Capítulo 6

1069 Palavras
Dália Eu estava sentada no banco traseiro da velha carruagem que o médico usava para emergências. A estrada de terra sacudia o veículo a cada buraco, e eu mantinha os olhos grudados na paisagem escura da floresta enquanto o médico conduzia os cavalos. Minha mente estava acelerada, preocupada com minha mãe. "Ela é forte", o médico disse, sua voz calma, como se pudesse sentir o caos na minha cabeça. "Se ela resistiu até agora, vai se recuperar." Eu não respondi. Meu coração batia forte no peito. Não conseguia parar de pensar em Lucien. Ele tinha me ajudado sem pedir nada em troca — um vampiro, ajudando uma caçadora. Isso não fazia sentido. "Você disse que Lucien é filho de Viktor?" perguntei ao médico, sem conseguir conter a curiosidade. "Sim." O médico olhou para mim de relance. "Ele é o herdeiro natural desta cidade, embora tenha uma personalidade... imprevisível." "Imprevisível?" O médico soltou um suspiro. "Lucien não é tão rígido quanto o pai. Viktor é autoridade e controle. Lucien... ele gosta de liberdade. Mas não se engane — ele é tão perigoso quanto o pai, talvez mais." Eu me encolhi um pouco no banco. Perigoso. Claro que ele era. Nenhum vampiro era realmente confiável, mesmo que tivesse sorrido para mim daquela maneira... "Mas por que ele me ajudou?" perguntei. O médico deu de ombros. "Talvez ele tenha visto algo em você." Eu senti um arrepio percorrer minha espinha, mas não tive tempo de aprofundar esse pensamento. Estávamos chegando em casa. A carruagem parou diante da entrada, e eu saltei para fora antes mesmo que o médico puxasse as rédeas dos cavalos. "Entre, eu já vou com meus materiais," ele disse. Eu corri para dentro de casa. Minha mãe ainda estava deitada no sofá, seu rosto pálido como papel. Eu me ajoelhei ao lado dela, segurando sua mão fria. "Mãe?" Ela não respondeu, mas a respiração dela estava estável, embora fraca. O médico entrou pouco depois, carregando uma maleta. Ele se ajoelhou ao lado de minha mãe, analisando-a com um olhar profissional enquanto colocava os dedos em seu pulso. "A pulsação está baixa", murmurou. "Ela precisa de nutrientes e descanso." Eu me afastei para que ele pudesse trabalhar. Ele tirou alguns frascos e começou a preparar algo. Enquanto isso, a porta da frente se abriu de repente. "Dália!" Meu pai entrou como uma tempestade, com Kieran logo atrás dele, ambos sujos de sangue seco — claramente de uma caça bem-sucedida. "O que aconteceu?" Alaric exigiu, os olhos brilhando de preocupação ao ver minha mãe desacordada. "Ela desmaiou", respondi rapidamente. "Eu não sabia o que fazer, então fui procurar ajuda." "Você foi sozinha?" Kieran perguntou, a voz carregada de preocupação. "Sim. Eu procurei por ajuda na cidade, mas ninguém me deu atenção. Foi aí que..." Eu parei por um momento, sem saber se deveria contar. "Foi aí que o filho de Viktor apareceu", completei. O rosto do meu pai ficou rígido. "Lucien?" Eu assenti. "Ele me levou até esse médico." Alaric estreitou os olhos. "E o que ele pediu em troca?" "Nada." "O quê?" Kieran perguntou, chocado. "Nada", repeti. "Ele só... ajudou." Alaric respirou fundo, claramente desconfiado. "Vampiros não ajudam sem uma razão." "Bom, ele ajudou", retruquei. O médico, que tinha ficado em silêncio até então, se levantou e limpou as mãos em um pano branco. "Ela está fraca. Muito fraca." "Por quê?" Kieran perguntou, a tensão em sua voz aumentando. O médico hesitou por um momento. Então, ele olhou diretamente para o meu pai. "Ela está com anemia", ele disse. "Por causa da gravidez." O tempo parou. Eu fiquei paralisada, o coração martelando nos ouvidos. Meu pai ficou imóvel, o rosto perdendo a cor. Kieran arregalou os olhos. "Gravidez?" meu pai repetiu, a voz rouca. "Sim." O médico confirmou com um aceno de cabeça. "Ela está nos estágios iniciais, mas o cansaço e a fraqueza são sintomas comuns para alguém na condição dela." Eu olhei para minha mãe, que ainda estava desacordada. Ela... grávida? Ela não sabia disso? Nenhum de nós sabia. "Mas..." Kieran balançou a cabeça, confuso. "Como ela não percebeu?" "Os sintomas podem ser sutis no início", o médico explicou. "Mas agora que ela está apresentando sinais claros de anemia, precisa de cuidados adequados. Descanso, alimentação saudável, e deve evitar qualquer tipo de estresse físico ou emocional." Meu pai se aproximou da minha mãe e ajoelhou-se ao lado dela. Ele pegou a mão dela, os olhos brilhando com uma mistura de felicidade e preocupação. "Estamos esperando um filho..." ele sussurrou. Um pequeno sorriso se formou em seus lábios, mas a tensão em seus ombros não diminuiu. Eu sabia o motivo. Estávamos em uma cidade cercada por vampiros e lobisomens — uma cidade onde qualquer fraqueza poderia ser explorada. "E agora?" Kieran perguntou, cruzando os braços. "Agora precisamos proteger ela e o bebê", meu pai disse, a voz firme. "Ela não pode mais se arriscar. Nenhuma caça, nenhuma patrulha. Eu não vou permitir." "Mas você sabe o que isso significa, certo?" Kieran retrucou. "Ela vai ficar vulnerável. Se alguém descobrir..." "Então, ninguém pode descobrir", meu pai disse com seriedade. "A partir de agora, a segurança dela é a prioridade." O médico guardou os materiais na maleta. "Vou preparar algumas misturas de ervas para ajudar com os sintomas. Também posso conseguir alguns suplementos para fortalecer o sangue dela." "Isso ajudaria?" perguntei. "O bastante para estabilizá-la, sim." Alaric se levantou, sua postura rígida como pedra. "Então, faça isso." O médico assentiu. Ele se virou para sair, mas antes de atravessar a porta, olhou para mim. "Você está devendo um favor a Lucien, não esqueça disso" Eu ergui as sobrancelhas. "Certo..." Quando o médico saiu, um silêncio estranho pairou no ar. Meu pai ficou observando minha mãe dormir, seu rosto marcado por preocupação e carinho. Kieran se encostou na parede, parecendo perdido em pensamentos. Eu me sentei ao lado da lareira, tentando processar tudo. Minha mãe estava grávida. Eu ia ter outro irmão. "Eu não gosto dessa situação", Kieran murmurou. "Não temos escolha", meu pai respondeu. Kieran o encarou. "Se os vampiros descobrirem que ela está grávida, vão ver isso como uma fraqueza." "Então não podemos deixar que eles descubram", meu pai disse com firmeza. Eu olhei para o fogo, sentindo o calor nos meus dedos. Minha mãe estava grávida, e agora minha família estava em uma posição ainda mais vulnerável nesta cidade. Lucien me ajudou dessa vez. Mas quanto tempo isso duraria?
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