Pastel, Caldo e Confissões Helena O Miguel já dormia, enrolado no cobertor, o peito subindo e descendo devagar, sereno. Fiquei ali por alguns segundos, admirando aquele coraçãozinho tranquilo que era meu mundo inteiro. Depois me aconcheguei no sofá da sala, só com uma manta fina, abraçando minhas próprias dúvidas. A casa estava em silêncio — só o som da minha respiração e o relógio da parede. Foi quando a campainha tocou. Meu peito deu um pulo. Fui até a porta, hesitante, e abri devagar. Kaique estava ali, com um sorriso meio tímido e uma sacola na mão. — Trouxe pastel e caldo de cana — disse, erguendo a sacola como se fosse um presente valioso. — Não sei se você já jantou, mas achei que podia ser legal… só nós dois. Sorri, surpresa e aliviada. — Você leu meus pensamentos. Tô morr

