Episódio 13

1290 Palavras
— Você nunca saberá. Disse Thomas e eu o fuzilei com o olhar enquanto ele se deliciava com o meu tormento. — Como você vai encontrar aquela mulher novamente? Poderia ser de qualquer país, você sabe quantos países existem na América Latina? — Pelo menos me diz o nome dela. Thomas levantou a sobrancelha. — Chama-se Maria José. Disse sorrindo. — Você deveria ter visto a sua cara de idi*ota quando pronunciou o nome dela. Zombou o meu irmão. — Idi*ota, não te conto mais nada. Declarei. — Sim, sim, desculpe. Sinto muito. Ele caminhou em direção à porta. — É por isso, meu irmão, que você não deve se apaixonar por nenhuma mulher. Só precisa pegá-las, uma noite e pronto. Não dar números nem perguntar nomes. Isso só traz problemas. Quando Thomas finalmente foi embora, fiquei sozinho com os meus pensamentos. A hipótese do meu irmão fazia sentido, claro. Era a explicação mais lógica para Maria José não ter me ligado. E, no entanto, algo dentro de mim resistia a aceitá-lo completamente. Eu tinha visto algo nos seus olhos, uma conexão que não podia ser apenas a minha imaginação. Ou talvez sim. Talvez toda essa obsessão fosse simplesmente o resultado de anos de solidão auto imposta. Talvez eu estivesse projetando numa desconhecida todas as minhas esperanças de encontrar algo real. — Liam, vem aqui um momento. Disse apertando o interfone, voltando a concentrar-me no importante, tenho uma inauguração em breve da filial na Espanha e preciso ter tudo pronto. — Senhor. Entrou a minha eficiente assistente sem perder tempo. — Diga ao Anderson, por favor, que me prepare o balanço provisório para a próxima semana para a reunião com os novos investidores, um balanço detalhado do primeiro trimestre, não quero erros, não quero contratempos e que me envie o fluxo de caixa projetado para esta tarde. Liam assentiu depois de tomar nota no seu iPad e saiu do meu escritório. — Marlow, concentre-se no importante, nos números, em expandir os seus negócios e dinheiro. Só isso importa. Disse para mim mesmo para tentar esquecer aqueles olhos bonitos. Maria José Os dias passavam e o pequeno pedaço de papel com o número de telefone daquele homem misterioso e atraente do clube descansava sobre a minha mesinha de cabeceira. Toda noite, antes de dormir, eu o olhava e debatia internamente. Toda manhã, ao acordar, era a primeira coisa que eu via. Era como se o papel me chamasse, me tentasse. Uma parte de mim morria por marcar aquele número, por ouvir de novo aquela voz rouca e profunda, por olhar novamente aqueles olhos que me hipnotizaram em segundos. Mas outra parte, a parte racional, me lembrava que eu não sabia nada sobre ele, nem mesmo o nome, nem suspeitava as suas intenções. Na quarta-feira, depois das aulas na universidade, fiquei conversando com o Paulo na cafeteria. Não consegui mais conter a minha inquietação e contei sobre o homem do clube e o número que ele me deu. — E você ainda não ligou para ele? Paulo perguntou, surpreso. — Não me atrevo. Confessei, brincando com a minha xícara de café. — Não sei se devo. Paulo soltou uma gargalhada que fez várias pessoas virarem para nos olhar. — Claro que você deve ligar para ele! Ele exclamou. — O homem te deu o número dele, é óbvio que ele está interessado. O que você tem a perder? — Você não entende. Respondi, baixando a voz. — Tenho medo dos americanos, e ainda mais de homens grandes como ele. Paulo olhou para mim confuso. — Grandes? O que você quer dizer? Grande de quê...? Ele fez um gesto com as mãos simulando um tamanho grande, movendo as sobrancelhas de forma zombeteira. — Deus! Não, Paulo, por favor. Cobri o rosto com as mãos e morri de vergonha. Paulo deu uma gargalhada tremenda diante da minha reação. — Eu me referia a alguém alto e corpulento, além de parecer mais velho do que eu, talvez uns 35 anos ou mais. Expliquei. — E ele era alto, Paulo, imponente. Eu sou latina. Homens como ele só querem zombar de garotas como eu, ou pior. Paulo riu ainda mais alto, o que me fez sentir um pouco boba. — Maria José, você está sendo boba e infantil. Se o homem te deu o número dele, é porque você o agradou. Ligue para ele, tome um café com ele, conheça-o. Se ele for um id*iota, você o manda embora e pronto. Naquele momento, Martina se juntou a nós, deixando a sua elegante bolsa sobre a mesa. — De que estão falando? Ela perguntou, aproximando-se para me dar um beijo na bochecha. Paulo contou a ela sobre o meu dilema, exagerando como sempre, fazendo parecer que eu estava perdidamente apaixonada por um estranho. Ao contrário de Paulo, Martina franziu a testa. — Não mande mensagem. Ela disse categoricamente quando Paul terminou o seu relato. — Aqueles homens nos clubes são apenas caras que querem uma noite de se*xo e nada mais. Ele vai te usar e depois você nunca mais vai ouvir falar dele. — Martina! Protestou Paulo. — Nem todos os homens são assim. — A maioria sim. Ela respondeu, olhando diretamente para mim. — Maria José, você é uma garota inteligente. É isso que você quer? Uma aventura de uma noite com um estranho? Ne*guei rapidamente com a cabeça, sentindo as minhas bochechas corarem. — Não, claro que não. Respondi com segurança. — Agora estou apenas focada em terminar a minha faculdade, que já está quase no fim, e em dar o meu melhor para continuar na Marlow Industries. Não tenho tempo para distrações. Martina assentiu, satisfeita com a minha resposta. — Além disso. Ela continuou. — E aquele rapaz do teu departamento, o Bill? Você me disse que ele é muito atencioso com você e parece que você gosta dele. Fiquei ainda mais corada e abaixei o olhar para minha xícara de café. Era verdade que Bill era atencioso, gentil e que eu sentia certa atração por ele. Era mais velho do que eu, trabalhávamos juntos, tínhamos coisas em comum... — Bill é um bom rapaz. Admiti. — E sim, eu gosto, mas não sei se estou pronta para algo assim. Além disso, não sei se há um interesse romântico da parte dele ou se ele é simplesmente gentil. — Pelo menos você o conhece. Argumentou Martina. — Sabe onde ele trabalha, como ele é. Não é um completo estranho que te abordou num clube. Paulo, que vinha ouvindo com expressão de desacordo, finalmente se rendeu. — Sabe qual é o seu problema, Maria José? Que você acha que não é capaz de agradar ninguém, e você é uma garota linda, inteligente. Você deveria se amar um pouco mais. Olhei para o Paulo e apertei os lábios um contra o outro. — E sim, a Martina tem razão. Ele disse, surpreendendo a nós duas. — Aquele cara do clube poderia ser qualquer um. E aquele garoto, o tal Bill, em vez disso, você já sabe quem é. Se você for dar uma chance a alguém, que seja para alguém que você conhece. Naquela noite, ao chegar em casa depois da universidade, sentei-me na beira da minha cama e peguei o papel com o número de telefone. Li-o mais uma vez, apesar de já o saber de cor depois das mil vezes que o tinha feito. Adoraria saber mais sobre você, Maria José. Estarei esperando ansiosamente a sua ligação. Havia algo na caligrafia, na forma como ele havia escrito o meu nome, que me fazia sentir um arrepio percorrer todo o meu corpo. Mas Martina e Paulo estavam certos. Não podia perder a cabeça nem sair dos meus objetivos por um homem que nem conhecia.
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