Mais tarde naquele dia, Rose puxava o pente devagar, os fios escorrendo entre os dentes de madeira, e eu observava cada movimento pelo reflexo do espelho. O silêncio estava quase confortável, até que as palavras escaparam da minha boca antes que eu pudesse pensar melhor. “Eu tive um sonho.” Minha voz soou baixa. “Sonhei com a minha mãe.” Os olhos dela encontraram os meus no vidro. Ficamos assim por um instante, presas no reflexo, até que ela arqueou as sobrancelhas de leve, sem parar o movimento do pente. “A mulher no estábulo é a minha mãe, Rose. Eu tenho certeza. Sonhei com ela e meu pai.” O pente deslizou mais lento. “Foi só um sonho, menina.” Rose garantiu. “Não, Rose. Eu sei quando é só um sonho. Aquela mulher está com medo. Eu passei a vida sentindo falta de ter uma mãe, mas nun

