— Mas a pergunta, Julian, é: para que você a quer? Ele perguntou, de repente sério. — Para passar o tempo? Para tra(nsar com ela uma vez? Ou para que faça parte da sua vida?
Fiquei estático diante da sua pergunta. Era direta, incisiva, e o pior é que não tinha uma resposta clara. O que eu realmente queria da Maria José? A atração física era inegável, mas havia algo mais?
Thomas interpretou o meu silêncio e continuou:
— Um conselho. Não brinque com ela. Ele disse com uma seriedade incomum nele. — Nota-se que ela é uma boa menina e muito inteligente. Se você não tem certeza do que quer, não tente fazer ela se apaixonar por você, porque você vai fazê-la sofrer. E por experiência te digo que é o pior que pode te acontecer.
Percebi a dor nas suas palavras. Thomas ainda não se recuperou completamente do término com aquela mulher que o havia deixado arrasado, mesmo que tivessem se passado anos e provavelmente nunca o fizesse.
Meu irmão levantou-se, deixou o copo sobre o móvel e foi em direção à porta. Antes de sair, ele me olhou uma última vez.
— Pense bem, Julian. Desta vez não se trata de uma aquisição de empresa ou uma fusão. É uma pessoa real, com sentimentos reais. Que você não tenha sentimentos não significa que os outros não os tenham.
A porta fechou-se atrás dele, deixando-me sozinho com os meus pensamentos.
O que eu realmente queria de Maria José? Não tinha certeza. Desde o momento em que a vi no clube, algo nela me cativou de uma forma que eu não conseguia explicar. Não era apenas sua beleza exótica, o seu corpo curvilíneo ou aqueles olhos expressivos, era algo estranho.
E agora que eu sabia que ela era brilhante no trabalho, a minha admiração por ela só crescia.
Mas isso era suficiente para justificar o que eu estava planejando? Não estava eu simplesmente obcecado porque ela tinha sido a única mulher que me rejeitou em toda a minha vida?
O meu telefone tocou, interrompendo as minhas reflexões. Era um e-mail de Carson com o dossiê de Maria José. Abri-o imediatamente.
María José Ramírez, 23 anos, nacionalidade colombiana. Residente legal com visto de estudante, cursando o último ano de Contabilidade e Finanças na Universidade Central. Solteira, sem filhos. Experiência de trabalho anterior... Contratada na Marlow Industries há pouco menos de um mês por recomendação de Martina Carson.
Junto com elas vinham as suas notas universitárias, impressionantes para dizer o mínimo. Estava no quadro de honra, com uma média quase perfeita. Também havia uma carta de recomendação de seu professor, destacando a sua "extraordinária capacidade analítica e a sua ética de trabalho impecável".
Revisei o seu endereço: ele morava numa casa na zona leste da cidade, um bairro modesto, mas decente, bastante distante da opulência à qual eu estava acostumado.
Enquanto analisava esses dados, o meu interfone tocou. Era o Liam.
— Senhor Marlow, a senhorita Martina acabou de chegar. Devo deixá-la passar?
— Deixe-a entrar. Respondi imediatamente.
Fechei o processo de Maria José justo quando a porta se abriu. Martina entrou como um furacão, como sempre fazia, invadindo com o seu aroma agradável.
— O que aconteceu com a Maria José? Ela perguntou diretamente, sem sequer cumprimentar. — Você a demitiu? Porque se for assim, Julian, juro que...
— Não a demiti. Interrompi-a, levantando a mão para acalmá-la. — Ao contrário, estou muito impressionado com o seu trabalho.
Martina olhou-me com desconfiança, sentando-se em frente a mim não sem antes deixar um beijo na minha bochecha.
— Então? Por que você queria falar sobre ela?
Aclarei a garganta, repentinamente desconfortável. Como explicar para minha irmã mais nova que eu estava interessado na amiga dela?
— Quero saber mais sobre ela. Declarei.
Martina estreitou os olhos, estudando-me como se me visse pela primeira vez.
— Oh, meu Deus. Ela murmurou, com uma expressão de compreensão súbita. — Você gosta dela.
Não respondi, mas meu silêncio foi resposta suficiente.
— O grande Julian Marlow, está interessado na minha amiga. Ela continuou, entre surpresa e diversão. — Isso é... inesperado.
