10

1472 Palavras
Quando as portas do elevador se abriram, o olhar de Mikhail pousou em Anancy. Trajada de um vestido preto com o b***o marcado, alças largas para não deixar seus ombros muito a mostra, a saia em corte gode e um blazer por cima dos ombros, fez ele sorrir de canto e pensar, que tudo que ela tinha de profissional e elegante, ela tinha de sexy. – Williams – ele se aproximou para recebê-la. – Reznikov – os olhos dela analisaram o moreno. Calça preta de alfaiataria, camisa social branca com as mangas dobradas até o cotovelo, o cabelo bem penteado para trás, e nos pés... Meias e pantufas. – Você está linda, como sempre – estendeu a mão pra ela, ajudando-a a descer os dois degraus que tinham em sua sala. – Obrigada – ela olhou para ele – você também está... bonito – lutou contra a própria vontade de dizer que ele estava um pedaço de mau caminho, um poço de perdição e de tudo um pouco. – Obrigado – ele indicou que seguissem em direção a cozinha, e ela assim o fez. A mesa previamente arrumada por ele estava impecável e o cheiro da comida divinal. – Eu fiz bife com legumes – ele puxou a cadeira pra ela. – Você cozinhou? Melhor ainda, você cozinha? – questionou genuinamente interessada. – Eu falei que tratava do jantar – deu de ombros e foi pegar a comida. – Espero que esteja do seu agrado – posicionou a comida na mesa e serviu duas taças de vinho. Ela deu a primeira garfada ainda temerosa, mas o sabor da carne no ponto perfeito, a fez quase soltar um gemido de satisfação. Olhou para ele ainda desacreditada pela existência de tais dotes e voltou a enfiar uma porção da comida na boca, sentindo suas papilas gustativas agradecerem tal gesto. – O que achou? – a questão fez com que ela voltasse a levantar o olhar na direção dele. – Devo admitir que isso está muito bom – confessou de forma singela, arrancando um sorriso genuíno de Mikhail. – Fico feliz que tenha gostado – ele levou a comida até a boca. Anancy se recompôs da surpresa inicial, e então lembrou do motivo que havia a levado até lá. – Eu pedi pra falar com você poque tenho uma proposta – assumiu sua postura negociante. – E se reformulássemos aquela zona industrial esquecida perto de Kazan? A infraestrutura existe, mas está adormecida. Podemos transformar aquilo num polo logístico moderno… discreto, lucrativo, e bem posicionado. Mikhail que escutava com atenção balbuciou – Kazan, hmm… você tem observado mais do que dá a entender. – Sempre, mas só mostro quando vale a pena – ela deu de ombros. – E o que exatamente você propõe? – levou a taça de vinho a boca. – Eu entro com o plano de revitalização, seleção de parceiros locais e análise de risco, você entra com o capital e as conexões certas. Metade dos lucros. Nada público demais, tudo limpo e elegante. – Elegante… como você – ele a analisa com certa admiração, não era todos os dias que charme, beleza, inteligência e sagacidade se juntavam em um só corpo. – Foque no projeto, Mikhail – Anancy desviou o olhar e levou um pouco de comida a boca. – Impossível, quando a proposta vem nessa embalagem – retrucou. – Eu pensei que você fosse bom a separar as coisas – voltou a olhar para ele. – Sou. Mas com você, é sempre pessoal e brilhante ao mesmo tempo – sustentou o olhar, até que Anancy o desviou. – Então? – ela voltou a puxar pelo assunto principal da noite. Mikhail fez uma pausa. – Vamos ver esse plano. Se for tão bom quanto o seu olhar agora… temos um acordo. Um sorriso preencheu o rosto de Anancy e ela se focou em terminar sua refeição. Mikhail por outro lado, vez ou outra olhava para a mulher do outro lado da mesa, seus cabelos cacheados presos em um coque, favoreciam sua visão, permitindo que ele pudesse gravar cada mínimo detalhe daquela perfeição. Os traços delicados e os lábios rosados, seus olhos castanhos cor de mel que pareciam hipnotizá-lo e comandar todos os seus desejos, o queixo delicado, o pescoço mais chamativo que ele já havia visto... Suspiro. Como aquela mulher conseguia se impregnar daquele jeito nos pensamentos dele? Era o que ele