Fantasmas à Espreita Helena Eu estava terminando de acomodar o Miguel na cama. Ele já respirava fundo, com os cílios longos descansando sobre as bochechas rosadas. Ajeitei o cobertor com carinho e beijei sua testa, prestes a sair do quarto, quando uma voz firme rompeu o silêncio da rua quase deserta: — Tá procurando alguma coisa aí, irmão? Era o Kaique. A voz dele atravessou a janela entreaberta como um trovão calmo, mas ameaçador. Meu corpo congelou. Fui até a janela devagar, com o coração acelerado, e espiando pelo vidro, vi. Lá estava ele. Parado do outro lado da rua, mãos no bolso, corpo inclinado pra frente. Lucas. O mesmo olhar cínico de sempre. O mesmo sorriso arrogante. — Não tem nada de bonito em espiar a casa de uma mulher sozinha com filho pequeno. Tu conhece ela? — Kaiq

