Episódio 6

1217 Palavras
— E tem esposa, filhos? Perguntei, surpreendendo-me com a minha curiosidade sobre aquele homem. Rachel bufou, como se a minha pergunta fosse óbvia demais. — Segundo as más línguas, esse homem ou tem alergia ao romance e às mulheres, ou é gay. Apenas duas opções são consideradas. Estava prestes a perguntar mais sobre este enigmático CEO quando, de repente, as portas do departamento se abriram. Anderson e Bill apareceram, e todos prendemos a respiração. Os seus rostos sérios não prenunciavam nada de bom, e senti o meu coração parar por um segundo. Todos prendemos a respiração. — E? Perguntou Rachel, impaciente como todos nós. De repente, as expressões sérias de ambos se transformaram em amplos sorrisos. — Conseguimos! Exclamou Anderson. — Marlow ficou mais do que satisfeito com o relatório. Todos aplaudiram e comemoraram. Eu sorri, mas senti como se fosse murchar como um balão no meu assento. Não era inveja, mas a sensação de ter ficado invisível apesar do meu esforço. — E tudo graças ao nosso cérebro. Disse Bill, olhando diretamente para mim enquanto todos se viravam para mim. Anderson assentiu com entusiasmo. — Devo o meu cargo e a minha pele a você, María José. Declarou o meu chefe com sinceridade. Cobri o rosto com as mãos, envergonhada, mas secretamente feliz pelo reconhecimento. Não esperava que me dessem o crédito. Ao terminar o dia, Mike propôs ir comemorar num clube próximo. — Você vem, Maria José? Perguntou-me Bill com aquele sorriso que começava a parecer-me irresistível. Hesitei por um momento. Sextas-feiras à noite eu tinha aulas no Instituto de Línguas Modernas, onde estava aprendendo francês para melhorar o meu currículo. Não queria faltar, mas o olhar expectante de Bill e a oportunidade de me integrar mais com a equipe pesavam muito. — Não tinha planos importantes. Menti, decidindo que por uma vez podia faltar à aula. — Adoraria ir com vocês. Enquanto eu juntava as minhas coisas, Bill aproximou-se da minha mesa. — Sei que você tem aulas de francês às sextas-feiras. Ele sussurrou. — Rachel me contou isso. Não precisa vir se não quiser. Fiquei surpreso que ele soubesse esse detalhe sobre mim. Ele estaria perguntando? — Uma noite não faz m*al. Respondi no meu francês limitado, fazendo-o rir. — Uma noite não faz m*al. Bill caminhou comigo até a parada de ônibus depois do trabalho. Ele fazia piadas sobre os números que tínhamos revisado o dia todo e me perguntava coisas sobre a minha vida, como se realmente quisesse me conhecer além do trabalho. — Então você mora aqui há quatro anos? Ele perguntou enquanto esperávamos. — Você sente falta da Colômbia? — Às vezes. Eu admiti. — Sinto falta das cores, da comida, do calor das pessoas... mas encontrei o meu lugar aqui. Eu gostava muito dele, e tinha mais uma coisa: toda vez que eu estava perto dele, sentia algo no estômago, não sei, é estranho. Era algo que não me tinha acontecido nestes quatro anos que morava aqui. A única vez que tive uma paixão semelhante foi no ensino médio, quando gostava de um colega de classe. Mas isso parecia diferente. O que mais me surpreendia em Bill era seu interesse sincero nas minhas raízes. Pela primeira vez, alguém não me discriminava por ser colombiana; pelo contrário, parecia fascinado. — Adoraria visitar a Colômbia algum dia. Ele comentou. — Dizem que é um dos países mais bonitos do mundo. — Quando quiser, posso ser sua guia turística. Respondi sem pensar, e corei imediatamente. Quando chegamos ao ponto de ônibus, ele me perguntou se eu conhecia o clube onde nos veríamos naquela noite. — Chama-se Midnight Blue, fica na rua 42 com a avenida Park. Ele explicou-me detalhadamente. — Tem certeza que conseguirá chegar? — Não se preocupe, chegarei sem problemas. Assegurei a ele, embora nunca tivesse estado naquele lugar. Notava-se muito interessado em que eu fosse, o que aumentava os meus nervos. Não sabia que roupa vestir. O meu guarda-roupa era bastante limitado. Entre pagar o aluguel, a universidade e enviar dinheiro para minha família na Colômbia, roupa nunca tinha sido uma prioridade. Então fiz algo que jamais na minha vida pensei fazer: escrevi para Martina para perguntar se não lhe sobrava algum vestido que ela não usasse mais para me emprestar. Pensei que ela diria que ia ver o que encontrava, mas a resposta dela foi imediata e surpreendente: Te vejo em 15 minutos em frente à Glamour. Felizmente, eu ainda não tinha subido no ônibus. Dei meia-volta e caminhei em direção àquela loja que ele havia me indicado. Martina já estava me esperando lá fora, encostada no seu luxuoso carro esportivo vermelho. — O que estamos fazendo aqui? Perguntei confusa quando cheguei. — Vamos comprar o melhor vestido da loja para você. Ela respondeu com um sorriso cúmplice. — Oh, não, não, não. Recusei rotundamente. — Só te pedi se você tinha algo para me emprestar, não posso aceitar que você me compre roupas. — Pelo menos me ajude a escolher um vestido então. Ela insistiu. — Esta noite tenho um evento importante e preciso da sua opinião. Eram puras mentiras e ambas sabíamos disso, mas como dizer não a esta garota que me conseguiu o melhor trabalho da minha vida? Então entramos na loja, onde os preços nem sequer estavam visíveis (m*au sinal). Martina me fez experimentar um monte de roupa, desde conjuntos caríssimos até conjuntos mais casuais. Finalmente, ela tirou um vestido prateado que me deixou sem fôlego: era muito revelador e se*xy, com um decote pronunciado e uma fe*nda lateral que ia até o meu quadril. — Nem louca eu coloco isso. Protestei do provador. — Saia para que eu a veja. Ela ordenou. Quando saí, a expressão dela disse tudo. — Você vai usar este vestido esta noite. Ela sentenciou. — Eu pagaria uma fortuna para ter as suas curvas, os seus quadris, a sua bu&nda e as suas pernas grossas. Você é muito sensual e nem percebe. Me olhei no espelho de corpo inteiro e vi o que ela via: uma mulher com curvas proeminentes vestida com um vestido que as realçava ainda mais. Durante anos, complexei-me por causa do meu traseiro exagerado e das minhas pernas grossas, traços típicos de muitas mulheres colombianas, mas que aqui pareciam fora de lugar entre tantas garotas magras. — Os homens olham para você na rua e você nem percebe. Continuou Martina enquanto ajustava o vestido. — Esta noite você vai deixar todo mundo de boca aberta. Ela apenas sorriu enigmaticamente. — Meu irmão precisa de uma mulher como você. Ela disse mais para ela do que para mim. Não entendi bem o que ela quis dizer com isso, mas antes que eu pudesse perguntar mais, ela já estava pagando o vestido e outros acessórios. Me senti desconfortável, mas ela insistiu: considere isso um investimento. Às vezes, Maria José, é preciso aproveitar as oportunidades que surgem, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. Saímos da loja com mais sacolas do que eu jamais tive nas mãos. Ela me levou para casa, enquanto no caminho eu contei tudo o que tinha acontecido nesta semana e ela gritou como uma criança pequena. Depois de me deixar em frente à casa da senhora Peterson, despedi-me dela agradecendo por tudo. Ela só me disse: aproveite, Maria José, você merece.
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