Episódio 8

1396 Palavras
— Vamos, Julian, pelo amor de Deus. Insistiu. — Deixe por uma vez na sua vida o trabalho e a solidão. Saia para se divertir, paquere alguma mulher, leve-a para algum hotel, tr*anse com ela por algumas horas e depois volte à normalidade da sua vida. Você não vai morrer por isso. Suspirei fundo. O meu irmão nunca entenderia que, para mim, as conexões humanas não eram tão simples quanto para ele. — Não é meu estilo. Eu disse simplesmente, enxugando o rosto com a toalha. — Sim, eu esqueço que o senhor correto, tra*nsa uma vez por ano com alguma acompanhante de luxo, pagando uma soma astronômica por uma mulher porque tem alergia ao romance. Ele disse revirando os olhos. Não era exatamente assim... bem, talvez não tão assim. Mas sim, de vez em quando eu pagava mulheres para me agradar, embora sempre sob os meus termos. Encontros casuais não eram a minha praia. Preferia a discrição, o controle, saber exatamente o que esperar. Na minha posição, qualquer relacionamento poderia se tornar um pesadelo midiático ou uma tentativa de se aproveitar da minha fortuna. — Então vamos ou não? Insistiu Thomas. — Tente sair para o mundo exterior e arrume uma mulher de forma tradicional. Você vai ver que dá gosto. Não pude evitar rir. O meu irmão mais novo, me dando conselhos sobre a minha vida se*xual como se eu fosse um adolescente inexperiente e não um homem de 35 anos que dirigia uma das empresas mais importantes do país. — Vou tomar um drink e sair da rotina por um tempo. Não me peça mais, tr*ansar com mulheres que frequentam clubes não é muito bom, você poderia pegar alguma doença, Thomas. Assegurei, sabendo que pelo menos isso o contentaria por enquanto. Meu irmão sorriu. — Para isso existem os preservativos, meu irmão. Ele respondeu sem apagar o sorriso. — Papai estará se revirando no túmulo ao ver que os seus três filhos já são quase idosos e não têm uma família formada como ele sempre sonhou. Thomas apagou o sorriso. — Eu tive intenções, mas ela não. Ele respondeu, enxugando o suor. Sim, meu irmão não quer saber de romance, porque uma vez ele amou e pisaram no coração dele. Eu, porque acho que o romance não é para mim. Também não me apetece ficar correndo atrás de uma mulher para conquistá-la. Não gosto de pieguice. Não sou romântico, não sei ser. Além disso, que saco casar com uma mulher que só finge me amar pelo meu dinheiro e acordar todos os dias vendo a mesma cara ao meu lado. Não, eu não suportaria isso, é demais. Adoro a minha solidão, meu espaço pessoal, não quero que ninguém invada a minha vida. Enquanto tomava banho, pensava no que significava ser Julian Marlow. Para o mundo, ele era o tubarão implacável dos negócios, o CEO que havia triplicado o valor da empresa familiar em menos de uma década. Ninguém via o homem que acordava às três da manhã com pesadelos, que tinha que tomar medicação para o coração todas as manhãs, que às vezes sentia um vazio tão profundo que nenhuma quantia de dinheiro poderia preenchê-lo. Mas esse era o preço que ele estava disposto a pagar pela vida que tinha. Vesti-me com uma calça preta casual e uma camisa azul escura sem gravata, dando-me um visual menos formal, mas igualmente elegante. Se eu fosse fazer isso, faria do meu jeito. — Pronto para a caçada? Brincou Thomas ao nos encontrarmos em frente ao clube. — Pronto para tomar um drink e ir para casa antes da meia-noite. Corrigi, ajustando o meu relógio. Thomas ne*gou com a cabeça, mas seu sorriso revelava que estava contente por ela ter concordado em sair pelo menos. — Entremos então, Cinderela. Ele brincou, dando-me um tapinha nas costas. Dentro do clube encontramos Cristian, amigo de ambos, mas mais próximo de Thomas. O ambiente estava um pouco sufocante, com a música eletrônica alta, luzes estroboscópicas e conversas que competiam com os graves do sistema de som. Subimos para a área VIP onde tínhamos uma mesa e assentos de couro reservados ao lado da grade de vidro. De lá, ele podia observar toda a pista de dança, como um predador que não tinha intenção de caçar, mas