CAPÍTULO 85 GRINGO NARRANDO Eu já vi muita gente morrer. Muita. Já segurei parceiro com o pulmão abrindo e fechando pra fora do buraco que a bala fez, já vi menor agonizar no meu colo chamando pela mãe, já enterrei irmão de guerra sem ter nem corpo inteiro pra colocar no caixão. Mas nada — NADA — chegou perto do que eu senti naquela porrä de corredor branco. O doutor saiu, jogou a bomba no meu colo e voltou pra cirurgia deixando a gente ali, largado, como se aquilo fosse só mais um plantão pra ele. Pra mim não era. O chão pareceu puxar meu corpo pra baixo, igual areia movediça. Um peso filho da putä me prensando por dentro. Eu fiquei olhando pras minhas próprias mãos… ainda com sangue seco do Magrão nas linhas dos dedos. Sangue do meu irmão. E a Yasmin atrás de mim, caída no colo

