Capítulo 5

1211 Palavras
Hadassa Alecastro Ao final da reunião todos os presentes ficaram encantados com os novos projetos que eu decidi implementar na empresa. Você não achou que eu viria até aqui sem um plano, não é? Marcus tentou refutá-los algumas vezes, mas eu vim para cá preparada e não dei muito espaço para que ele decidisse nada. Às vezes, você tem que ensinar um homem a calar a boca e apenas ouvir o que você tem a dizer, é uma pena que eu demorei muito para fazer isso. Eu saí da sala com Nádia me acompanhando, carregando meus projetos e também meu acordo de divórcio. Para sair desse casamento eu precisava de mais provas, apenas aquele vídeo poderia ser contestado e o contrato de união das nossas empresas era muito rígido. — Hady, amor. Espere, porque está saindo com tanta pressa? — a voz de Marcus me alcançou me fazendo girar os calcanhares para encontrá-lo. Ele se aproximou segurando meu braço, olhei para onde a mão desse traidor estava parada e tentei não ficar enojada quando a memória do vídeo em que ele fode Ana voltou a minha memória. — Desculpe não ter ido para casa ontem, querida. — ele disse soltando meu braço e colocando as mãos nos bolsos casualmente, — Eu tive uma reunião muito importante. Soltei uma risada seca, daquelas que vêm do fundo da garganta quando a paciência já evaporou faz tempo. Cruzei os braços, o encarando como se estivesse diante de um inseto irritante demais para ser ignorado. — Uma reunião, é? — Minha voz saiu doce, tão doce que até Nádia arregalou os olhos, reconhecendo o tom perigoso que eu usava quando estava prestes a f***r alguém, mas de um jeito muito menos divertido do que Marcus tinha feito com a v***a da Ana. Eu respirei fundo, mantendo o sorriso nos lábios enquanto meus olhos percorriam o rosto dele, procurando qualquer sinal de vergonha. Nada. Ele parecia tranquilo. Cínico. Arrogante. O típico filho da p**a que acha que pode controlar tudo com uma piscadinha e um pedido de desculpas murmurando "foi só trabalho". — Olha Nádia, ele disse que teve uma reunião de trabalho. O rosto de Marcus ficou tenso, mas ele manteve a pose. Sempre tão controlado, tão calculado, como se os sentimentos dos outros fossem números em uma planilha que ele podia apagar. Típico. — Imagino que essa reunião tenha sido bem... — dei um passo para perto, o salto dos meus Louboutins ecoando no piso de mármore do saguão principal da empresa, — produtiva, não? A máscara de confiança dele vacilou por um segundo. Um segundo. Mas eu vi. E me alimentei daquilo, ergui uma sobrancelha, olhando diretamente nos olhos dele. — Engraçado... eu também tive uma. Com uma gravação. Sabe qual? Aquela onde a sua assistente implorava por mais enquanto você a estapeava como se fosse um pornô de quinta categoria. Adorei aquela parte em que você falou para ela ir mais rápido. — Hady... — ele começou, num tom mais baixo, tentando me conduzir para um canto menos visível, mas eu o afastei. — Não vamos fazer um show aqui. — Ah, Marcus. — Soltei uma risada seca e deliciosa. — Quem está fazendo um show é você. E aquele gemido ridículo que você soltou no final? “p***a, Ana, você é tão gostosa? — recitei com perfeição, olhando bem dentro dos olhos dele. — Você sempre foi r**m de performance, mas em video é ainda pior do que eu imaginava. — Não sei do que você está falando. — ele disse finalmente, tentando recuperar o controle. — Não? — Inclinei a cabeça. — Então talvez você queira assistir comigo de novo. Posso até organizar uma sessão coletiva. Quem sabe os conselheiros da empresa que você tanto preza gostariam de ver sua dedicação multitarefa. — Chega, Hadassa. — ele se aproximou de novo, agora com um pouco menos de arrogância e um pouco mais de tensão nos ombros. — Você sabe que nosso casamento sempre foi um acordo. Você sabia desde o princípio. — E ainda assim, eu fui estúpida o suficiente pra tentar fazer funcionar. — estreitei os olhos, sentindo o nó de mágoa queimar na garganta, mas não permiti que ele se transformasse em lágrimas. Eu não ia mais chorar por esse homem. — Mas não se preocupe, Marcus. Eu finalmente entendi o jogo. Ele deu um passo à frente, mas ergui a mão, impedindo-o de se aproximar. — Não se mexa. — minha voz saiu baixa e cortante. — Você está acostumado com mulheres que se calam e aceitam seus caprichos, mas eu não sou mais essa mulher. A Hadassa que você ignorou, que você traiu e usou como fachada nos jantares de negócios, morreu no dia em que aquele vídeo chegou no meu celular. Os olhos dele piscaram uma emoção que ele tentou esconder — raiva, talvez, ou quem sabe... medo? Difícil dizer. Com Marcus era sempre tudo tão frio que qualquer traço de humanidade parecia um erro de cálculo. — Isso não muda nada. Você ainda é minha esposa. Isso ainda é a Albieri & Alecastro. Você precisa ter mais cuidado com o que ameaça fazer. Aí estava. O verdadeiro Marcus. O manipulador, o empresário frio, aquele que sempre falava negócios antes de sentimentos, mesmo quando o casamento estava afundando. — Não se preocupe, querido. — respondi, passando a mão pelo paletó dele como se limpasse algo nojento. — Eu não estou ameaçando. Eu estou afirmando — Isso é ridículo. Está realmente disposta a jogar tudo no lixo por uma reação emocional? — ele resmungou, o maxilar travado. — Você sabe o que vai perder. Dei um passo à frente, agora eu é que invadia o espaço dele. — Eu sei muito bem o que já perdi ficando ao seu lado: minha dignidade, minha paz, minha esperança. Mas a boa notícia é que eu estou recuperando tudo isso, começando agora. Entreguei o envelope que Nádia trazia em mãos, firme, sem hesitar. Ele olhou para o papel como se fosse um ataque pessoal. E era. Um golpe limpo, elegante e merecido. — Isso é...? — ele começou, mas eu cortei: — O nosso divórcio. Estou te dando a chance de sair da minha vida com um pingo da classe que você nunca teve. Assine. Entregue sua parte como homem, pelo menos uma vez. — Você está blefando. — Marcus disse com um riso incrédulo, tentando recuperar o controle. — Isso pode te custar tudo. — Não, Marcus. O que me custaria tudo seria continuar casada com um homem que goza enquanto destrói a mulher que diz proteger. Ele cerrou os punhos e desviou o olhar, a máscara dele começando a rachar. Pela primeira vez, Marcus Albieri não tinha resposta. — Ah, e só para constar... — acrescentei com um sorriso carregado de veneno. — Hoje, os investidores adoraram meus projetos. E adivinha? Eles também acham que sua imagem de CEO familiar está... desgastada. Então, parabéns. Você perdeu o que mais ama: o controle. Girei nos calcanhares, com Nádia atrás de mim, e saí daquele prédio com a cabeça erguida. Pela primeira vez em muito tempo, sentia que não estava apenas sobrevivendo. Estava lutando. E vencendo. O jogo estava só começando. E agora era jogado sob as minhas regras.
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