Episódio 9

1501 Palavras
— Fique calma, foi culpa minha. Respondi com a voz rouca e calma, quase sedutora. — Eu me coloquei no seu caminho. Sou eu quem deve se desculpar com você, senhorita. Usei o tom sedutor que raramente empregava, um que reservava para ocasiões excepcionais. Ela olhou nos meus olhos, realmente olhou, não para a minha riqueza ou sobrenome, mas para mim. Por um instante, ela pareceu tão hipnotizada com a minha aparência quanto eu com a dela. — Deixe-me pagar outra bebida para você. Eu disse, e rapidamente fiz um sinal para o barman, que preparou outro Martini antes que ela pudesse protestar. — Obrigado, embora não precisasse se incomodar, foi culpa minha... Ela disse claramente nervosa. Continuei olhando para ela e, por algum motivo, a sua expressão me causou ternura. — Boa noite, com licença. Ela tentou passar por mim, talvez para voltar com os amigos, mas segurei-a suavemente pelo braço. A sua pele era macia sob a minha mão, e senti uma corrente elétrica que não podia atribuir apenas ao álcool. Por algum motivo, ela estava um pouco chateada. Ela não estava tentando flertar comigo, não parecia nem um pouco interessada em mim. Coisa que me acontecia pela primeira vez. Geralmente as mulheres buscam chamar a minha atenção, buscam o mínimo gesto de interesse da minha parte, mas essa pequena mulher de cabelos castanhos parecia que eu era indiferente a ela. Como poderia ser indiferente a mim, a Julian Marlow? — Desculpe, você poderia pelo menos me dizer o seu nome? Perguntei, surpreendendo a mim mesmo com a minha patética tentativa de chamar a sua atenção. Ela ficou visivelmente nervosa, mordiscando levemente o lábio inferior, um gesto que achei inexplicavelmente atraente. — María José. Ela respondeu finalmente, e o seu nome, pronunciado com aquele sotaque, soou como música nos meus ouvidos. — Lindo nome. Sussurrei, aproximando-me mais dela. Ela recuou um passo para trás. — Poderia me deixar passar? Por favor. Parecia que ela estava implorando e, por algum motivo, comecei a me sentir m*al. Eu estava sendo um pu*to stalker e tudo por ter dado ouvidos ao Thomas. Este não era eu, eu não assediava mulheres, em que momento os papéis se inverteram? Enquanto mantinha o olhar fixo no meu, senti a pulsação acelerada no meu peito. — Sinto muito, pode passar. Eu disse, me afastando para deixá-la passar e, por algum motivo pouco cavalheiresco da minha parte e impróprio para mim, o meu rosto virou para se fixar naquela parte do seu pequeno corpo que eu não deveria olhar, mas Deus sabe que ela me atraía como um ímã. María José Cheguei à minha casinha e soltei um suspiro enquanto fechava a porta atrás de mim. Sentia uma sensação estranha no estômago, sentia nervosismo e uma emoção rara, que não sentia há muito tempo. Deixei a sacola de compras que Martina praticamente me obrigou a aceitar e não pude evitar sorrir. — Sinto-me tão sortuda por conhecer pessoas como Martina e Paulo. Murmurei para mim mesma. Olhei para o relógio na parede e me assustei. Já era bem tarde e eu precisava me apressar para poder me arrumar. O clube Midnight Blue esperava, e com ele, os meus colegas de trabalho e... Bill. Dirigi-me ao banheiro para tomar um banho, desfrutando da água quente sobre o meu corpo cansado após uma semana intensa de trabalho. Lavei o cabelo com cuidado, usando aquele shampoo especial que me dava o luxo de comprar todo mês. Cheirava a jasmim e deixava o meu cabelo macio e brilhante, e eu adorava cuidar do meu cabelo. Saí enrolada numa toalha e me olhei num espelho redondo que tinha conseguido numa loja de segunda mão. Apliquei um creme hidratante no meu rosto e depois comecei a secar o meu cabelo. Com o secador, dei forma, criando ondas suaves nas pontas. Eu amava o meu cabelo comprido, era uma das coisas que eu mais gostava em mim mesma. Enquanto me maquiava levemente — apenas um pouco de rímel, blush e gloss labial — parei para observar os meus olhos no espelho. Essa cor marrom, quase âmbar em certas luzes, contrastava com o tom oliváceo da minha pele. Minha avó sempre dizia que os meus olhos eram como os do meu pai, a quem eu não conheci. — Afinal, fui abençoada. Refleti em voz alta. — Deus me deu não só inteligência, mas também beleza. Embora para mim, a beleza nunca tivesse sido tão