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1715 Palavras
O escândalo de Arthuro rapidamente se espalhou pela cidade, o empresário até tentou pedir ajuda a alguns colegas de profissão mas nenhum ousou abrir sua porta, temendo que sua desgraça respingasse neles e algo similar acontecesse com seus empreendimentos. Desgastado e sem saída, Arthuro passou o último dia se afogando em álcool com intenção de esquecer seus problemas, estava tudo dando errado e nem aquele que havia o convencido a provocar Mikhail, se mostrava disposto a ajudar, pelo contrário, secretamente pretendia eliminar aquele peão que estragou seus planos ao revelar quem ele era. Quando a porta do apartamento foi aberta, Cameron não conseguiu nem se levantar para se defender ou ter uma reação adequada a invasão. Não faziam nem 48h desde que havia perdido tudo e seu apartamento já estava uma imundície, com garrafas de bebidas jogadas pelo chão e objectos quebrados no momento de extrema raiva. — O que vocês querem aqui? Quem são vocês? — Arthuro olhou para os homens que entravam em seu apartamento. — Olá senhor Arthuro, teríamos batido na porta, mas no estado em que se encontra, dúvido que tivesse conseguido abrir — Dmitri respondeu após ser o último a adentrar o local. — Você — Arthuro se levantou com dificuldade e apontou para ele — seu chefe mandou você vir zombar de mim? Hã? — cambaleando tentou se aproximar, mas tropeçou em seus próprios pés e quase deu de cara com o chão, sendo aparado por Dmitri. — Tenha mais cuidado — tentou ajudá-lo a ficar de pé. — Me solte — Cameron afastou as mãos de Dmitri, m*l conseguiu ficar em pé sozinho — fale para o seu chefe que eu irei matá-lo, isso não irá ficar barato, vocês não sabem quem eu sou, não sabem com quem estão mexendo — os gritos que ele dava, eram acompanhados de saliva e um dedo apontando para os 3 homens ali presentes. Sem resposta verbal, Arthuro recebeu uma coronhada e caiu no chão, dessa vez sendo propositalmente ignorado por Dmitri que olhou para o autor da coronhada. — A voz dele é irritante — Igor respondeu em russo, guardando sua arma no coldre e se agachando para olhar de perto o corpo do homem. — Ele ao menos está vivo? — Oleg perguntar cruzando os braços. — Vivinho da silva — Igor declarou após sentir a pulsação do homem caído. — Óptimo, agora carregue ele — Dmitri falou se virando. — Ei, não vai me ajudar? — Igor pergunta indignado. — Porque? Eu teria pedido educadamente que ele nos acompanhasse, mas você apagou ele — ele dá de ombros sem realmente se virar para olhar seu companheiro. — Educadamente uma ova — o mais novo do grupo murmurou enquanto puxava o corpo de Arthuro para tentar colocá-lo de pé. — Oleg me ajuda aqui — falou enquanto tentava ajeitar o braço do homem em seus ombros. — Vá lá, aproveite sua vitalidade, sua juventude, você têm força garotão — Oleg deu dois tapinhas no ombro de Igor que se desequilibrou um pouco e deixou cair o homem no chão. — Uh, ele vai sentir isso quando acordar — fez uma careta — boa sorte — e seguiu também para fora do apartamento. — Mas que folgados — Igor olhou desacreditado para a porta e revirou os olhos para a dupla, mas no final das contas ainda levou Cameron Arthuro pela entrada dos fundos do edifício e só então obteve ajuda para colocá-lo no carro e partir. ••• Do outro lado da cidade, Anancy adentrou a propriedade de seus pais e de longe já sentia o cheiro de churrasco e podia também ouvir as risadas dos presentes, bem, o segundo ponto não era difícil, principalmente porque sua família era extremamente escandalosa. — Não pode deixar a carne queimar — ela ouviu a voz de sua irmã Asha, mas não percebeu a quem ela se dirigia, até ouvir a voz de seu irmão mais velho e segundos depois os ver. — Eu sei o que estou fazendo tá — ele retrucou parado em frente a churrasqueira. — Não parece — eu falei só pra provocar e chamar a atenção. — No final você estará lambendo os dedos — retrucou enquanto lançava um olhar de desafio para Anancy. — Você se ilude muito fácil — devolveu e ele revira os olhos em resposta. — oi família — falou enquanto abraçava sua mãe e acenava para sua cunhada e para Asha. — Olá filha — sua mãe sorriu retribuindo o gesto de carinho. — Como você está? — indagou interessada. — Eu estou óptima — sorriu — Patrícia minha querida — se aproximou da cunhada e um abraço foi trocado por elas. — Cadê minha sobrinha? — Saiu com o tio, o avô e a tia — Patrícia respondeu sorrindo — vai, sente aqui e me conte todas as novidades. Apontou para a cadeira de lado e a mais nova se sentou nela. A conversa entre as mulheres da família começou animada e até passou a ser sobre provocar seu irmão mais velho e sua carne, recebendo reclamações do mesmo, que para sua sorte logo teve a companhia de seu pai e seu irmão que voltavam de comprar mais bebidas. Duas horas se passaram entre o clima leve de família, Anika, a sobrinha de Anancy, corria pelo jardim energicamente e Ayana tentava acompanhar os passos da menina de 05 anos. Todos estavam entretidos em uma conversa qualquer sobre melhoria de vida e oportunidades, quando Anancy olhou seu irmão gémeo adentrar a casa e viu nesse acto uma oportunidade pra falar com ele a sós. Seguiu para dentro e na cozinha encontrou sua versão masculina pegando uma cerveja no freezer. — Ei — depositou um tapinha no ombro dele. — Ei — ele abriu sua cerveja e deu um gole — quer me dizer alguma coisa? — questionou curioso. — Na verdade... — deu um tapa no braço de Asani, depois outro, e outro, e mais um, até que ele se afastou reclamando. — O que foi que eu fiz? — esfregou o braço. — Você quebrou nosso acordo Asani, como pôde? Ele a encarou confuso. — Do que você está falando? — perguntou. — Uma das minhas melhores amigas? Sério? Com tanta mulher nessa cidade Asani — ela cruzou os braços indignada. — Você está falando... — ele m*l termina a frase e já coça a garganta. — Admita, fale. — Okay, eu sei que eu prometi e eu estava cumprindo Any, eu juro que tentei, mas não deu, primeiro foi um deslize e quando dei por mim estava viciado naquela mulher — soltou tudo de uma vez. — Você ao menos gosta dela? — Eu a amo — confessou, e Anancy atregalou os olhos. — Olha, entre eu e ela não começou certo, eu sei, mas a cada instante eu fui me apaixonando mais e mais por ela, eu gosto verdadeiramente dela Any. — Então por que vocês viviam nessa droga de segredo? Por que você não fala pra ela isso? Ele soltou uma risada baixa, sem humor. — Porque ela não sente o mesmo por mim — ao falar isso, Asani passou a mão pelo cabelo. — Eu não sou o tipo ideal dela e fui só uma aventura que não deveria ter acontecido — sorriu com pesar — desculpa ter quebrado o nosso acordo maninha — e ele saiu em direção ao jardim. — Sani — olhou seu gémeo sair e suspirou derrotada. Nesse mesmo instante, Patrícia entrou na cozinha. — Brigaram? — apontou em direção a porta onde a instantes atrás Sani saiu. — Quem me dera, seria mais fácil de resolver — suspirou. — O que foi dessa vez? Ele não aceita que você namora? Seus irmãos são ciumentos demais — Patrícia se sentou num dos bancos. — Oh não, não tem nada haver — Anancy riu — eu não estou namorando, se for por conta daquela fofoca com o Derick, isso foi um grande m*l entendido — justificou. — Seu irmão e eu também não tínhamos nada, e hoje temos uma filha — ela falou com um sorrisinho de acusação que fez Anancy a olhar com incredulidade e rir. — É sério, não temos nadinha de nada, eu e o Derick nunca — foi o mais sincera que podia. — Então tem outro — ela acusou com provocação. — Ou então bateu o pescoço na quina da mesa? — insinuou, Fazendo Any rapidamente tocar o pescoço. — Mentira — sorriu constrangida. — Tá namorando e não partilha a informação? — Eu não estou namorando — se defende. — Ainda não — acrescenta mais pra si. — Então tem um garoto? — sorriu mais abertamente. — Hey, eles não podem te ouvir — tentou conter a mais velha. — Não estamos tendo nada sério, foi só uma noite... Ou duas — sussurrou e a mais velha riu com entusiasmo. — Quando vai apresentar ele pra nós? — No momento certo vocês irão conhecer ele — deu de ombros. — Então não é só algo casual, tem sentimentos? — Eu não sei se é por ser minha primeira vez ou porque eu estou desacostumada com essa coisa toda do flerte, mas ele tem uma óptima lábia, e um beijo wau, e a pegada então... — sentiu um arrepio percorrer seu corpo só de lembrar do russo. — É até estranho falar isso em voz alta. — É perfeitamente normal, ahh, minha cunhadinha finalmente tá se envolvendo com alguém — cobriu a boca com um sorriso animado. — Eu não vou me apegar muito, sabe como os homens são, não dá pra confiar — foi beber água. — Mas você vai dar uma chance não vai? — Dar uma chance a quem? — Akil o irmão mais velho, perguntou adentrando a cozinha. — A um investimento novo — Anancy mentiu rapidamente. — Huhum, tá, mas não falem de trabalho hoje, se divirtam — foi pegar outra cerveja no freezer. — Você têm razão, vou pegar uma carne — e Anancy saiu deixando o casal para trás. E naquele momento, depois de ter falado sobre Mikhail em voz alta, se tocou que aquilo podia virar muito mais do que só uma transa casual, e era precisamente isso, que a assustava.
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