Capítulo 4

1467 Palavras
Hadassa Alecastro Lucas ter aparecido aqui essa manhã me pegou de surpresa. Uma surpresa feliz. Eu e ele éramos amigos desde a faculdade, e ele teve que viajar um pouco antes do meu pai propor um casamento entre nossas famílias. Se eu não tivesse me apaixonado por Marcus quando o vi pela primeira vez… talvez tivesse sido Lucas. Definitivamente, combinamos mais juntos do que eu e Marcus. Mas o destino não quis assim. E agora, depois de um ano vivendo esse pesadelo chamado casamento, eu finalmente tomei a decisão que deveria ter tomado há meses. Divórcio. — Como sempre é um prazer estar em sua companhia, Hadassa. — ele disse de um jeito galanteador, beijando minha mão. — Venha mais vezes. Eu gosto da sua companhia. — eu admiti vendo um sorriso enorme surgindo nos lábios dele. — Vou lembrar que você disse isso. — ele sorriu e saiu. Assim que Lucas saiu pela porta, puxei o celular do bolso do roupão e disquei o número de Nádia. Ela atendeu no terceiro toque, com sua voz animada de sempre. — Hady, meu bombom! Você sumiu sábado! Era para jantarmos juntas, lembra? Eu soltei um suspiro pesado, afundando os dedos na têmpora. Eu havia me concentrado tanto em fazer um jantar de comemoração de casamento que esqueci o compromisso com Nádia na noite anterior. — Desculpa, Nádia… Eu… aconteceu uma coisa e eu fiquei enrolada. — Sei bem o que deve ter acontecido… Aquele cara não vale seu tempo Hady, eu já te disse. — ela resmungou e eu engoli seco vendo meus olhos se encherem de lágrimas de novo. Do outro lado da linha, o tom dela mudou imediatamente quando percebeu meu silêncio, — O que houve? Você está bem? Engoli as lágrimas, sentindo o estômago revirar só de lembrar. Mas era Nádia. Minha melhor amiga desde os meus cinco anos de idade. A única pessoa no mundo que conhecia todas as minhas cicatrizes e nunca me julgava por elas, mas era capaz de matar alguém se eu precisasse. — Me deixe adivinhar… o i****a do seu marido não apareceu no jantar de casamento, não é? — ela afirmou indignada com a situação, — Sempre te falei que esse cara não merece você, Hady. —Não. — eu respondi sentindo a tristeza se instalando nos meus ossos, eu suspirei soltando um estalo dos lábios antes de continuar a falar, — Mas não é só isso… eu recebi um vídeo ontem. De um número desconhecido. Ela ficou em silêncio, esperando eu continuar. Eu mordi o lábio e demorei um pouco antes de falar— Era Marcus. Ele estava com a assistente dele. O ar ficou denso entre nós, mesmo pelo telefone eu conseguia sentir a respiração pesada dela, — O quê? — Ele estava transando com ela. — Minha voz tremeu, mas não chorei. Já tinha chorado tudo o que podia na noite anterior. Agora, só havia cansaço e uma raiva fria se instalando no meu peito. — ele estava até feliz. Nádia bufou do outro lado, e pude imaginar seu rosto vermelho de raiva. — Aquele desgraçado! Eu sempre soube, Hadassa! Sempre soube! Ele não te merece, amiga! Você precisa dar um pé na b***a desse infeliz! Fechei os olhos, absorvendo a energia furiosa dela. — E é exatamente isso que eu vou fazer. — Respirei fundo e soltei de uma vez. — Vou pedir o divórcio. O grito de comemoração dela me fez afastar o celular da orelha — p**a MERDA! Aleluia! Finalmente! Meu Deus, vou até abrir uma champanhe agora! Eu ri, um riso curto e sem humor. — E tem mais. Eu vou assumir minha parte na empresa Alecastro. Dessa vez, Nádia ficou em silêncio por alguns segundos. — Você tem certeza? — Sim. — respondi sabendo que ela tem mais a falar. — Eu fico feliz, você sabe que fico. Mas… eu sei que você ama o nojento do Marcus, Hady. Aquelas palavras atingiram meu peito como um soco bem dado. Porque eram verdadeiras. Eu estava magoada, mas eu ainda o amava. A pior parte de tudo isso não era a traição. Nem a humilhação de receber aquele vídeo. A pior parte era saber que eu ainda o amava. E que ele nunca me amou. Respirei fundo, endireitando minha postura. — Eu sei, Nádia. Mas isso precisa acabar. Ela suspirou do outro lado. — Eu estou com você. Sempre. Vamos mostrar pra esse merda o que ele perdeu. Dessa vez, meu sorriso foi um