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1589 Palavras
– Você não vai me devolver o sapato mesmo? – Anancy perguntou enquanto se preparava para ir embora. – Eu vou... Eventualmente – deu de ombros – talvez ele seja a minha desculpa pra te encontrar. – E desde quando você precisa de uma desculpa para me encontrar? A risada que ele soltou dizia mais do que qualquer palavra, como se ele sempre tivesse inventado desculpas para vê-la, apenas ela é quem nunca tivesse notado. – Okay, você não precisa arranjar desculpas para me ver Reznikov, é só aparecer – ela dá de ombros – na verdade você nunca precisou, trabalhamos na mesma área praticamente, qualquer motivo seria válido – argumento. – A sério? Então eu contive a vontade de te beijar inúmeras vezes por nada? – o tom dele era de indignação. – Achei que estivesse pensando de modo mais profissional Mikhail – ela arqueia a sobrancelha e ele deu de ombros – mas se você quiser... é só aparecer – declarou pegando sua bolsa. Ele entendeu exatamente a mensagem e sorriu enquanto a via seguir em direção ao elevador. – Eu preciso ir – ela apontou para o elevador e ele veio com o cartão chave abrir. – Williams – ele chamou a atenção dela, que no momento olhava para o elevador. – O... – um beijo dele interrompeu o que quer que ela quisesse falar. Mas não foi apenas um beijo, foi uma captura. Mikhail puxou-a contra si com uma força irresistível, e a boca dele encontrou a dela num choque quente, ardente, que roubou-lhe o ar. O mundo sumiu, o elevador, o apartamento, e até o próprio controle que ela tanto prezava, só restava a intensidade dele, a forma como seus lábios se moldavam aos dela, como se gravasse cada traço de sua boca na memória. Um arrepio elétrico correu-lhe pela espinha, espalhando-se pelos membros, deixando suas pernas tão frágeis que precisou se segurar nele. O gosto dele misturava-se com a lembrança da noite anterior, prolongando a chama que ela ainda tentava esconder, era um beijo possessivo, vicioso, daqueles que não terminam quando acabam, mas que ecoam em cada batida do coração e da memória. Quando Mikhail se afastou, foi só o suficiente para que ela recuperasse o fôlego, a testa dele ainda roçando na dela, o olhar queimando de promessas não ditas é um sorriso perigoso nos lábios. Anancy sabia naquele instante, que resistir seria uma batalha perdida. O gosto dele ficaria com ela o resto do dia, invadindo-lhe os pensamentos a cada instante como um lembrete de que, por mais que tentasse, ele sempre a encontraria. – Agora você pode ir – a voz dele soou sexy e melodiosa. Ele passou o polegar para limpar o batom que havia borrado nos lábios dela, e depois deu um selinho antes dela entrar no elevador. Quando a porta do elevador se fechou Anancy soltou o ar que nem se apercebeu que prendia e mordeu a parte interna da bochecha para não sorrir. Pelo menos ela podia controlar isso, diferente do coração que ainda martelava como se quisesse escapar do peito. O reflexo dela no espelho do painel mostrava bochechas coradas, batom quase inexistente e um brilho nos olhos que a denunciava, passou a mão nervosa nos lábios, como se pudesse apagar a memória daquele beijo, mas era inútil. O toque dele ainda queimava em sua pele. Quando as portas se abriram no térreo, ela respirou fundo, ergueu o queixo e forçou um passo firme, ninguém precisava saber que Reznikov a tinha desarmado tão facilmente, mas cada passo ecoava como se fosse uma lembrança dele sussurrando em seu ouvido: “Agora você pode ir" e junto disso, vinha todo o efeito Reznikov a atingir. Mikhail por outro lado, só conseguia sentir o cheiro de Anancy impregnado em seu apartamento e gostava disso. Gostava ainda mais de ter o cheiro dela impregnado em cada fibra de seu ser, de lembrar o jeito que ela ficava tímida e ao mesmo tempo mais solta perto de si, de sentir ela tremendo sob seu toque e ouvir os diferentes sons que aquela mulher conseguia produzir. – p***a Williams – ele passou a mão nos cabelos, soltando um suspiro ao mesmo tempo. O elevador se abriu e de lá saíram 4 de seus homens. – Bom dia chefe – Darmi e Viktor falaram primeiro, enquanto Dmitri e Oleg caminhavam logo atrás. – Bom dia rapazes – Mikhail falou enquanto ajeitava a camisa social em seu corpo. – Parece de bom humor – Oleg falou analisando o semblante do chefe. – Eu estou sempre de bom humor – ele retruca vestindo seu paletó. – Apesar