❝Durante algum tempo, isso eu nunca te disse, senti raiva da sua covardia. Me senti meio traída com a sua desistência. Parecia que estávamos jogando xadrez e você abandonou a partida ainda no começo, sem mexer nenhuma peça.❞
— Clarissa Corrêa
"Mas você segura seu orgulho como deveria ter me segurado, mas eu colocaria minha armadura para baixo se você dissesse que prefere o amor ao invés da luta"
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Amaya narrando:
Ainda naquela noite:
Caminhei com minha mãe até as mulheres que haviam chegado no acampamento, ela me olhou e sorriu colando o cabelo atrás da orelha andando mais a minha frente.
Tem sido dias difíceis, mas eu tenho segurado as pontas. Durante o dia é só sorrisos, e me orgulho em não serem todos falsos, tenho passado mais tempo com Margarida minha irmã parece amenizar o furação com suas descobertas de crianças.
Mas, a noite no meu quarto antes de dormir eu desabo em lembranças e esperança de que tudo isso seja um sonho, eu desabo em silêncio, em palavras não ditas, ainda faz frio lá fora lá fora e chove aqui dentro, sinto uma raiva me consumir e uma dor rasgar meu peito, mas eu digo para minha mãe que é só cansaço dando de ombros.
Eu queria desabar e ter onde cair, por que com quem eu podia desabar mentiu para mim durante anos.
Sinto falta dela, na verdade não tem sido fácil dar um gelo nela, por mais que fosse necessário um tempo para processar tudo, um tempo dela significou comer a comida de Freya, meus dentes ainda doem por tentar mastigar aquele pão tão duro como uma pedra e uma sopa com gosto de areia, sei que é com amor mais ela é r**m demais, afinal não podemos ser perfeito em todas as áreas.
Sério, não sei como ela consegue ser tão r**m no preparo de comida, então voltei a cozinhar e fiz um ensopado para mim, eu gostei me ocupou um pouco. Paramos em frente ao a elas, a mais baixa era bastante robusta, sua pele era como a minha apenas um pouco mais escura a mais alta fechou a cara ao me ver, tinha cabelos azuis.
A baixinha tinha seus olhos cheios de lágrimas andou até mim, a outra cruzou os braços percebi que evitava me olhar.
— Enfim, te achei. — Ela me abraçou tão forte que pude ouvir meus ossos estalando, fiquei presa em seus braços que seguravam forte ao redor de mim. — Você se parece tanto com a Miranda que parece que estou vendo ela.
Me surpreende, ela me largou saído do abraço. — Quem são vocês?
Ela me olhou nos olhos. — Arabela e Dalila! Éramos amigas da sua mãe. Mas, você não sabe disso minha criança.
— Como me acharam? — Levantei as sobrancelhas me afastando.
— Cuidadosa e desconfiada como a mãe. — A que estava perto do cavalo preto retrucou sorrindo, com as mãos sobre o vestido branco. — Nós vamos lhe contar tudo que quiser saber mais antes nos deem comida. — Ela tirou a luva roxa das mãos, arqueando as costas. — E tome um banho!
Que grossa, sabia que não estava cheirando a rosas mais tinha acabado de sair do treino mais ela precisava dizer isso. Uma chuva ressoou pelas nossas cabeças, mamãe foi chamada para ajudar Lia. Me virei para ir até meu quarto tomar um banho quando Arabela andou ao meu lado.
— Perdoe a Dalila, quase mil anos e ela não sabe como socializar com os humanos.
Eu arregalei meus olhos, coçado minhas sobrancelhas com o polegar. Crianças passaram entre nós elas paravam abrindo a boca para tomar água da chuva, esticando as pequenas línguas rosadas. Elizabete gritava atrás dela tentando devolve-las para os pais após mais um dia de treino seu rosto tinha tinta de tulipas azul na testa e um pouco na bochecha reparei.
Porém não me esquecendo do que Arabela acabará de dizer. — Vocês tem mil anos? Minha mãe quantos anos tinha? — Deixei a água da chuva recorrer sobre meu corpo, mas ela continuou andando e eu a levei até minha tenda.
