Capítulo 25

1080 Palavras
Perguntas Difíceis, Cuidado Verdadeiro Alice nunca imaginou que chegaria o dia em que falaria sobre sexo com tanta seriedade — e, ainda assim, com tanto cuidado. Ela estava sentada ao lado de Olyver na sala de espera da clínica. O ambiente era claro, silencioso, com aquele cheiro característico de limpeza e calmaria artificial. Alice segurava a bolsa no colo com as duas mãos, os dedos entrelaçados. Olyver, ao seu lado, mantinha a postura firme, mas o olhar atento estava sempre voltado para ela. Eles já tinham conversado sobre o assunto em casa. Não de forma constrangedora, mas também não com naturalidade total. Era novo para Alice. Tudo ainda era novo. O desejo existia, ela sabia. O beijo despertara algo que não podia mais ser ignorado. Mas havia o coração. A condição rara. A gravidez. O medo de fazer algo errado. E Olyver… Olyver carregava um medo ainda maior: o de machucá-la outra vez. — Você não precisa ficar nervosa — ele murmurou, percebendo o aperto dos dedos dela. — É só uma conversa. Alice respirou fundo. — Eu sei — respondeu. — Mas é estranho falar disso com um médico… com você do lado. Ele deu um meio sorriso. — Eu prefiro estar aqui — disse. — Para ouvir tudo. Para não deixar dúvidas. Quando o médico chamou seus nomes, os dois se levantaram juntos. Olyver, como sempre, esperou Alice dar o primeiro passo. O consultório era acolhedor. O médico, um homem de meia-idade com voz calma e postura profissional, cumprimentou-os com cordialidade. Após revisar exames, batimentos, pressão e perguntar como Alice vinha se sentindo, ele se recostou na cadeira. — Até aqui, a evolução está boa — disse. — O tratamento está surtindo efeito, e a gravidez segue dentro do esperado, considerando as particularidades do seu caso. Alice assentiu, aliviada. Olyver pigarreou levemente. Alice o conhecia o suficiente para saber que aquilo era um sinal. — Doutor — começou ele, direto, mas respeitoso — nós temos uma dúvida importante. Alice sentiu o calor subir pelo rosto antes mesmo de ele continuar. — Por causa da condição cardíaca da Alice… — Olyver pausou por um segundo, como se medisse as palavras — nós gostaríamos de saber se ela pode ter uma vida s****l ativa. Com segurança. O silêncio que se seguiu pareceu ensurdecedor para Alice. Ela ficou completamente vermelha. O médico, no entanto, não se mostrou surpreso. Pelo contrário, sorriu de forma compreensiva. — Essa é uma pergunta muito importante — disse. — E fico satisfeito que vocês estejam falando disso abertamente. Alice desviou o olhar, constrangida. — Eu… — ela tentou falar, mas a voz saiu baixa demais. Olyver colocou a mão sobre a dela, firme, tranquilizador. — Está tudo bem — sussurrou. — É só informação. O médico continuou: — A resposta não é um simples sim ou não. Depende de alguns fatores. A condição da senhorita exige cuidado com esforço físico, picos de estresse e variações bruscas de pressão arterial. Alice voltou a encarar o médico, atenta agora. — Isso significa que… — começou ela. — Significa — explicou ele — que a i********e é possível, sim, desde que seja conduzida com calma, sem esforço excessivo, sem ansiedade e respeitando os limites do seu corpo. Olyver respirou fundo, absorvendo cada palavra. — Então não é proibido — disse ele. — De forma alguma — respondeu o médico. — O que não é recomendado é qualquer atividade que gere exaustão, desconforto ou aceleração cardíaca exagerada. Comunicação entre o casal é essencial. E, claro, interromper ao menor sinal de m*l-estar. Alice sentiu algo se soltar dentro do peito. Não era exatamente alívio — era permissão. Não apenas médica, mas emocional. — Eu fiquei com medo — confessou ela, finalmente. — De que não pudesse… nunca. O médico sorriu com gentileza. — O corpo humano é mais adaptável do que imaginamos, senhora Blayck. E o emocional influencia muito. Se você estiver tranquila, segura e respeitada, isso ajuda mais do que qualquer remédio. Olyver apertou a mão dela com cuidado. — Eu quero fazer tudo certo — disse ele. — Tudo no tempo dela. — E isso já é metade do caminho — respondeu o médico. — Vocês parecem ter uma boa comunicação. Continuem assim. A consulta seguiu com orientações práticas, nada constrangedoras, tudo tratado com naturalidade profissional. Quando saíram do consultório, Alice ainda sentia o rosto quente. No elevador, ela ficou em silêncio por alguns segundos. — Você ficou vermelha — comentou Olyver, com um sorriso contido. — Você falou de sexo com o médico como se estivesse falando de ações na bolsa — respondeu ela, meio sem graça. — Eu só quis ser claro — disse ele. — Eu precisava saber. Não por mim. Por você. Ela o olhou de lado. — Mesmo assim… — murmurou — eu não estou acostumada com isso. — Com o quê? — perguntou ele. — Com alguém se preocupar tanto — respondeu. Eles caminharam até o carro, o silêncio confortável agora. Já em casa, Alice se sentou no sofá, pensativa. Olyver permaneceu de pé por um instante, depois sentou-se à frente dela. — Se você quiser esquecer essa conversa por um tempo — disse ele — a gente esquece. Alice balançou a cabeça. — Não — respondeu. — Eu só… preciso processar. Ela respirou fundo. — Saber que é possível… muda as coisas. — Não muda o nosso ritmo — disse Olyver, firme. — Isso quem decide é você. Ela sorriu, um sorriso pequeno, mas sincero. — Eu sei. Houve um silêncio breve. — Você ficou constrangida porque eu falei de sexo… ou porque pensou nele comigo? — ele perguntou, com cuidado. Alice sentiu o coração bater mais rápido — não por esforço, mas por consciência. — Um pouco dos dois — admitiu. Olyver sorriu de leve, sem se aproximar. — Então estamos no caminho certo — disse. — Quando você quiser falar sobre isso… ou não falar… eu vou estar aqui do mesmo jeito. Alice se levantou devagar e, sem dizer nada, encostou a testa no peito dele por um instante. Olyver permaneceu imóvel, respeitando. — Obrigada por perguntar — disse ela, baixo. — E não decidir por mim. Ele fechou os olhos. — Obrigado por confiar — respondeu. Naquele momento, Alice entendeu algo importante: i********e não começava no corpo. Começava ali. Na conversa difícil. Na pergunta feita com cuidado. No respeito que vinha antes do desejo. E, pela primeira vez, falar sobre sexo não a fez sentir medo. Fez sentir escolha.
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