apreciava o panorama. Começamos a beber e a conversar, embora tivéssemos que gritar um pouco devido à música alta. Uma garrafa de uísque japonês — o meu preferido — já descansava na mesa junto com gelo e copos de cristal. — Vê alguma coisa interessante? Perguntou-me Cristian depois de servir as bebidas. — Apenas cumprindo a minha parte do acordo. Respondi, dando um gole. — Estou bebendo, logo vou embora. Thomas e Cristian, por sua vez, estavam em busca evidente de mulheres para passar o tempo naquela noite. Os seus olhos escaneavam constantemente o local, avaliando possibilidades como se estivessem numa missão. Eu só queria beber, conversar um pouco e observar para depois ir para casa, onde o silêncio e a solidão me esperavam como velhos amigos. Não demorou muito para que Thomas encontrasse a sua "vítima". Do outro lado do clube, no mesmo andar de cima, ele avistou uma loira que também o olhava com interesse. Essa troca de olhares era tudo o que meu irmão precisava para entrar em ação. — Desculpem, senhores. Ele disse, ajeitando o paletó. — O dever chama. Ele se desculpou e se dirigiu à mulher com a confiança de quem sabe exatamente o que está fazendo. Sorri ne*gando com a cabeça, assim como Cristian. Meu irmão nunca mudaria, e talvez isso fosse o melhor para ele. Cristian e eu ficamos conversando sobre negócios, política e outros temas seguros que não exigiam muita introspecção. Enquanto isso, eu olhava de vez em quando para o andar de baixo, onde as pessoas dançavam, riam e bebiam, desfrutando de uma vida que parecia tão alheia à minha. Foi então que aconteceu. Os meus olhos encontraram os de uma mulher de cabelos longos que se movia pela multidão. De cima não conseguia ver bem os seus traços, mas algo nela me chamou poderosamente a atenção. A sua maneira de se mover, talvez, ou a forma como seu vestido prateado refletia as luzes do clube. Não tinha certeza do que era, mas pela primeira vez na noite senti curiosidade e um estranho calor percorrer o meu corpo. Lembrei-me das palavras do meu irmão: "arranje uma mulher no clube e tr*anse de forma tradicional". Ridíc*ulo, mas aqui estava eu dando um longo gole na minha bebida antes de colocá-la na mesa e me levantar. — Desculpe-me um momento. Disse a Cristian, que já estava entretido com o telefone. — Para onde você vai? Ele perguntou surpreso. — Preciso... esticar as pernas. Menti, sem querer admitir que estava intrigado por uma mulher que nem sequer tinha visto claramente. Desci as escadas, algo que raramente fazia nesses lugares. Preferi o caminho mais longo para evitar a pista de dança principal. Segui com o olhar a mulher, que já não estava com o seu grupo de amigos. A multidão se fechava e se abria, permitindo-me apenas vislumbres ocasionais daquele vestido prateado. Ainda assim, não a perdi de vista. Caminhei procurando-a na multidão, sentindo algo que nunca havia experimentado: o pulso acelerado da caça, embora não soubesse o que faria se a encontrasse. Convidá-la a ir comigo para algum hotel, tra*nsar com ela e depois pagar por seus serviços? Era assim que funcionava, não é? De repente, eu a vi de costas no balcão. O seu cabelo castanho caía como uma cascata até a cintura. Ela tinha um corpo pequeno, mas curvilíneo, que o vestido prateado abraçava perfeitamente, e pernas grossas que, por algum motivo, me deixaram duro. Tentei me aproximar, mas então ela se virou completamente, não sei em que momento eu estava tão perto dela, mas a bebida dela bateu no meu peito, derramando quase todo o líquido na minha camisa. O frio do Martini penetrou rapidamente no tecido. — Sinto muito, senhor! Não foi minha intenção. Ela tentou se desculpar com um sotaque raro, tímida e envergonhada. Mas eu não podia responder imediatamente. Eu tinha ficado hipnotizado, como nunca tinha acontecido comigo com nenhuma mulher. Os seus olhos castanhos eram grandes e expressivos, a sua pele morena brilhava sob as luzes do clube, e os seus lábios grossos formavam um perfeito "O" de surpresa.
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