Episódio 11

1366 Palavras
— Sinto muito, acho que o barman se confundiu. Desculpei-me. — Não se estresse. Respondeu Rachel, minimizando com a mão e bebendo o seu Martini como se nada tivesse acontecido. Bill continuava a olhar para mim com os olhos semicerrados, como se estivesse tentando decifrar o que tinha acontecido comigo. O seu escrutínio me deixava ainda mais nervosa. Mas então aconteceu algo que desviou a atenção de todos. Uma das garçonetes aproximou-se diretamente de mim e me entregou uma taça com uma bebida que eu não reconheci. Com dissimulação, ela também me passou um pequeno papel dobrado que eu imediatamente amassei no meu punho. — Da parte do cavalheiro com quem você esbarrou. Disse-me a garçonete perto do ouvido, antes de se afastar com um sorriso cúmplice. O meu pulso acelerou imediatamente. Senti o sangue subir às minhas bochechas enquanto todos ao meu redor ficavam de boca aberta. — Quem te enviou isso? Perguntou Bill com a testa franzida, a irritação era notável na sua voz. Rachel e as outras garotas levantaram as sobrancelhas, expectantes, esperando uma explicação. — Não sei, alguém me enviou. Respondi, omitindo tudo o que havia acontecido há um momento. Nunca fui de contar as minhas coisas para ninguém, e menos algo que nem eu mesma entendia. O papel continuava apertado no meu punho, como um segredo que eu não queria compartilhar. Aproveitando um momento de distração, quando todos voltaram a dançar, guardei-o disfarçadamente na minha bolsa. Dei a Rachel minha bebida recém-recebida, querendo me livrar dela o mais rápido possível. — Oh, isso sim é vodka. Disse ela, satisfeita. Eu já não ouvia mais nada. Com o olhar, percorria todo o clube, tentando encontrá-lo novamente. Embora o lugar estivesse escuro e o seu rosto não tivesse sido tão nítido no nosso breve encontro, eu me lembrava perfeitamente dos seus olhos penetrantes e dos seus traços demasiado alucinantes, como se esculpidos à mão. Passou uma hora, talvez duas, mas eu já não conseguia me concentrar na diversão. A minha mente estava completamente ocupada por aquele estranho e pelo papel que eu guardava na minha bolsa. Quando a noite avançou e senti que não conseguia mais fingir que estava me divertindo, decidi que era hora de ir embora. — Estou cansada, acho que já vou para casa. Disse a todos. — Tão cedo? Protestou Rachel. — São apenas duas horas! — Tenho que estudar amanhã. Menti. A única coisa que eu queria era ficar sozinha para ler aquele bilhete. Bill se ofereceu para me acompanhar lá fora para esperar um táxi. — Tem certeza que não quer que eu te acompanhe até casa? Perguntou-me enquanto esperávamos na calçada. — É tarde e... — Não precisa, de verdade. Assegurei a ele, embora uma parte de mim agradecesse a sua preocupação. Quando finalmente apareceu um táxi, despedi-me de Bill com um beijo na bochecha, sentindo uma pontada de culpa por estar tão ansioso para me afastar dele e ler aquele bilhete. Uma vez dentro do táxi, encostei-me no encosto, sentindo que o meu corpo ainda tremia. Dei o meu endereço ao motorista e fechei os olhos por um momento, tentando me acalmar. Só quando o táxi começou a andar é que me lembrei do papel. Com mãos trêmulas, procurei-o na minha pequena bolsa. Tirei-o e desdobrei-o cuidadosamente, como se fosse um tesouro frágil. O papel tremia nas minhas mãos enquanto eu lia: Lamento a confusão, não era Martini. Um sorriso involuntário se formou nos meus lábios. Por instinto, virei o papel e o meu coração deu um salto ao ler o verso: Adoraria saber mais sobre você, Maria José. Estarei esperando ansiosamente a sua ligação. Abaixo havia um número de telefone, escrito com uma caligrafia elegante e impecável. Reli a nota várias vezes durante o trajeto para casa enquanto me perguntava quem ele era, e por que, entre todas as mulheres naquele clube, ele havia decidido me dar o número dele ou era provavelmente a forma dele de flertar com as mulheres no clube e quem não cairia diante de um garanhão desses? Cheguei em casa, o meu corpo ainda tremia enquanto o bilhete continuava no meu punho e de uma coisa eu tinha certeza: não conseguiria dormir naquela noite pensando naqueles olhos que me haviam olhado tão intensamente e na incerteza de ligar ou não para ele. Santo Deus, que coisas acontecem com você, Maria José! Julian Os dias se passaram e o meu nervosismo atingiu níveis máximos. Se eu já não dormia bem normalmente, agora dormia menos ainda porque uns olhos castanhos encantadores e grandes me atormentavam cada vez que eu fechava os meus. Eu tinha enviado um vodka e um bilhete com o meu número no que agora me parecia uma tentativa patética de contactar a misteriosa garota do clube, mas ela não tinha ligado. Joguei a minha caneta na mesa com frustração, esfreguei o rosto e levantei-me para olhar pela janela panorâmica que se estendia de parede a parede no meu escritório. Meti as mãos nos bolsos e fiquei contemplando a paisagem urbana, embora realmente não a visse. A minha mente estava em outro lugar, com outra pessoa. — Maria José. Pronunciei aquele nome que não conseguia esquecer. Uma qualidade que sempre tive é a de lembrar nomes, rostos e números. E quando algo me interessa, não esqueço facilmente. O que você tem que eu não consigo tirar da minha cabeça? Ou é que eu simplesmente não te interessei em absoluto? Era ridí*culo, eu sabia. Eu, Julian Marlow, CEO de uma das maiores empresas do mundo, que nunca persegui ninguém, estava aqui obcecado por uma mulher que provavelmente jogou o meu número no lixo assim que o recebeu. Mas havia algo nela, no seu olhar, no seu sotaque, na forma como ela corou quando nos conhecemos, que eu não conseguia tirar da cabeça. O comunicador tocou, interrompendo os meus pensamentos. Aproximei-me e apertei o botão para ouvir Liam, meu assistente. — Sr. Marlow, sua mãe está aqui e deseja vê-lo. Anunciou com aquele tom formal que sempre usava, embora eu pudesse detectar uma nota de advertência na sua voz. Esfreguei o rosto novamente e suspirei. Se a minha mãe estivesse aqui, só significaria uma coisa: drama desnecessário na minha vida. — Deixe-a entrar. Respondi, preparando-me mentalmente para o que viria. Teresa Marlow entrou como sempre fazia: elegante, sofisticada, cheirando a Chanel N°5 e com uma expressão que misturava reprovação e falsa doçura. — Julian, filho querido. Ela disse, colocando a sua bolsa Louis Vuitton na cadeira para se aproximar de mim e deixar dois beijos superficiais na minha bochecha. — Mãe. Respondi secamente. Não ando com rodeios. — Estou chateada, realmente chateada com você. Ela declarou, cruzando os braços. — Você me mandou dizer que estaria fora no fim de semana, não foi ao leilão beneficente nem ao jantar com os Montgomery. E do que eu fico sabendo? De que você não viajou e preferiu ir a um clube de má fama com o Thomas. Isso é inaceitável. Nem me abalei com a reclamação dela. Já estava acostumado a essas cenas. Sentei-me na minha cadeira e comecei a revisar alguns documentos, ignorando-a deliberadamente. — Já estou cansado de repetir que não vou ceder aos seus caprichos nem aos de Sandra. Disse sem tirar os olhos dos papéis. — Não me interessa o leilão, nem os Montgomery, nem nenhum desses eventos sociais onde tudo é dinheiro e aparências. Minha mãe começou a enumerar as virtudes de Sandra Blackwell, insistindo que ela era a mulher perfeita para mim, que vinha de boa família, que entendia o nosso status social, e mil outras coisas que eu já tinha ouvido centenas de vezes. — É bela, inteligente, de boa família... Ela continuava. — Chega! Exclamei finalmente, batendo na mesa com a palma da mão. — Não quero mais ouvir nada. Se você veio para isso... Estendi o braço e apontei para a porta, indicando que ele se fosse. A paciência nunca foi meu forte, e menos com ela. Como era de se esperar, Teresa mudou imediatamente de estratégia. O seu rosto transformou-se numa máscara de dor e ele levou uma mão ao peito. — Oh, meu coração... acho que preciso sentar. Murmurou debilmente.
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