Episódio 21

1731 Palavras
Julian Ela hesitou por um momento, mas finalmente assentiu. — Sim. Respondeu com voz trêmula. Senti algo amargo no meu peito, uma sensação desagradável que não me lembrava de ter experimentado antes. Não era raiva nem frustração, era... dor? A ideia de que ela me temesse me parecia inexplicavelmente dolorosa. Era esse o efeito que eu causava em todos, mas pela primeira vez não gostei que alguém tivesse medo de mim, não ela. Ne*guei com a cabeça e afastei-me alguns passos, dando-lhe espaço. Talvez eu tivesse sido direto demais, intenso demais. Devia recuperar a sanidade que havia perdido ao vê-la na sala de reuniões. De repente, notei que a respiração dela acelerava. As suas mãos começaram a tremer e o seu rosto empalideceu visivelmente. Estava tendo um ataque de ansiedade na minha frente. — Não me despeça, por favor, Sr. Marlow. Ela suplicou com a voz embargada. — Eu preciso do trabalho, não posso ter se*xo com você, porque isso seria errado, você é meu chefe e eu não sou esse tipo de mulher, mas eu realmente preciso desse emprego, meus avós na Colômbia... As suas palavras saíam atropeladamente enquanto ela apertava as mãos uma contra a outra. A situação me alarmou. Nunca tinha presenciado algo assim e não sabia exatamente como reagir. — Calma, por favor, María José, calma. Eu disse, tentando acalmá-la. Eu precisava de ajuda. Isso estava escapando do meu controle e estava me deixando louco. — Liam! Gritei, chamando meu assistente. — Senhor. Ele respondeu, entrando rapidamente no escritório. — Traga uma garrafa de água, rápido. Ordenei. Aproximei-me de Maria José com cautela, preocupado com seu estado. — Sente-se aqui. Indiquei, guiando-a delicadamente pelo braço até o sofá, tentando não tocá-la muito para não piorar a sua ansiedade. Liam voltou quase imediatamente com a garrafa de água. Entreguei-a a Maria José, que a pegou com as mãos trêmulas. — Beba, fique calma. Eu disse a ela, ajoelhando-me na frente dela para ficar no seu nível. — Não fique assim, não há motivo para você ficar assim. Não te disse nem fiz nada. Naquele momento, alguém também entrou no escritório. — O que está acontecendo aqui? Perguntou Thomas, ao ver a situação. A cena devia ser bastante estranha da perspectiva dele: Liam em pé observando, eu ajoelhado na frente de Maria José, e ela tremendo enquanto enxugava as lágrimas. Levantei-me rapidamente, balançando a cabeça com frustração. — Nada, absolutamente nada. Respondi, olhando para o meu irmão, que franziu a testa sem entender a situação. — Liam, retire-se. Ordenei ao meu assistente, que obedeceu imediatamente, fechando a porta atrás de si ao sair. — Você está bem? Perguntou Thomas, aproximando-se de Maria José com preocupação. Eu o olhei fixamente, era absurdo sentir ciúmes por uma simples pergunta do meu irmão. Eu estava agindo como um louco obsessivo. Ela apenas balançou a cabeça afirmativamente, embora fosse evidente que não estava. — Senhorita Ramírez. Disse, tentando recuperar um pouco de formalidade nesta situação caótica. — Ninguém vai demiti-la do emprego. De fato, estou muito satisfeito com o que você fez, então volte para o seu departamento. Quero que você respire e mantenha a calma. Aqueles olhos preciosos finalmente me olharam, brilhavam de uma maneira especial e não era só por causa das lágrimas. — De verdade? Ela perguntou. — Claro que sim. Deu uma excelente impressão hoje. Ela apertou os lábios um contra o outro. — Lamento o ocorrido, desculpe-me, senhor Marlow. Ela murmurou, com a voz entrecortada. — Não tem nada a lamentar, por favor, fique tranquila. Não tem problema. Respondi, sentindo uma culpa e preocupação por seu estado em partes iguais. Maria José levantou-se e caminhou tremendo em direção à porta. Não pude evitar segui-la com o olhar, especialmente aquela parte da sua anatomia que me parecia tão atraente. Aquele redondo ra*bo que me chamava e eu não conseguia resistir em olhar. Senti-me como um degenerado por notar isso num momento assim, mas era impossível não notar. — Santo Deus. Exclamei quando ela finalmente saiu do escritório e esfreguei o rosto com exasperação. Thomas fechou a porta e virou-se para mim com uma expressão acusatória. — O que foi tudo isso? O que você fez com a pobre? Ele perguntou diretamente. — Nada, po*rra, nada. Respondi, exasperado. — Nem consegui dizer nada porque ela teve um ataque de pânico e a única coisa que dizia era que eu não a demitisse do emprego e que não ia ter se*xo comigo. Gargalhei lembrando disso. Thomas me estudava com aquele olhar penetrante que usava quando sabia que havia algo mais na história. — Quem é ela, e por que tanto interesse, Julian? Ele insistiu. — Porque não pense que eu não percebi que você ficou como um id*iota por causa daquela mulher na reunião. Quase te trago um pote para juntar a sua baba. Não pude evitar sorrir com o comentário, apesar da situação. — Ela é, Thomas. Confessei. — A mesma mulher do clube. Aquela que nunca me ligou, aquela que não consegui tirar da cabeça. Meu irmão abriu os olhos de par em par, claramente