Depois de me arrumar as pressas, coloquei um velho vestido de Freya. No acampamento não tínhamos muita roupas e nem tempo para faze-las então compartilhávamos bastante, dei um espirro ao sentir que meu cabelo molhado, precisaria enxugar.
Ou então teria que achar um jeito de conter minhas crises de vinte espirros consecutivos, ou mais. Arrebitei meu nariz passando um pano grosso em meu cabelo, quando cheguei a parte da tenda que estavam Arabela e Dalila, elas brigavam por alguma coisa.
— Por isso que m*l consegue se levantar, admita você comeu todas as batatas.
—Ora por por favor, Dalila, coma seus tomates quieta e... — Arabela se virou para mim, um pouco sem graça.— Me desculpe, criança não sabia que estava aí.
— Oh, então não gostaria que ela soubesse que você é uma ladra de batatas, ladra de batatas!
Dalila falou com uma voz cômica, depois subiu na cama com um bata no garfo, o que parecia ser a última, prontamente Arabela pegou um dos tomates sobre o prato na mesa e os jogou em Dalila que saltitou, o tomate se espatifou no chão. Eu me enfureci com as duas, pareciam minha irmã de nove anos sua amiga brigando.
De repente, a franja de Dalila foi ficando ruiva, assim como todo seu cabelo de azuis foi para ruivo cor de fúria. Eu me assustei jogando o pano para longe, ela deu língua. Prendi o riso achando aquilo tão infantil aquelas eram as mulheres que sabiam tudo sobre mim?
Arabela ergueu uma das pernas curtas que tinha erguendo os pés até o alcance das mãos para tirar os sapatos, Dalila mordeu a batata ao gritos caçoando dela parou em minha frente pulando, foi tão rápido que eu nem me esquivei quando Dalila abaixou levei uma sapatada na cara, senti meus lábios incharem na hora, dei um passo para trás o impacto.
— Já chega! — Eu gritei irritada, enfiei os dedos no meu cabelo que agora estavam úmidos. — Parem já com isso, onde está minha mãe?
— Ela foi colocar aquela coisa pequena e tagarela para dormir. — Franzi a testa sem entender, ela me olhou de lado com a mão no colocar com pingente azul que tinha pendurado no pescoço. —Sabe? A mini humana. — Ela apontou para mim, mastigando a último pedaço da batata que segurava.
Arabela bufou, com os dedos tamborilando sua própria testa. — Quantas vezes vou ter que dizer que ela é uma criança. Apenas uma criança! — Ela revirou os olhos para Dalila que continuo com o rosto de birra, e olhou para mim. — Me desculpe pelo sapato, algumas pessoas sabem como me tirar do sério!
— E sempre são as pessoas que nós mais amamos. — Dalila retrucou sarcasticamente, sentando sobre a cama.
— Não importa. —Tirei a cadeira da mesa e arrastei fazendo um pequeno barulho do chão da tenda, sentei sentindo minha testa latejar um pouco. Passei a mão pelo rosto, sentindo latejar, a parte adormecida tinha agora uma dorzinha pequena. — Espero que não fique a marca.
Nós encaramos em silêncio até, Dalila soltou uma gargalhada, eu relaxei meus ombros e rir de verdade, Arabela soltou uma risada alta no mesmo instante.
Limpei a garganta, deixando um sorriso entre aberto no rosto. A partir daquele milésimo de segundo parecia que eu estava entre amigas, cocei a bochecha olhando para o cabelo de Delaila ficar roxo.
— Por que sei cabelo muda de cor?
— Que? — Ela tocou no cabelo.— É só impressão sua.
— Apenas seja sincera, minha criança o cabelo dela muda de acordo com sua emoções. — Assim como a cor dos meus olhos, agora ela está feliz! — Ela balançou a cabeça. — Sempre ficamos violeta quando estamos felizes.
—E por que? — Perguntei curiosa, com medo de fazer as perguntas reais. Me encostei perto da vela sobre a mesa.