mais queria saber. – Reznikov? – Anancy chamou, mas ele não escutou, sua mente apenas viu quando ela moveu os lábios de forma tão chamativa, quase provocativa – Mikhail – ela repetiu, e dessa vez teve a sorte de conseguir chamar a atenção dele. – Detka – ele respondeu m*l recobrou a sanidade. – Tá pensando no quê? – perguntou confusa após largar os talheres no prato já vazio. – Estava só me perguntando o porquê de só agora você aceitar fazer um projeto comigo – disse uma meia verdade, já que ele realmente ficou curioso quanto a isso, só não era o foco dele naquele instante. – Talvez porque só agora eu tenha sentido que realmente era digna de trabalhar com você – ela deu de ombros, enquanto ele notava que tal como ela, sua refeição havia acabado. – Eu vou pegar a sobremesa – avisou se levantando – mas me diga, como assim digna de trabalhar comigo? – indagou curioso, enquanto tentava pegar o prato dele e de Anancy. – Eu ajudo – ela se levantou e pegou no próprio prato. – Não se preo... – ele ia terminar, mas desistiu após a olhada que recebeu da mulher – está certo – levantou os braços em rendição e deixou a dama ajudar. – Não é só acordar e levar um projeto para um homem de negócios como você, antes eu era só uma garotinha tentando a sorte, depois virei uma jovem que estava seguindo seus sonhos, e só agora eu sinto que me tornei uma mulher próxima da realização profissional que tanto almejava – levou a loiça para o lava louça. – Mas eu mesmo pedi pra fazer um trabalho com você – ele cortou dois pedaços de Medovik. – Não podia arriscar destruir sua reputação – ela deu de ombros. – Tá bom, entendo – ele assentiu, mesmo em sua cabeça desconfiando que o real motivo fosse mais forte do que só aquele, só não ousaria expor tais pensamentos naquele momento – podemos sentar na sala se você quiser – propôs. – Claro, sem problema – deu de ombros. Seguiram para a sala e se sentaram no sofá. A vista era para a cidade de Londres, as luzes brilhantes e o movimento, contrastavam com a calmaria naquele apartamento, os olhos de Anancy estavam vidrados naquela visão, até que ela olhou para o lado e percebeu Mikhail distraído com o bolo. – Vendo assim, nem parece aquele homem que muda o ambiente logo que chega e coloca quase todo mundo tremendo – ela comentou provando o bolo de mel. Um sorriso mínimo surgiu nos lábios dele. – De um jeito bom ou mau? – ele questionou como se não soubesse o quanto sua presença deixava algumas pessoas temerosas. – E existe um jeito bom de deixar alguém tremendo? – ela arqueou a sobrancelha. Em resposta Mikhail também arqueou a sobrancelha, como quem pede para que ela mesma pensasse uma resposta sobre isso, o que não demorou a acontecer e ela corou ao lembrar do outro jeito de "tremer" que ele estava se referindo. – Eu adoro o jeito como seu cérebro funciona – ele riu. – Agora me lembrei do meu sapato – ela voltou a comer. – Eu devolvo, mas antes preciso de uma resposta a uma dúvida séria – ele largou o prato na mesinha de centro – porquê você fugiu de mim logo pela manhã? Ela ajeitou sua postura. – Eu já falei, tinha trabalho por fazer – ela deu de ombros – não pense demais nisso, não foi grande coisa não é? – ela tentou se convencer disso mas falou miseravelmente. Em resposta ele a puxou levemente pra si e seus lábios se tocaram, foi um beijo suave com sabor a mel, os dois estavam esperando tanto tempo por aquele beijo e nem sabiam. Quando se afastaram, os dois se olharam ofegantes, os corações batendo descompassados e a vontade de voltar a aquilo estava mais forte. Anancy foi quem cedeu e voltou a beija-lo, com mais vontade, mais desejo, como se suas vidas dependessem dos lábios um do outro e naquele momento talvez dependesse. Anancy se sentou no colo de Mikhail e o beijo que começou com doçura agora era voraz. Os lábios de Anancy buscavam os dele com fome, e Mikhail respondia com a mesma urgência, como se algo neles tivesse sido reprimido por tempo demais — e agora não havia mais freio.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR