As luzes noturnas da cidade de Nova Iorque dançavam contra o para-brisa do carro em uma ritmo melancólico, talvez pelo meu desespero, talvez pelo silencio do cliente, que depois que colocou o carro em movimento permaneceu calado. Olhando para o movimento agitado das ruas de Manhattan, me perguntei quais eram os planos dele. Ele não parecia nenhum pouco preocupado em me manter informada sobre seu cronograma.
O corpo pesou sobre o assento confortável, já eram duas horas da manhã, pra mim que tinha costume de dormir cedo, era normal que meu corpo já começasse a reclamar. Nas ruas, apesar do horário a cidade pulsava com vivacidade, na loucura de um lugar que nunca dormia.
Tomando uma rua emparedada por arranha-céus, o carro foi engolido pela escuridão de um estacionamento. Bastou o carro parar e meu coração começou a martelar em galopes desajeitados, as pernas ficaram fracas e minhas mãos voltaram a suar. Assim que ele deixou o carro, fiquei sem saber como proceder, me perguntando se deveria segui-lo, ou apenas aguardar no carro. Ele abriu a porta e meu rosto foi tomado por um calor constrangedor. Estendendo sua mão, ele me ajudou a sair, de uma forma que me pareceu costumeira.
Se minha aparência o havia agradado, ele não falou nada, tão pouco demonstrou qualquer reação. Não parecia nem entusiasmado, nem entediado. Eu não sabia como interpretá-lo, talvez porque estivesse tendo dificuldade para fita-lo. Seguimos para os elevadores e aguardamos o chamado. O som de gargalhadas femininas anunciou que um grupo de garotas se aproximava.
Desviei meus olhos, evitando contato visual com o grupo de três garotas, que parando a nossa frente, diminuíram os risos, fitando Brian com visível interesse. Pelo canto dos olhos, notei que elas se entreolharam bem animadas. O elevador chegou e Brain só entrou depois que todas as mulheres haviam entrado, demonstrando seu gentil cavalheirismo, ou apenas educação refinada.
- Lyra! – Uma das garotas chamou o meu nome. Reagi com um sobressalto inesperado.
O d***o era mesmo moleque, Samantha Rufie, uma “colega” de turma, filha de um cirurgião plástico renomado. Não era a garota mais rica da turma, mas fazia parte da elite nova-iorquina – O que faz aqui a esta hora? – a maldade no tom de voz arrancou minhas roupas do corpo.
Havíamos estudado juntas desde o primeiro ano, era impossível que ela não tivesse me reconhecido. Ellis e Hilarie me fitaram com a mesma curiosidade, porém eu sabia que elas não tinham a menor ideia de quem eu era, apesar de eu as conhecer.
Pelas roupas que usavam, certamente estavam voltando de alguma das muitas “festinhas” que participavam. Os risinhos soltos e a gentileza atípica dizia que estavam mais animadas que o habitual.
- É seu namorado? – Ellis perguntou com um sorriso carregado de malicia, certamente esperançosa em ser apresentada a Brian.
- Não – respondi séria.
- Ah, desculpe, achei que estivessem juntos – Ellis comentou sorrindo, como se tivesse cometido uma gafe imperdoável.
- Eu também achei – Hilarie também sorriu, deixando claro que tinha tido a mesma interpretação que a amiga.
- Você não disse o que está fazendo aqui – Observou Samantha com uma maldade desnecessária. Permaneci muda, não tinha como dizer que estava fazendo programa. As três garotas me fitaram dos pés a cabeça e eu não pude fazer nada. Como elas não tinham solicitado nenhum andar, o elevador parou na cobertura e quando abriu, eu deixei o elevador com minhas costas pesadas por seus olhares.
Brian encostou o cartão magnético na porta e esta destravou. Meu coração já não martelava mais em galopes desesperados, ele estava destruído demais pra isso. Eu não precisava ser uma vidente para saber que antes do dia amanhecer, meu nome estaria na lama. “a bolsista que faz programa pra sobreviver” e o pior, é que desta vez, não estariam mentindo.
- Vou tomar banho, se quiser beber algo, fique a vontade – ele avisou tirando o terno escuro e a camisa branca, totalmente indiferente ao que ocorrera no elevador.
Sentei no sofá de couro escuro e muito confortável. O apartamento, como era de se esperar, era grande, moderno e impecavelmente organizado, muito típico de pessoas que moram sozinhas. Não havia nenhuma foto exposta. Pelo menos ele não aparentava ser casado.
Aguardei algum tempo, até que ele apareceu na sala apenas de toalha. Quieta, eu permanecia no exato lugar que ele havia me deixado. O corpo sarado e exposto roubava toda a visão da sala, enquanto ele secava os cabelos. Meu estomago se contraiu em um aperto doloroso.
- Você pode dormir se quiser, o quarto ao lado está vazio – ele falou abrindo uma garrafa de água, a virando na boca. Continuei sentada no mesmo lugar sem entender a atitude dele.