Ela revirou os olhos, cruzando as pernas sobre a cama que estava sentada. — Isso não é importante. — O que importa é que achamos você. —Ela tentou sorrir e foi super estranho, então parou na mesma expressão inexpressiva de sempre. — A única nascida da luz, metade humana, metade luz. A única capas de destruir Yanna.
Engoli seco, sentindo um frio na barriga, tentei afastar esse pensamento e ser forte, pisquei bastante em fração de segundo.
— Sobre isso, minha mãe me disse que ela foi aprisionada. Como sabem que ela vai sair de lá?
— Minha criança, nada na vida é certo para sempre. Nós estávamos lá quando sua chegada foi inserida no livro de laos.
Um pesado ficou sobre a tenda naquele instante, meu coração acelerou. Olhei para Dalila que tinha suas mãos juntas uma na outra com os olhos fundos, como se a lembrança de algo r**m a tomasse.
— Até a explosão mais grande um dia acaba em cinzas.
Arabela cruzou as mãos continuando. — Isso aconteceu por que nós as filhas da luz fomos corrompidas pela maldade humana, nós perdemos graduativamente nossos poderes, até não restar mais nenhum resquícios dele em nós.
— Mas, laos é bom demais para vocês... — Senti um desdém na voz dela, Dalila voltou a sorrir agora olhando para mesa. — Ele disse que uma de nós teríamos uma filha, e essa menina seria a única capaz de derrotá-la de uma vez por todas.
— Então, o que eu preciso saber? Não uso meus poderes, tenho medo de ...— Disse gesticulando com as mãos de forma afobada.
— Aí está, você tem medo! — Arabela se levantou se aproximando de mim, pude ver uma mancha de tomate em seu queixo largo. — Nunca vai controlar algo que não aceita, acha que não percebi como essas pessoas olham para você. Elas tem medo de você, e de certa forma te fizeram ter medo de si própria. Você é uma filha da luz por que me ouviu te chamar, nós podemos ouvir umas as outras.
— Não é isso, só não quero machucar ninguém. — Comprimi meus lábios, com os braços deitados sobre o colo e mesmo com o vento frio, pude sentir minhas mãos soarem. — Você não sabe como é, não consigo controlar. Nós estamos aqui pra te ajudar...
— Você precisa aceitar seus poderes, eles fazem parte de quem você é. — Dalila falou, brava, a voz meio abafada querendo controlar alguma sinceridade muito alta.
— Você não pode fugir disto, acredite. — Ela apontou para si mesma. — Estou fugindo há tanto tempo, que já não me encontro mais, aceitar isso não significa que você vai deixar de ser quem é, ou não vai ser feliz. A felicidade em aceitamos quem nós somos, embora isso doa ou queime. — Ela se inclinou em minhas mãos. — Querida, você é tão poderosa que nem imagina. Ainda tem tanta coisa que você precisa aprender...
Eu respirei fundo, senti-me em paz. Fechei meus olhos por um instante, ''Aceitar.'' Era isso que eu precisava, aceitar todo aquele poder que foi dado a mim, a final estava em meu destino. Quando abri os olhos Dalila estava chorando, Arabela não.
— Não precisa chorar, eu entendi .
— Não é isso...— Seu queixo tremeu. — É que eu realmente queria ter comido mais batatas...— Ela colocou a mão na barriga como se estivesse com fome.
Meu seu olhar triste me dizia que não eram sobre as batatas, eu sorrir e me sentei ao meu lado. — Está tudo bem, eu vou pegar mais batatas. Não se preocupe.
Arabela balançou a cabeça sorrindo largo. — E assim como outro pelo fogo vais passar. E o que tens de melhor o fogo vai revelar.
Naquele momento me lembrei dos pesadelos, e se elas sabiam algo sobre eles. Mas, não queria arruinar aquele momento que de certa forma iria me marca.
— Isso é lindo! — Sibilei, meus olhos cintilaram ao pensar em como
Ela disse baixinho segurando o choro. — Sua mãe costumava dizer isso, ela era incrível. — A manga longa do meu vestido estava encharcados com as lágrimas geladas de Dalila, aquele momento ficou tão estranho que eu quase chorei junto.
