matando a saudade

996 Words
Depois do almoço, ele me deixou no trabalho com um beijo suave e um sorriso encantador. — Às 22h eu venho te buscar, tá? Te amo. — Te amo também… — respondi, sentindo meu coração aquecido por aquele cuidado diário. Assim que entrei, cumprimentei alguns colegas que já estavam por lá. Fui direto para o vestiário, troquei de roupa e segui para a recepção assumir meu posto. Amanda chegou logo em seguida e também foi se trocar. O expediente até que correu tranquilo. Nosso patrão não apareceu, então o ambiente estava mais leve, quase descontraído — parecia que todos respiravam melhor sem a presença dele. Cada funcionário tinha direito a um lanche por turno. Eu escolhi uma porção de batata frita para levar e complementar o jantar em casa. Estava prestes a ir até o café quando ele apareceu… Aquele mesmo cara com quem eu tinha saído antes de conhecer Otávio. Ah, não de novo, pensei, revirando os olhos discretamente. Ele se aproximou e, talvez percebendo minha reação, disse com a voz baixa: — Fica tranquila… não vou tentar nada. Seu namorado já deixou bem claro o que pode acontecer comigo se eu me aproximar de novo. Só quero um lanche pra viagem. Não respondi, apenas finalizei o pedido e enviei para a cozinha. Pedi à Amanda que entregasse o lanche no lugar de me aproximar dele. Enquanto isso, Otávio já havia chegado e estava lá fora, encostado no carro, me esperando com aquela expressão séria de sempre quando se tratava de me proteger. O rapaz recebeu o lanche das mãos da Amanda e, ao sair, deu de cara com Otávio. Eu vi o exato momento em que ele empalideceu, como se o chão tivesse sumido sob seus pés. Montou rápido na moto e foi embora sem olhar para trás. Otávio cruzou os braços e ficou me esperando, com o semblante ainda mais fechado. Fui terminando de fechar tudo com Amanda. Ela foi embora antes de mim. — Boa noite, Otávio — ela se despediu. — Boa noite, Amanda. Tem mais alguém lá dentro, ou só a Kelly? — Só ela. Mas já está terminando de guardar o dinheiro no cofre. Assim que finalizei os últimos procedimentos, tranquei a porta por fora e caminhei até ele. — Boa noite, amor. Está esperando há muito tempo? — Uns vinte minutos, só. — respondeu ele com um sorriso contido. Beijei seus lábios com calma e entrei no carro. Durante o trajeto, contei o que aconteceu. — Aquele cara apareceu de novo. Fingiu que não me viu, abaixou a cabeça. Disse que só queria um lanche e que você já tinha deixado bem claro o que faria se ele se apaixonasse de novo por mim. Pedi à Amanda que entregasse o pedido. Eu não queria nem cruzar o olhar com ele. Otávio apertou o volante com mais força. — É bom que ele mantenha distância. Se ele ousar te tocar de novo, eu acabo com ele. Não vai sobrar nada nem pra contar história. Sorri. Saber que ele me protegia com tanta intensidade aquecia algo dentro de mim. — Vamos comprar uma pizza, amor. Assim você não precisa ir pra cozinha a essa hora. — Ah, que delícia! Eu tô mortinha e louca por uma massagem. Ele sorriu malicioso. — Pode deixar, você vai ganhar a melhor de todas. Paramos numa pizzaria, fizemos o pedido e, enquanto esperávamos, dividimos um açaí. Depois de quarenta minutos, a pizza ficou pronta e seguimos direto para casa. — Mãe, chegamos! — avisei ao entrar. Ela estava no quarto assistindo a um filme. Fui até lá. — Boa noite, mãe. Trouxemos pizza. — Boa noite, filha. Como foi o dia? — Cansativo, mas tudo certo. Otávio quis comprar pizza pra eu não ir pra cozinha agora. — Tá certíssimo. Você tá exausta. Vai, toma um banho, come e descansa. — E a senhora, não vai comer? — Acabei de jantar. Você deixou a comida pronta pro almoço e janta, então comi faz pouco tempo. — Nem um pedacinho? — Tô cheia, filha. Chama meu genro pra me dar boa noite. Vou dormir já. — Tá bom, mãe. Amor, minha mãe quer te ver antes de dormir. Otávio foi até lá. — Boa noite, sogrinha. Tudo bem? — Tudo ótimo, meu filho. Só estava esperando vocês chegarem mesmo. Já jantei, então não vou comer pizza. — Que pena, a pizza tá com uma cara ótima. — Aproveitem vocês dois. Kelly tá exausta. Descansem. — Obrigado, sogra. Bom descanso pra você também. Ele voltou para o quarto. Dei um beijo na testa da minha mãe. — Boa noite, mamãe. Dorme bem. No nosso quarto, Otávio já havia ligado a TV. Peguei uma roupa, fui pro banho. Quando saí, vestindo apenas um top e shortinho, com os cabelos soltos e um perfume suave, ele me olhou com desejo escancarado. — Uau… o que é isso? Sorri. Nos aproximamos e nossos lábios se encontraram com fome e ternura. Estávamos há duas semanas sem nos tocar… a saudade pulsava no corpo. Nos deitamos. Ele me beijava com calma, com uma paixão quente e paciente. Seus lábios desceram pelo meu pescoço, depois pelos s***s, me arrancando suspiros. Ele abaixou meu shortinho com lentidão, e sua língua encontrou minha i********e com maestria. Me arrepiava inteira, gemendo baixinho para minha mãe não ouvir… era como se eu tocasse o céu e voltasse. Quando ele me penetrou, foi com tanta delicadeza e intensidade que meu corpo inteiro vibrava. Cada movimento era calculado, carinhoso, entregue. Ele me olhava nos olhos, atento a cada reação minha, fazendo amor como se meu prazer fosse a missão mais importante da noite. Depois de nos saciarmos, fomos tomar um banho juntos, rindo e trocando carícias no chuveiro. Depois, sentamos na mesinha do quarto, onde ele já tinha colocado a pizza e servido o suco. Comemos assistindo um filme qualquer. Mas ali, com ele ao meu lado, com o corpo leve e a alma tranquila, tudo parecia perfeito.
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