- O senhor está cansado? – perguntei sentindo o rosto latejar. Eu sabia que estava ali para ficar com ele e se ele estava me dispensando, aquilo certamente não era um bom sinal.
- O senhor? – ele colocou a garrafa sobre a mesa, repetindo a palavra em um tom sarcástico? Eu não soube interpretar. Ele deu um suspiro e voltou para o quarto, me deixando novamente sozinha na sala.
Ele ia me dispensar, ouvi meu cérebro gritar desesperado. Eu estava ferrada. Levantei do sofá, abandonando minha melancolia e lamurias para trás e segui em direção ao quarto dele, eu precisava fazer alguma coisa, ou não sobreviveria aquela noite.
- Quer uma massagem? – foi a primeira coisa que veio a minha cabeça que consegui pronunciar, as outras opções, minha boca se recusou a falar.
Ele estava passando uma loção no rosto meticulosamente limpo. O cheio almiscarado e refrescante alcançou minhas narinas de forma agradável, apesar de meu juízo estar prestes a entrar em pane. Eu precisava convence-lo a me dar uma chance.
- Não tem jeito pra isso – ele falou voltando-se na minha direção, deixando o banheiro, seguindo para o quarto.
- Mas não me deu uma chance – reclamei.
- Acredite em mim, eu não preciso. Você pode descansar no quarto ao lado. Não fique chateada, mas não gosto do perfil de mulher que você se enquadra.
- Que tipo de perfil? – perguntei, eu precisava saber o que estava errado.
- Não é um defeito, só não é o que procuro – ele explicou parando finalmente na minha frente – Se eu procurasse por garotas tímidas e cheias de pudor, já estaria casado e vivendo sossegado com um casal de filhos – ele explicou sem parecer aborrecido e acho que isso foi o que me encorajou a não desistir. Eu já estava só as migalhas na frente dele.
- Quero uma chance – exigi e ele franziu o cenho pensativo, me avaliando de forma pouco convencida.
- Está certo – ele concordou puxando uma poltrona, depois bateu no estofado, ordenando que eu me sentasse. Ele se sentou na cama a frente da poltrona e aguardou sem grandes expectativas.
Obedeci, sem entender o que ele pretendia. Era difícil me sentir segura e encorajada diante daquele monte de músculos. Nunca gostei de ficar perto de rapazes musculosos e cheios de autoconfiança, sempre gostei mais dos nerds, pois se pareciam mais comigo.
- Desça o vestido – ele ordenou como se estivesse mandando eu soltar os cabelos. Tive que lutar para conseguir sair do meu estado de inercia. Não podia discutir, por mais vergonhoso e desconfortável que fosse, não podia apresentar mais nenhuma resistência, ou o contrato certamente estaria irrevogavelmente cancelado.
Baixei as alças do vestido, deixando os s***s completamente expostos. Os olhos dele desceram até eles visivelmente satisfeitos. Eu podia não saber como agir, não ter nenhuma experiência, mas tinha que admitir que possuía um par de m***s turgidas e muito bem delineadas.
- Agora se masturbe.
- O que? – Recobri os s***s com os braços na defensiva, sentindo o rosto latejar de forma dolosa. Aquilo não era o que eu esperava, achei que ele faria tudo e eu só teria que concordar de bom grado, mas como eu poderia discutir, se ele era o cliente?
Eu não estava apenas envergonhada, eu realmente nunca havia feito o que ele havia me pedido. Impaciente, ele suspirou entediado, o que só aumentou ainda mais o meu pânico. Coloquei as mãos sobre os s***s e comecei a apertá-los de forma desajeitada. Meu rosto pulsava, mas não era de excitação e sim de constrangimento diante da cena vergonhosa que estava me prestando.
- Está sentindo prazer? – ele me fitou sério, ignorando a minha nudez como se ela não significasse grande coisa. Engoli em seco.
- Não – respondi em um sussurro quase inaudível.
- Então como vai dar prazer a outra pessoa? – ele parecia estar conversando com uma criança.
- Me ensine, eu aprendo rápido – garanti com as mãos recobrindo os s***s despidos.
- Não tenho interesse em dar aulas. Pago por sexo, porque quero apenas sexo e pra isso, a garota precisa saber pelo menos se masturbar.
- Não existia essa clausula no contrato – atirei sem me dar conta de que deveria suavizar o tom das palavras.
- mas acredito que no contrato diz que eu posso te dispensar na hora que eu quiser - ele falou sem meias palavras.
- uma semana – pedi.
- Está certo. Agora vá dormir e me deixe descansar – ele se jogou na cama, enquanto eu rapidamente deixei o quarto.
Não sei se ele concordou apenas para se livrar de mim, ou por causa do cansaço, só sei que tinha que dar um jeito, ou não sobreviveria a um terceiro encontro.