os gênios da escola

988 Words
Dois meses se passaram... Graças a Deus, minha mãe já tinha recebido alta e estava se recuperando bem em casa. A recuperação dela estava sendo surpreendente, sem nenhuma complicação. Meu coração se enchia de alívio todas as vezes que eu a via sorrir, mais forte, mais viva. Eu havia me acostumado a morar com Otávio. Dormir agarradinha a ele todas as noites tinha virado um refúgio, uma paz que me embalava. Mas eu sabia que com minha mãe de volta, tudo poderia mudar... Até que, num fim de tarde, enquanto passávamos tempo juntas, ela me olhou com ternura e disse: — Minha filha... Eu sei que você se acostumou a estar com o Otávio, a tê-lo por perto. Por isso, ele pode continuar dormindo aqui sempre que quiser. Eu sou imensamente grata a Deus... e a ele. Ele cuidou de você, te protegeu. É um rapaz maravilhoso. E eu vejo nos olhos dele o quanto ele te ama... E vejo também o quanto você o ama. Minhas lágrimas se acumularam sem permissão. Me joguei nos braços dela, emocionada. — Ah, mamãe... Você é maravilhosa. Obrigada por tudo. Eu vou contar a ele que você autorizou. Ele vai ficar tão feliz. Na manhã seguinte, acordei cedinho e preparei um café da manhã especial. Levei até o quarto e coloquei na bandeja com todo carinho. — Bom dia, mamãe. Como a senhora dormiu? Ela abriu um sorriso calmo e respondeu: — Bom dia, filha. Dormi bem, graças a Deus. Obrigada por esse café tão carinhoso. Mais tarde, lavei a louça com cuidado, deixei tudo arrumado. Me troquei para ir à escola e, antes de sair, passei no quarto dela mais uma vez. — Mãe, tô indo. Já ajeitei tudo, tá? Por favor, fica deitadinha assistindo TV. Depois pega um solzinho no quintal, mas nada de sair pra rua ou fazer esforço. Eu não vou conseguir vir pro almoço porque tenho um trabalho pra fazer, então vou comer algo fora. Mas já deixei sua comida na vasilha, é só esquentar no micro-ondas, tá bom? Ela segurou minha mão com carinho e disse: — Tá bom, meu amor. Pode ir tranquila. Eu vou ficar bem, prometo. Beijo... se cuida na rua. A caminho da escola, meu celular tocou. Era ele. — Bom dia, vida! — sua voz suave me fez sorrir imediatamente. — Bom dia, minha princesa! Já saiu de casa? — Sim, tô no ponto de ônibus. — Me espera aí, tô chegando! Desliguei com o coração acelerado. Quando vi o carro dele se aproximando, senti aquele friozinho gostoso na barriga. Ele desceu, me puxou pela cintura e me beijou com tanto amor que até o tempo pareceu parar. — Como está minha sogra? — ele perguntou, entrelaçando nossos dedos. — Está bem, graças a Deus. Dei café pra ela, organizei tudo, preparei o almoço e deixei só pra ela esquentar. Hoje tenho trabalho da escola, então não vou conseguir voltar,vou comer comer qualquer coisa na rua. — Comer qualquer besteira na rua, não! — ele disse sorrindo — Hoje nós vamos almoçar juntos, combinado? — Combinado — respondi sorrindo, sentindo meu coração derreter por ele. Chegamos à escola e ele parou o carro um pouco distante. Ficamos ali, nos beijando como dois apaixonados que tinham passado anos separados. A saudade era tanta... — Que saudade de você, de te ter toda pra mim — ele sussurrou com os olhos brilhando. — Nem fala, amor. Eu também tô assim... Sorri com um brilho especial e contei: — Ah, minha mãe disse que você pode dormir lá quando quiser. Ele me olhou, surpreso e feliz: — Sério? Então eu vou hoje mesmo. Tô com saudade da minha mulher. Nos beijamos de novo, com carinho, com desejo e com amor. Até que ouvimos alguém bater no vidro. — Ei, por que vocês não vão pro motel logo? — disse Amanda, rindo, ao lado de Gabriel — Falta pouco pra vocês sucumbirem aí mesmo nesse carro. Gargalhamos. — Ah, para, vocês são tão piores! — brinquei. Pegamos nossas bolsas e fomos para a aula. Assim que entramos, a professora nos olhou divertida: — Olha só a nerd gata e o bad boy nerd. Essa lua de mel tá fazendo bem, hein? Rimos alto. Era bom se sentir leve assim. No meio da aula, a professora me chamou: — Nerd gata, vem aqui explicar pra turma o conceito desse tema! Era biologia. Ah, como eu amava aquela matéria! Fui até o quadro e comecei a explicar, com segurança, escrevendo e detalhando cada parte. Quando percebi, todos me olhavam com atenção. Ao terminar, a professora disse emocionada: — Kelly, acho que vou entregar meu cargo pra você. Explicou melhor do que eu! — Professora, desculpa... Não quis te desrespeitar. É só que eu amo essa matéria, estudo ela até fora de aula! Ela sorriu e respondeu: — Você não me desrespeitou, meu bem. Só me impressionou. Você é tão meiga, tímida, mas quando apresenta algo, se transforma. Você nasceu pra brilhar, Kelly. Fui aplaudida. Voltei para meu lugar emocionada. Otávio me puxou num abraço. — Amor, eu fiquei em choque! Você arrasou! Já sabe que faculdade quer fazer? — Eu amo farmácia, mas meu sonho mesmo é ser PRF! Ele sorriu: — Esse também é meu sonho! Mas prefiro a PF. Quero fazer Direito. — Ah, meu futuro delegado... — beijei ele com amor. — Nunca imaginei que tínhamos esse sonho em comum! Pouco depois, fizemos um trabalho de física juntos, construímos uma maquete com a linha de raciocínio da astrofísica. Levamos mais de uma hora, mas ficou impecável. A professora, encantada, elogiou: — Que trabalho maravilhoso! Vocês estão liberados! No caminho até o restaurante, Otávio entrelaçou nossos dedos e disse: — Nós formamos uma dupla e tanto, hein, amor? Nossa linha de raciocínio ficou incrível. — Ficou mesmo, meu amor... — respondi sorrindo. — E sabe o que mais? Nós dois juntos somos ainda melhores.
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