pouco mais sincero. — Obrigada, bombom. Vou me arrumar e te encontro na empresa em uma hora, temos muito a fazer. Desliguei, sentindo o coração acelerar. A minha decisão estava tomada. Agora, eu só precisava encontrar a força para seguir até o fim. O silêncio se prolongou por alguns segundos depois que desliguei. Mas antes que eu pudesse colocar o telefone de lado, ele vibrou de novo. Nádia estava me ligando de volta. Atendi com um suspiro. — O que foi agora, mulher? Eu acabei de desligar. — Eu só precisava reforçar uma coisa antes de você vir pra cá. — A voz dela estava firme, até um pouco seria, — Você sabe que não está sozinha, né? Eu sei que esse casamento sugou até a última gota da sua felicidade, e sei que, mesmo agora, você ainda tem sentimentos pelo Marcus. Mas você não precisa enfrentar essa merda sozinha. Eu tô aqui. Eu sempre estive, e sempre vou estar. De você precisar sair daí e não quiser ficar com os seus pais, sabe onde fica minha casa. Fechei os olhos por um segundo, sentindo um nó apertar minha garganta. — Eu sei, Nádia… E sou muito grata por isso. Obrigada, mesmo. Ela bufou do outro lado. — Gratidão o c****e. O que eu quero é te ver feliz de novo. — o tom indignado me fez bufar uma risada, — Eu quero a Hadassa que bebia vinho comigo até cair, que fazia planos de dominar o império Alecastro sem precisar desse casamento ridículo. Quero você de volta, amiga. Se despeça desse peso morto que você ainda chama de marido. Meu coração apertou, porque eu também queria isso. — E eu vou voltar, Nádia. Eu prometo. — Ótimo! Porque se você não fizer isso sozinha, eu juro que te arrasto pelos cabelos. Eu ri, um riso um pouco mais verdadeiro dessa vez. — Acho que prefiro fazer por conta própria, obrigada. — Ótima escolha. Agora, veste sua roupa de CEO fodona e vem logo pra cá. Temos uma empresa para dominar e um ex-marido pra enterrar… metaforicamente, claro. — Claro… — fiz uma pausa e depois acrescentei: — Ou não. Nádia gargalhou. — É sobre isso! Vem logo, rainha. Seu império está esperando por você. Desliguei com um sorriso no rosto. Eu ainda amava Marcus. Mas, pela primeira vez, amar não era o suficiente para me fazer ficar. Me arrumei rapidamente e fui para o escritório. Nádia já havia me mandado mensagens sobre estar me esperando. Assim que empurrei a porta de vidro do escritório da Empreendimentos Alecastro, senti o ar gelado da recepção tocar minha pele. Meu olhar se deparou com Marcus e Ana, que coincidentemente estavam a poucos metros de mim, eles trocaram um breve instante de cumplicidade antes de se afastarem assim que meus passos me anunciaram. — Hadassa... o que você está fazendo aqui? — A voz de Marcus cortou o silêncio desgastante enquanto encarava a mão de Ana no braço dele. Eu o observei com uma calma fria que nunca havia sentido antes. Pela primeira vez, a indiferença se misturava à firmeza na minha postura. Caminhei em direção à mesa de reunião, onde alguns executivos já trocavam impressões sobre os negócios do dia, sem sequer me dar uma segunda olhada. — A empresa me pertence tanto quanto a você, Marcus — respondi, com um tom desdenhoso, — Vim para a reunião, já que ela é importante. — Desde quando você participa de reuniões importantes da empresa? — ele perguntou curioso. — Desde hoje. — respondi secamente. Ana, que observava a cena com aquele sorriso cínico que sempre me irritou, se adiantou e me cumprimentou com ironia. — Bom dia, Hadassa — disse ela, como se estivesse participando de um teatro absurdo, onde os papéis de todos já estavam pré-determinados. — É senhora Alecastro para você. — eu respondi revirando os olhos para a insolência dessa garota. — Bom dia, senhores acionistas! Espero que o dia de hoje seja produtivo. — continuei, me dirigindo a todos. — A partir de hoje eu estou reivindicando minha cadeira neste conselho. Os burburinhos começaram como eu havia previsto. Minha presença na empresa agora era uma declaração de independência. E, mais do que isso, um aviso: eu estava pronta para tomar as rédeas, para reescrever as regras deste jogo.
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