Mas, me assustei com Aron segurando Margarida nas costas, ele interrompeu a entrando, como ele sempre fazia sem avisar.
— Quem são vocês? — Ele olhou confuso.
— Ah... É uma longa história.
Eu olhei ao redor, passei a mão pelo cabelo. Como explicar o que ela tudo aquilo? Todos no acampamento já sabiam o que eu era, alguns não acreditaram outros não levam a sério. Não os culpo, como os anciões escondiam histórias do mundo para toda nossa geração era difícil acreditar que havia algo maior do que Safiro.
Esse fato só aumentava o medo de que nós não estivéssemos prontos para o que está por vir.
Dalila enxugou os olhos, fez um biquinho cruzando as pernas.— Se soubesse que morava perto de homens tão bonitos eu havia vindo a muito mais tempo. — Prontamente disse baixinho olhando para Aron.
— Bom, eu não trago boas notícias, é melhor dizer de uma vez, Lia faleceu. — Margarida, comprimiu os lábios baixando os inferior, me levantei chocada. Peguei ela no colo, fazendo carinho em seu rosto. — Sua mãe fará a cremação em algumas horas, todos vão achei que quisessem se juntar a nós.
— Oh, eu sinto muito. — Dalila descruzou as pernas, cobrindo o decote.— Pobre rapaz, ela era sua esposa?
Arabela revirou os olhos, eu arregalei os meus entendo seu jeito manso de falar era um flerte. Arquei minha sobrancelha em reprovação, ela sabia ser absurda e inapropriada as vezes.
Aron apertou os olhos castanhos sem entender, passando a mão em seu queixo que agora carregava um cicatriz, suas mãos pararam ali coçando o mesmo, entre sua barba rala com fios ruivos. — Não sou casado, enfim, tenho que ir ajuda a cavar o buraco.— Ele se virou para minha frente. — Só vim deixar Margarida aqui...
Ele se virou, Margarida bocejou e bateu as pernas olhando para mim com os olhos entre abertos. — Me leva para cama e conta uma história nova para eu dormir.
Eu sorri. — É claro que sim...
''Uma história nova.'' Eram o que as crianças sempre pediam, nós sempre contávamos as mesmas. Até menos sobre as fadas que nos rendiam milhões de histórias, mas ela sempre pediam uma nova, infelizmente minha mente não andava muito no departamento da imaginação.
Arabela entortou a boca e veio até mim, com os olhos brilhando. — Me deixe fazer isso! Por favor? Conheço milhões de historias novas? — Ela juntou as sobrancelhas.
Olhei para Margarida que já estava dormindo em meus braços. — Sim, se não se importar.
— Ah, ela não se importa. Arabela adora crianças, acho que se identifica com o jeito delas. — Dalila falou andando pela tenda, eu sorrir e dei a Arabela que a pegou no colo a aconchegando em seus braços, Margarida colocou o polegar na boca.
Apontei para escadas mostrando onde ela dormir, e para lá Arabela a levou cantarolando uma música que nunca ouvi, mas surpreendentemente ela tinha uma linda voz.
— Então, você acha que tenho chances com o ruivinho?
— O que? E como vou saber? — Dei de ombros. — Você tem noção que essa não é a hora para isso certo?
Eu saí caminhando e ela ficou ao meu lado.
— Aí meu Deus, não! Eu fiz de novo não fiz? —Ela bateu do lado da cabeça, e mordeu os lábios.— Fui indiscreta e inadequada?
— Sendo sincera, foi bastante.— Cruzei meus braços, andando olhando para ela de lado.
— Aí malditas emoções humanas.— Ela ficou murcha, parando de andar se virou voltando para tenda.
— Ei, o que houve? — Dei um passo para trás, ficando em sua frente, tocando em seu ombro para que ela parasse.
— Nós não temos controles sobre nossas emoções, criança! — Ela bateu em minha testa, seu cabelo ganhou a cor de um azul cor de sangue, cobrindo o violeta. — Deveria ter me mandando calar a boca. Nós não temos filtro, não temos essas coisas que vocês chama de ''noção.''