surpreso com a revelação. — Mas, como é possível? Dirigi-me ao móvel e servi-me um copo de uísque. Realmente precisava disso depois do que aconteceu. — Nem eu sei como. Respondi, dando um bom gole. — Mas ela estava trabalhando aqui. Ela é minha m*aldita empregada e eu estava ficando louco para saber mais sobre aquela mulher misteriosa. Thomas aproximou-se, observando-me com uma mistura de diversão e incredulidade. — E agora você pretende assediá-la até que ela te dê atenção? Eu gargalhei diante do absurdo da sugestão. — Não estava assediando ela. Defendi-me. Thomas arqueou uma sobrancelha num gesto zombeteiro. — A pobre estava tremendo e mais pálida que um papel. Ne*guei com veemência. — Eu te prometo que não disse nem fiz nada para ela. Insisti. — Seria incapaz. Sou um cavalheiro, jamais assediaria ou coagiria uma mulher nem abusaria do poder para tê-la. Não sou esse tipo de homem. Mas aparentemente ela sofre de algum tipo de ataque de pânico em situações... Ladeei a cabeça. — Um tanto delicada. Thomas assentiu, parecendo aceitar a minha explicação. — Então, o que você vai fazer? Ele perguntou, servindo-se também de um copo de uísque. Lambi os lábios, tomando uma decisão que nem eu mesmo esperava. — Vou conquistá-la. Declarei com determinação. Thomas cuspiu o uísque que acabara de beber, olhando para mim como se eu tivesse duas cabeças. — O que você disse? Ele perguntou tossindo. — Julian Marlow, o tubarão, o CEO sem coração, vai tentar conquistar uma mulher? — Exatamente. Confirmou, surpreso com a minha própria resolução, mas decidido a seguir em frente. — Vou provar a ela que não sou o monstro que ela pensa que sou. Vou fazer isso direito, Thomas. Sem pressões, sem abusar da minha posição. Meu irmão me olhava como se estivesse diante de um estranho. — Não te reconheço. Ele disse finalmente. — Quem é você e o que você fez com o meu irmão? Sorri, entendendo a sua confusão. Nem eu mesmo me reconhecia neste momento. — Não sei. Admiti. — Mas há algo nela, Thomas. Algo que me atrai como um louco obcecado, algo que nunca me aconteceu com uma mulher. Thomas ficou em silêncio por um momento, processando as minhas palavras. Finalmente, ele levantou o copo. — Bem, irmão, isso vai ser interessante de ver. Ele disse com um sorriso. — O grande Julian Marlow tentando conquistar uma mulher que claramente está aterrorizada de tanto medo dele. O que poderia dar errado? Sorri, consciente do absurdo da situação, mas estranhamente emocionado com o desafio que tinha pela frente. — Tudo pode dar errado. Reconheci. — Mas pela primeira vez em muito tempo, sinto que algo realmente vale a pena tentar. Thomas continuou a me olhar com aquela expressão entre divertida e cética que tanto me irritava. — Você vai conquistar ela? Ele repetiu, como se saboreasse o absurdo da ideia. — E não te ocorreu que ela poderia ser casada? Ou comprometida? Ou simplesmente que ela não está interessada em você, que você não a atrai como homem? Entrecerrrei os olhos diante das suas sugestões. A possibilidade de Maria José ter alguém na vida, só essa ideia me causou uma pontada de ciúme que me surpreendeu pela intensidade. Deixei-me cair na minha cadeira enquanto Thomas se sentava em frente à minha secretária, olhando para mim com evidente diversão. — Sairemos das dúvidas agora mesmo. Declarei com determinação. Peguei o telefone e disquei o ramal do Carson, meu chefe de recursos humanos. — Bom dia, Sr. Marlow. Respondeu Carson com seu tom formal habitual. — Carson, preciso que você me envie todas as informações que tiver sobre Maria José Ramírez. A nova auxiliar de contabilidade. Especifiquei. Houve um silêncio do outro lado da linha. — Está tudo bem, senhor? Ele perguntou em tom cauteloso. — Sim, está tudo perfeitamente bem. Respondi, talvez rápido demais. — Só quero revisar o perfil dos nossos novos talentos. — Claro, senhor. Enviarei o processo para o seu e-mail imediatamente. Ele respondeu, embora eu pudesse detectar certa dúvida na sua voz. Após desligar, e sob o olhar cada vez mais divertido de Thomas, marquei outro número. Desta vez, o da minha irmã Martina. — Julian? Ela respondeu, claramente surpresa ao receber a minha ligação. — O que está acontecendo? Estou no meio de uma sessão de fotos. — Quero falar com você. Disse diretamente. — Te espero esta tarde no meu escritório. — Aconteceu alguma coisa, irmãozinho? Ela perguntou, agora com um tom de preocupação. — É sobre sua amiga, Maria José. Mencionei, sabendo que isso capturaria imediatamente o seu interesse. Como eu esperava, o tom dela mudou completamente. — Estarei aí em uma hora. Ela garantiu. Sorri enquanto desligava a chamada, esfregando o queixo pensativamente. — Não vou pressioná-la. Declarei, mais para mim mesmo do que para Thomas. — Mas usarei os meios necessários para que ela aceite sair comigo num encontro. Thomas sorriu ainda mais amplamente, balançando a cabeça como se estivesse presenciando algo entre cômico e patético. ‍​‌‌​​‌‌‌​​‌​‌‌​‌​​​‌​‌‌‌​‌‌​​​‌‌​​‌‌​‌​‌​​​‌​‌‌‍
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