O escândalo de Arthuro rapidamente se espalhou pela cidade, o empresário até tentou pedir ajuda a alguns colegas de profissão mas nenhum ousou abrir sua porta, temendo que sua desgraça respingasse neles e algo similar acontecesse com seus empreendimentos.
Desgastado e sem saída, Arthuro passou o último dia se afogando em álcool com intenção de esquecer seus problemas, estava tudo dando errado e nem aquele que havia o convencido a provocar Mikhail, se mostrava disposto a ajudar, pelo contrário, secretamente pretendia eliminar aquele peão que estragou seus planos ao revelar quem ele era.
Quando a porta do apartamento foi aberta, Cameron não conseguiu nem se levantar para se defender ou ter uma reação adequada a invasão. Não faziam nem 48h desde que havia perdido tudo e seu apartamento já estava uma imundície, com garrafas de bebidas jogadas pelo chão e objectos quebrados no momento de extrema raiva.
— O que vocês querem aqui? Quem são vocês? — Arthuro olhou para os homens que entravam em seu apartamento.
— Olá senhor Arthuro, teríamos batido na porta, mas no estado em que se encontra, dúvido que tivesse conseguido abrir — Dmitri respondeu após ser o último a adentrar o local.
— Você — Arthuro se levantou com dificuldade e apontou para ele — seu chefe mandou você vir zombar de mim? Hã? — cambaleando tentou se aproximar, mas tropeçou em seus próprios pés e quase deu de cara com o chão, sendo aparado por Dmitri.
— Tenha mais cuidado — tentou ajudá-lo a ficar de pé.
— Me solte — Cameron afastou as mãos de Dmitri, m*l conseguiu ficar em pé sozinho — fale para o seu chefe que eu irei matá-lo, isso não irá ficar barato, vocês não sabem quem eu sou, não sabem com quem estão mexendo — os gritos que ele dava, eram acompanhados de saliva e um dedo apontando para os 3 homens ali presentes.
Sem resposta verbal, Arthuro recebeu uma coronhada e caiu no chão, dessa vez sendo propositalmente ignorado por Dmitri que olhou para o autor da coronhada.
— A voz dele é irritante — Igor respondeu em russo, guardando sua arma no coldre e se agachando para olhar de perto o corpo do homem.
— Ele ao menos está vivo? — Oleg perguntar cruzando os braços.
— Vivinho da silva — Igor declarou após sentir a pulsação do homem caído.
— Óptimo, agora carregue ele — Dmitri falou se virando.
— Ei, não vai me ajudar? — Igor pergunta indignado.
— Porque? Eu teria pedido educadamente que ele nos acompanhasse, mas você apagou ele — ele dá de ombros sem realmente se virar para olhar seu companheiro.
— Educadamente uma ova — o mais novo do grupo murmurou enquanto puxava o corpo de Arthuro para tentar colocá-lo de pé. — Oleg me ajuda aqui — falou enquanto tentava ajeitar o braço do homem em seus ombros.
— Vá lá, aproveite sua vitalidade, sua juventude, você têm força garotão — Oleg deu dois tapinhas no ombro de Igor que se desequilibrou um pouco e deixou cair o homem no chão. — Uh, ele vai sentir isso quando acordar — fez uma careta — boa sorte — e seguiu também para fora do apartamento.
— Mas que folgados — Igor olhou desacreditado para a porta e revirou os olhos para a dupla, mas no final das contas ainda levou Cameron Arthuro pela entrada dos fundos do edifício e só então obteve ajuda para colocá-lo no carro e partir.
•••
Do outro lado da cidade, Anancy adentrou a propriedade de seus pais e de longe já sentia o cheiro de churrasco e podia também ouvir as risadas dos presentes, bem, o segundo ponto não era difícil, principalmente porque sua família era extremamente escandalosa.
— Não pode deixar a carne queimar — ela ouviu a voz de sua irmã Asha, mas não percebeu a quem ela se dirigia, até ouvir a voz de seu irmão mais velho e segundos depois os ver.
— Eu sei o que estou fazendo tá — ele retrucou parado em frente a churrasqueira.
— Não parece — eu falei só pra provocar e chamar a atenção.
— No final você estará lambendo os dedos — retrucou enquanto lançava um olhar de desafio para Anancy.
— Você se ilude muito fácil — devolveu e ele revira os olhos em resposta. — oi família — falou enquanto abraçava sua mãe e acenava para sua cunhada e para Asha.
— Olá filha — sua mãe sorriu retribuindo o gesto de carinho. — Como você está? — indagou interessada.
— Eu estou óptima — sorriu — Patrícia minha querida — se aproximou da cunhada e um abraço foi trocado por elas. — Cadê minha sobrinha?
— Saiu com o tio, o avô e a tia — Patrícia respondeu sorrindo — vai, sente aqui e me conte todas as novidades.
Apontou para a cadeira de lado e a mais nova se sentou nela. A conversa entre as mulheres da família começou animada e até passou a ser sobre provocar seu irmão mais velho e sua carne, recebendo reclamações do mesmo, que para sua sorte logo teve a companhia de seu pai e seu irmão que voltavam de comprar mais bebidas.
Duas horas se passaram entre o clima leve de família, Anika, a sobrinha de Anancy, corria pelo jardim energicamente e Ayana tentava acompanhar os passos da menina de 05 anos. Todos estavam entretidos em uma conversa qualquer sobre melhoria de vida e oportunidades, quando Anancy olhou seu irmão gémeo adentrar a casa e viu nesse acto uma oportunidade pra falar com ele a sós.
Seguiu para dentro e na cozinha encontrou sua versão masculina pegando uma cerveja no freezer.
— Ei — depositou um tapinha no ombro dele.
— Ei — ele abriu sua cerveja e deu um gole — quer me dizer alguma coisa? — questionou curioso.
— Na verdade... — deu um tapa no braço de Asani, depois outro, e outro, e mais um, até que ele se afastou reclamando.
— O que foi que eu fiz? — esfregou o braço.
— Você quebrou nosso acordo Asani, como pôde?
Ele a encarou confuso.
— Do que você está falando? — perguntou.
— Uma das minhas melhores amigas? Sério? Com tanta mulher nessa cidade Asani — ela cruzou os braços indignada.
— Você está falando... — ele m*l termina a frase e já coça a garganta.
— Admita, fale.
— Okay, eu sei que eu prometi e eu estava cumprindo Any, eu juro que tentei, mas não deu, primeiro foi um deslize e quando dei por mim estava viciado naquela mulher — soltou tudo de uma vez.
— Você ao menos gosta dela?
— Eu a amo — confessou, e Anancy atregalou os olhos. — Olha, entre eu e ela não começou certo, eu sei, mas a cada instante eu fui me apaixonando mais e mais por ela, eu gosto verdadeiramente dela Any.
— Então por que vocês viviam nessa droga de segredo? Por que você não fala pra ela isso?
Ele soltou uma risada baixa, sem humor.
— Porque ela não sente o mesmo por mim — ao falar isso, Asani passou a mão pelo cabelo. — Eu não sou o tipo ideal dela e fui só uma aventura que não deveria ter acontecido — sorriu com pesar — desculpa ter quebrado o nosso acordo maninha — e ele saiu em direção ao jardim.
— Sani — olhou seu gémeo sair e suspirou derrotada.
Nesse mesmo instante, Patrícia entrou na cozinha.
— Brigaram? — apontou em direção a porta onde a instantes atrás Sani saiu.
— Quem me dera, seria mais fácil de resolver — suspirou.
— O que foi dessa vez? Ele não aceita que você namora? Seus irmãos são ciumentos demais — Patrícia se sentou num dos bancos.
— Oh não, não tem nada haver — Anancy riu — eu não estou namorando, se for por conta daquela fofoca com o Derick, isso foi um grande m*l entendido — justificou.
— Seu irmão e eu também não tínhamos nada, e hoje temos uma filha — ela falou com um sorrisinho de acusação que fez Anancy a olhar com incredulidade e rir.
— É sério, não temos nadinha de nada, eu e o Derick nunca — foi o mais sincera que podia.
— Então tem outro — ela acusou com provocação. — Ou então bateu o pescoço na quina da mesa? — insinuou, Fazendo Any rapidamente tocar o pescoço.
— Mentira — sorriu constrangida.
— Tá namorando e não partilha a informação?
— Eu não estou namorando — se defende. — Ainda não — acrescenta mais pra si.
— Então tem um garoto? — sorriu mais abertamente.
— Hey, eles não podem te ouvir — tentou conter a mais velha. — Não estamos tendo nada sério, foi só uma noite... Ou duas — sussurrou e a mais velha riu com entusiasmo.
— Quando vai apresentar ele pra nós?
— No momento certo vocês irão conhecer ele — deu de ombros.
— Então não é só algo casual, tem sentimentos?
— Eu não sei se é por ser minha primeira vez ou porque eu estou desacostumada com essa coisa toda do flerte, mas ele tem uma óptima lábia, e um beijo wau, e a pegada então... — sentiu um arrepio percorrer seu corpo só de lembrar do russo. — É até estranho falar isso em voz alta.
— É perfeitamente normal, ahh, minha cunhadinha finalmente tá se envolvendo com alguém — cobriu a boca com um sorriso animado.
— Eu não vou me apegar muito, sabe como os homens são, não dá pra confiar — foi beber água.
— Mas você vai dar uma chance não vai?
— Dar uma chance a quem? — Akil o irmão mais velho, perguntou adentrando a cozinha.
— A um investimento novo — Anancy mentiu rapidamente.
— Huhum, tá, mas não falem de trabalho hoje, se divirtam — foi pegar outra cerveja no freezer.
— Você têm razão, vou pegar uma carne — e Anancy saiu deixando o casal para trás.
E naquele momento, depois de ter falado sobre Mikhail em voz alta, se tocou que aquilo podia virar muito mais do que só uma transa casual, e era precisamente isso, que a assustava.