disso, parece que a senhorita Williams têm tendência a intensificar esse bom humor – Viktor pontua se sentando. – Eu ainda não entendi uma coisa – Darmi se sentou perto de Viktor – porquê só agora o senhor decidiu dar um passo em frente com a senhorita Williams? Tipo, nós sempre notamos que o senhor a trata de forma diferente, mas porque só agora é que está dando esse passo? – perguntou intrigado. – Talvez só agora ele tenha se apercebido que gosta dela – Oleg supôs. – Não é isso – Mikhail pegou suas chaves – Anancy sempre foi centrada em seus objetivos, qualquer um que se aproximasse dela recebia automaticamente um não, eu acho que ela não queria dar a chance de que alguém dissesse que o sucesso dela é graças a alguém que não fosse ela, ou que só venceu na vida por ajuda de alguém de influência. No momento que comecei a ter sentimentos por ela, seria t**o e imprudente da minha parte me aproximar – ele caminhou para o elevador e os rapazes o seguiram – agora me digam, alguma novidade? – mudou de assunto e de tom. – Na verdade sim, e o senhor não irá gostar – Dmitri passou o celular para Mikhail – ainda não sabemos de quem veio a ordem para o desvio da carga, mas sabemos que Cameron Arthuro foi quem deu as indicações de onde poderia encontrar o carregamento. – Então ele têm o dedo metido nisso – Mikhail arqueou a sobrancelha enquanto assistia ao vídeo no celular de Dmitri. – Até ao meio dia, eu quero que a empresa dele esteja nas últimas, mandem o Vladimir tratar disso – avisou devolvendo o celular. – Sim senhor – assentiram como soldados. – E descubram quem está por trás disso tudo o mais rápido possível, não quero me estressar mais com isso – saíram do elevador e seguiram para o carro, com os 4 homens assentindo para o chefe. ••• [12:37] Cameron Arthuro estava quase soltando fogo pelas ventas quando avistou Mikhail e tentou ir para cima dele, mas como ele iria atacar um homem com 11 seguranças? Uma tolice claramente. – SEU FILHO DA PUT*, COMO OUSA – ele gritou sendo impedido pelos seguranças. – Olhe o palavreado Arthuro – Mikhail falou com calma, irritando ainda mais o homem. – Eu sei que é você por trás da sabotagem à minha empresa, seu cretino – ele se debatia pra se soltar. Um sorrisinho surgiu nos lábios de Mikhail. – Eu? Mas a Krepost não tem tanto poder assim pra influenciar na sua empresa – ele debochou. – Eu vou te matar Mikhail, grave isso na sua memória – ameaça. –Acompanhem o senhor Arthuro para fora daqui – Mikhail passou por ele. – Me soltem, me soltem – ele tentava se soltar, mas sem sucesso – veremos quem será o último a rir quando o Yuri te pegar – ele gritou enquanto era expulso do edifício, mas sua frase ficou presa na cabeça de Mikhail. Não levou muito tempo e Mikhail já estava ligando para seu irmão, que atendeu depois do segundo toque. – Mikha – Nikolai falou assim que atendeu – aconteceu alguma coisa? – perguntou em russo. – Ainda não, mas aposto que não vai demorar a acontecer, parece que o merdinha do Yuri voltou – ele também se expressa em russo. Do outro lado da linha Niko soltou um som parecido com irritação e ao mesmo tempo frustração. – Esse filho da mãe, se eu pego ele, eu acabo com a vidinha miserável que ele possui – fala como se fosse uma promessa. – Fiquemos atentos, enquanto não soubermos nada sobre o paradeiro dele, precisamos ter cuidado com tudo o que faremos – Mikhail pega uma pilha de documentos e começa a folhear. – Você tem razão – Niko suspira – eu acho que está na hora de ouvir o seu conselho e deixar a Kati ficar em Londres por um tempo, as coisas por aqui começam a ficar mais perigosas e com isso do Yuri, ela com certeza fica mais segura com você. – Quer que eu venha te ajudar? – questiona enquanto divide sua atenção em ler um documento e ouvir a chamada. – Não, por enquanto não, eu trato de tudo aqui. – Sabe que eu posso te ajudar, não sabe? Niko riu. – Eu sei sim, mas agora deixa seu maninho tratar dos problemas, se sair do Controle eu te deixo agir como quiser. Ele assentiu em satisfação, mesmo que soubesse que o irmão não veria. – Tudo bem, mas não se esqueça de ligar, eu resolvo seus problemas.. E a chamada foi encerrada. Permitindo assim que Mikhail voltasse a trabalhar, mesmo que sua cabeça estivesse mais focada em dar um jeito de se livrar de Yuri, e acabar com aquele problema de uma vez por todos.
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