importante. Na Colômbia, minha avó sempre me lembrava que a verdadeira beleza estava no coração e na mente. "Estude, Maria José", ela me dizia, "porque o seu rosto pode mudar, mas sua inteligência a acompanhará sempre." Finalmente, chegou a hora de colocar o vestido. Tirei-o da bolsa com cuidado, como se fosse um objeto frágil. A tela prateada brilhava. Coloquei-o lentamente e senti-me imediatamente envergonhada. Era revelador e provocador demais, com aquele decote que mostrava mais do que eu jamais havia mostrado e aquela a******a lateral que deixava ver grande parte da minha perna e as minhas costas descobertas. Me olhei no espelho. A mulher que me devolvia o olhar eu m*al reconhecia. Ela parecia linda, sensual, como saída de uma revista de moda. Correi e cobri o meu rosto com as mãos. — Não sou eu. Sussurrei, considerando por um momento trocar para algo mais discreto. Mas lembrei das palavras de Martina: Às vezes é preciso sair da zona de conforto. E ela estava certa. Sempre fora a garota responsável, a estudiosa, a que se vestia de forma conservadora. Talvez fosse hora de mostrar outra faceta de mim mesma. Peguei a pequena bolsa prateada, também um presente da Martina, e coloquei dentro o essencial: meu celular, o pouco dinheiro que tinha, o meu documento de identidade e um gloss labial. Olhei a hora novamente e percebi que teria que pegar um táxi. Não podia ir assim de ônibus, com aquele vestido que parecia gritar "olhe para mim", além de o clube ficar um pouco longe. O táxi seria um luxo para o meu orçamento, mas esta noite era especial. Eu tinha trabalhado duro a semana toda, impressionado Anderson com o meu trabalho e merecia comemorar. Além disso, a ideia de ver Bill fora do ambiente de trabalho me dava um frio na barriga. Antes de sair, dei uma última olhada no meu reflexo e respirei fundo. "Esta noite é para se divertir", disse para mim mesma. Só aproveite o momento. O táxi me deixou em frente ao Midnight Blue e paguei rapidamente, tentando ignorar a expressão do motorista quando me viu descer com aquele vestido prateado. As luzes de néon azuis do clube iluminavam a entrada onde uma fila de pessoas esperava para entrar. Enquanto me aproximava, senti um formigamento de desconforto ao notar os olhares que atraía. Não estava acostumada a ser o centro das atenções, e agora sentia o olhar não só de homens sobre mim, mas também de mulheres que me observavam de cima a baixo. Algumas com admiração, outras com inveja m*al disfarçada. O meu pulso batia muito rápido e eu tinha medo até de entrar. Em que eu estava pensando quando aceitei vir com este vestido? Parei a alguns metros da entrada, procurando rostos familiares na multidão. Não vi nenhum rosto conhecido, nem a Rachel, nem as outras garotas do apartamento que tinham dito que viriam. Tirei o meu telefone com as mãos trêmulas e liguei para o Bill. Ele atendeu no primeiro toque, como se estivesse esperando a minha ligação. — Maria José? A voz dele soou alegre do outro lado. — Olá, Bill. Estou fora do clube, mas não vejo ninguém... Eu disse, tentando que a minha voz não revelasse o meu nervosismo. — Que coincidência! Acabei de chegar também, estou saindo do táxi agora mesmo. Ele respondeu. — Fique onde está, eu te vejo em um segundo. Desliguei e olhei ao redor, sentindo-me um pouco mais calma, sabendo que não ficaria sozinha por muito mais tempo. De repente, vi Bill saindo de um táxi a cerca de 20 metros de mim. Ele vestia uma camisa azul-escura e calça preta, muito mais elegante do que no escritório. Quando me viu, parou de repente. O seu sorriso congelou por um instante, depois se alargou ao se aproximar de mim. Ele não pôde deixar de me examinar, dos meus saltos prateados ao meu cabelo solto, demorando-se brevemente no decote do meu vestido. — Meu Deus, você está linda. Disse ele ao me alcançar. Corei instantaneamente e olhei para os meus sapatos. — Obrigada. Você também está ótimo. Murmurei, sem saber como responder a elogios tão diretos. — Você está incrível. Ele continuou. — Você está diferente e se*xy. — É... algo novo para mim. Admiti, ajustando nervosamente a alça do meu vestido. — Quase me arrependi de ter escolhido. ‍​‌‌​​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌​‌‌
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