Ela deu um passo, seu ombro deu um encontrão com o do ancião que passou andando devagar ao nosso lado, ele quase caiu mas se inclinou reto. Ela pediu desculpas uma mil vezes. Por uns minutos, até que ele andou para longe de nós deixando ela falando sozinha.
— Viu o que acabou de aconteceu? Senti tanta culpa que quase o sufoquei com tantas desculpas. Nós não sabemos como controlar nossos sentimentos... — Ela juntou suas mãos. —Me prometa que vai me manter longe de confusão, Arabela é sociável de alguma forma ela sabe como ser uma de vocês. Mas, eu não.
Eu não podia rir, mas seu desespero era dramático. Eu balancei a cabeça, sorrindo, ela sorriu de volta.
— Ótimo, agora vá pegar mais batatas na cozinha. Você prometeu. — Ela levantou o dedo indicador. — E filha da luz sempre cumpre o que promete.
Respirei fundo. — Então, terei cuidado com o que prometerei de agora em diante.
— Vá logo. Irei até a fogueira promete ficar calada. — Ela entortou a boca, passando a mão na testa. — Ao menos que aquele ruivo venha falar comigo.
Revirei os olhos, sorrindo. — Está bem! Irei, até a cozinha. Tente se comportar ok?
Ela balançou a cabeça, ajeitando o vestido de forma engraçada, dando dois pulinhos batendo os pés de lado como se estivesse tentando tirar a poeira do corpo ou uma tentativa de dança. — Eu não prometo nada.— Sibilou, se virando para grande fogueira no centro do acampamento.
Eu rir e me virei andando até a cozinha, pensei em Lia nesse curto período. Nós de Florença acreditávamos que a morte era algo bom, claro que não para os que ficam vivos mais para aqueles que vão para o céu, onde cachoeiras, onde os três sois sempre brilharam. E laos os recebera, junto com shay a deusa do amor e todos seus filhos.
Não éramos amigas, mas iria fazer falta, por outro lado ela estava bem. Quando entrei na tenda dos mantimentos, minha boca secou e meus olhos não podiam acreditar no que eu vi, Julian estava beijando Elizabete, meu coração gelou.
Franzi minha testa em nojo, cruzei meus braços torcendo para que o fervor no meu sangue não atingisse a minha pele.
— Atrapalho? — Disse alto, os dois se afastaram no susto.
— N-não é claro que não.— Julian se afastou dela, e me olhou. Incrivelmente, lindo, seus olhos levemente puxados me encararam, quase pedir o ar.
Me recompus. — Não vou demorar muito tempo, só vou pegar umas batatas. Afinal, isto é a cozinha e não a tenda de um de vocês para ficarem aos beijos.
Minha boca se fechou, e eu me senti patética, esse era o resultado de deixar a raiva falar. Andei a até o cesto de legumes e os coloquei na cesta, Elizabete saiu de fininho e eu sai logo e pus duas batatas descascadas e assadas no prato, Julian me segui.
— Amaya, Amaya! Espera. — Ele segurou em meu braço.
— Esperar o que? — Juntei minhas sobrancelhas, sentindo-me tão nervosa que poderia atear fogo nessa floresta inteira só de raiva, respirei fundo. — Se veio aqui me dá explicações, sinceramente não precisa. — Segurei o prato sobre a cintura com a mão esquerda, passei a direita entre os meus cabelos, colocando uma mecha para trás da orelha. — Tenho coisas mais sérias para me preocupara agora.
Ele me soltou, dei passou pequenos na esperança que ele dissesse alguma coisa. Se explicasse! Sei lá, dissesse que meu beijo era melhor e que talvez, só talvez ele queria ir além... Mas, nada, ele já tinha ido embora quando me virei.
O que estava pensando? Aquele beijo é algo que já está na hora esquecer por mais que no fundo do meu coração eu sinta uma dorzinha por não ter acontecido nada, pelo menos eu tinha a mim mesma e a mim mesma eu podia ser sincera...