— Martina, por favor. Disse, desconfortável com o seu tom zombeteiro. — Só quero saber mais sobre ela. Como você a conheceu? O que você sabe sobre a vida dela?
A minha irmã estudou-me por mais alguns segundos, como se estivesse decidindo se devia cooperar ou não.
— Conheci-a na universidade, sabes que gosto de fazer amizades. Ela explicou finalmente. — Ela é uma garota incrível, Julian. Brilhante, trabalhadora, honesta. Ele passou por muitas dificuldades na sua vida. Ele vem de uma família humilde na Colômbia e está aqui com uma bolsa de estudos, enviando dinheiro para seus avós todos os meses. Nem pense em deixá-la sem trabalho, porque a pobre já teve mais empregos na vida do que você mulheres na sua cama.
Arqueei uma sobrancelha diante da comparação da minha irmã.
— E... está saindo com alguém? Perguntei, tentando soar casual.
Martina soltou uma gargalhada.
— Sério mesmo, Julian?
Dei de ombros, sem me desculpar.
— Não, não está saindo com ninguém. Ela respondeu. — Ela só tem tempo entre o trabalho e a universidade. Embora eu ache que há um rapaz no departamento dela que está interessado nela. Bill, acho que é o nome dele e há uma espécie de atração entre eles, mas nada mais.
Senti uma pontada de ciúmes ao ouvir aquele nome. Bill, o jovem que havia acompanhado Anderson na reunião anterior. Afrouxei a minha gravata diante da ideia de que ela gostava daquele garoto.
— Julian. Disse Martina, subitamente séria. — Se você está pensando em se aproximar dela, você precisa saber de algo.
— O quê?
— Maria José não é como a suas conquistas habituais. Ela advertiu. — Ela não se impressiona com carros caros nem com joias caras. E definitivamente ela não está interessada em ser a aventura de ninguém, muito menos do chefe dela. Além disso, ela tem pavor dos norte-americanos.
Arqueei uma sobrancelha um tanto preocupado. Já tinha comprado o medo que ela sente e o fato de Martina me dizer isso explica ainda mais o porquê do seu ataque de pânico.
— Que eu saiba, ela diz que simplesmente tem medo porque é latina e que os americanos só querem se*xo de uma noite e ela não está interessada nisso. Ela tem medo que algum id*iota americano a machuque.
As suas palavras ecoaram o que Thomas me dissera minutos antes.
— Não pretendo machucá-la, Martina. Respondi.
Martina me olhou com ceticismo.
— Então o que você pretende, Julian? Porque se você a machucar, se você zombar dela, eu juro que eu mesma farei você pagar por isso. E não me importa que você seja meu irmão. Maria José é minha amiga, e ela já sofreu o suficiente na sua vida. Ela não precisa que um idi*ota com dinheiro a humilhe e a faça sofrer.
— Você está me chamando de idi(ota?
Ela sorriu sem dizer nada.
Recostei-me na minha cadeira, pensando na sua pergunta. O que você realmente queria com a Maria José? As palavras de Thomas voltaram à minha mente: para passar o tempo? Para tra*nsar com ela uma vez? Ou para que faça parte da sua vida?
— Quero que você me ajude, Martina.
Ela olhou para suas unhas impecáveis, fazendo-se de importante. — Depende.
— De quê? Perguntei, olhando-a fixamente.
— Que eu seja a madrinha de casamento.
Eu gargalhei sem poder evitar. Era incrível como um comentário que em outro momento me teria incomodado bastante, agora só me parecia engraçado.
— Veremos, Martina, veremos o que acontece. Pelo menos preciso que ela aceite um encontro comigo. O resto veremos depois. Pelo menos preciso saber se eu gosto dela.
Martina revirou os olhos. — Quem não gostaria do Julian?
Fiz um gesto com as sobrancelhas, dando-lhe razão.
— Preciso descobrir que ela é diferente, que ela não está interessada no meu dinheiro. Pelo menos já me deixou claro que não vai ter se*xo comigo, isso já é um bom sinal.
— O quê? Como assim ela deixou claro para você? Julian, que dia*bos você disse?
Dei de ombros. — Longa história. Disse e, após mais um momento, Martina se retirou do meu escritório, deixando-me sozinho com os meus pensamentos.
A única coisa que eu sabia com certeza é que aquela menina seria minha, eu faria o que fosse preciso. Mas Maria Jose Ramirez seria irrevogavelmente minha.