim! "Estou com raiva", disse eu. "E não sei o que me deixa mais irritado: o fato de ele se safar com o que faz ou o fato de ninguém ter tentado matá-lo ainda." Rose hesitou por um momento, depois pousou a escova. "As pessoas tentaram." Virei ligeiramente a cabeça, encontrando seus olhos no espelho. "E?" "Elas falharam." Engoli. Então veio... um baque mecânico, agudo e inesperado, como se algo maciço tivesse sido forçado a sair do lugar. Pum! As janelas tremeram em suas molduras, o vidro zumbindo levemente enquanto o barulho ecoava pelas paredes de pedra. Não foi alto o suficiente para ser uma explosão. Os olhos de Rose se arregalaram. Levantei-me da cadeira e corri para a janela mais próxima, empurrando as cortinas para o lado. Fumaça. Fogo. E, deuses acima, um mar de pessoas inundando os portões externos! Centenas de humanos avançaram como uma maré, com os rostos duros. Alguns seguravam tochas, outros agarravam canos de metal, pés de c***a enferrujados, facas de cozinha... qualquer coisa que pudessem encontrar que pudesse ferir. Alguns agitavam camisas rasgadas ou lençóis velhos, pintados com spray com símbolos grosseiros e slogans manchados, erguidos como bandeiras improvisadas. Rose se juntou a mim na janela, com a mão trêmula segurando o peitoril. "Os humanos... eles estão invadindo o castelo." Uma buzina aguda soou do pátio abaixo, seguida pelo som de lobos uivando. Os soldados já estavam saindo pelos portões. Mas, mesmo daqui, eu podia ver que não seria suficiente, pois éramos muitos. Isso não era um protesto. Era uma guerra! A porta se abriu com um estalo. Um soldado estava de pé na porta, meio deslocado e com olhos dourados. "Todos os servos para o porão. Agora." Antes que eu pudesse reagir, Rose agarrou meu braço e puxou com força, arrastando-me para o corredor sem dizer uma palavra. O corredor estava um caos. Os lobos passavam apressados em todas as direções, soldados meio vestidos puxando as camisas por cima da cabeça, outros já no meio do turno, garras raspando contra o azulejo, pelos eriçados. As ordens eram dadas em rajadas bruscas. "Matem qualquer um que cruzar o portão", disse uma voz. "Se respirar e não for um de nós, acabem com ele!", uivou outra, vinda do fundo do corredor. "Protejam a sala do trono a todo custo!", disse uma terceira voz. Ninguém estava nos observando. Me observando... Eu puxei meu braço da mão de Rose e ela se virou bruscamente. "Angelina!" Mas eu já estava me movendo. Girei em meu calcanhar e corri, não em direção ao porão, mas na direção oposta, por um corredor lateral que eu não tinha permissão para explorar. O corredor lateral dava para o salão principal do castelo. À direita, a grande escadaria se curvava para cima como uma coluna vertebral. Corri em direção a ela, mas fiquei paralisado quando a porta do outro lado da sala foi aberta com um chute. Pum! Um estrondo estrondoso ecoou pelo saguão quando a madeira se estilhaçou e o metal cedeu. Tropecei para trás, atrás de um armário tombado, pressionando-me contra ele no momento em que uma dúzia de homens entrou, ofegantes, armados com machados, barras de metal e rifles que não pertenciam ao nosso mundo. Um deles parou no meio do caminho. Seus olhos se fixaram nos meus. Noah.
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