momentos leves

1138 Words
O cheiro doce do café fresco e do pão quentinho se espalhava pela casa, vindo da cafeteira e da máquina de pão que já estavam programadas para preparar o café da manhã. Aquele aroma envolvia tudo, deixando o ambiente quente e acolhedor. Um por um, os casais começaram a sair dos quartos, ainda meio sonolentos, com sorrisos de orelha a orelha. O primeiro a aparecer foi Caio, puxando Isadora pela mão, ambos com olhares brilhantes e faces coradas pelo calor da noite. Logo depois, João apareceu com Renata, os dois trocando olhares intensos, cheios de cumplicidade e aquela sensação gostosa de terem vivido momentos incríveis juntos. Leandro e Luiza surgiram logo em seguida, trocando risadinhas, enquanto Otávio e Kelly apareciam, radiantes, deixando transparecer a paixão que ainda queimava entre eles. Por último, Marcos chegou com Carla, a energia entre eles ainda pulsando forte, confirmando que aquela noite não seria esquecida tão cedo. Cada vez que um casal cruzava o corredor, alguém do grupo, com um sorriso maroto, soltava: — Ah! Pensei que não fosse levantar da cama hoje! Era uma provocação carinhosa, que arrancava risadas de todos. As meninas estavam nas nuvens, ainda embaladas pelo sonho e pelo calor da paixão, mas os homens estavam muito mais loucos do que elas — olhos famintos, sorrisos largos, e aquela vontade de continuar, de se divertir e aproveitar. E assim, juntos, os casais brincavam, provocavam e sorriam, enchendo a casa de uma energia leve, divertida e intensa. Uma manhã feita para brincadeiras, para o amor que flui, para a sensação gostosa de estar junto, vivendo aquele momento de pura diversão e desejo. Carla chegou na casa de Marcos com o coração batendo mais rápido do que gostaria de admitir. Era cedo para conhecer os pais dele, mas lá estava ela, do lado dele, sentindo aquele friozinho gostoso na barriga. Marcos percebeu seu nervosismo e, com um sorriso gentil, apertou sua mão suavemente. — Não precisa ficar nervosa, relaxa... meus pais são incríveis — disse ele, abrindo o portão com a outra mão. Assim que entraram, Carla deu de cara com uma cena inusitada e até cômica: a mãe dele, linda, de pele bronzeada e corpo em forma, estava deitada em uma cadeira de praia, tomando sol com óculos escuros. Ao lado dela, o pai dele, um coroa muito bem conservado, também aproveitava o sol como se fosse um domingo eterno. Marcos sorriu: — Mãe, pai... bom dia. Essa é a Carla — ele olhou para ela com ternura — o motivo pelo qual eu não voltei pra casa ontem. Carla sorriu sem graça enquanto ele lhe dava um beijo no rosto. A mãe de Marcos tirou os óculos num pulo, levantando-se com energia e vindo na direção de Carla com um sorrisão: — Carla! Muito prazer, que linda você é! — Muito obrigada — disse ela, um pouco tímida. — Eu me chamo jessica. Muito prazer, senhora... — Senhora?! — Jéssica arregalou os olhos, fingindo ofensa com humor. — Meu amor, olha pra mim, olha pra você... parecemos irmãs! Nada de senhora, pelo amor de Deus! Ela deu um abraço apertado em Carla, que riu, mais aliviada. — Eu vou só pegar umas coisas aqui que a gente vai conhecer a cachoeira Recão dos Deságuas — disse Marcos, já indo em direção ao quarto. — Ai, que tudo! — disse Jéssica, animada. — Amo esse lugar! Ela se virou de novo para Carla: — E aí, minha querida, tudo bem? — Tô bem sim — respondeu Carla, agora mais tranquila. — Ai, fico muito feliz. Só uma perguntinha... — Claro, pode falar. — Você faz faculdade também? Trabalha? — Eu não trabalho, só faço faculdade. Curso Direito na mesma faculdade que o seu filho. Mas... a gente não se conheceu na faculdade — ela riu, corando — nos conhecemos ontem, na praia. — Mentira! Sério?! — Jéssica colocou a mão no peito, fingindo choque. — Gente, tá vendo, amor? Que mundo pequeno! — Verdade — respondeu Filipe, o pai de Marcos. — Mundo pequeno mesmo. Jéssica então segurou as mãos de Carla com carinho: — Carla, não importa se vocês se conheceram ontem. Pro meu filho te trazer aqui hoje... é porque ele gostou muito de você. E eu gostei mais ainda. Espero te ver mais vezes, viu? Carla sorriu, emocionada: — Obrigada. De verdade. Nesse momento, Marcos voltou com uma mochila nas costas: — Pronto! Já peguei tudo. — Vamos, então — disse Carla. Marcos deu um abraço apertado na mãe e depois no pai: — Mais tarde talvez eu volte. Os dois riram e Jéssica falou: — Deixa de ser bobo. A gente sabe que você não vai voltar. Aproveitem! As férias estão aí pra isso. E Direito dá dor de cabeça mesmo. Rindo, Marcos pegou na mão de Carla e eles saíram, entrando no carro com sorrisos leves, como quem sabia que o dia estava só começando... e cheio de promessas boas. No caminho de volta, o vento batia suave pela janela aberta, e Carla ainda sorria, com o coração aquecido pelo encontro com os pais de Marcos. Ela se virou pra ele, os olhos brilhando. — Nossa, sua mãe é um amor de pessoa… Amei conhecer ela. Muito maravilhosa, carinhosa, simpática demais. Me tratou tão bem... Marcos dirigia com uma das mãos no volante e a outra pousada com carinho nas costas dela, como se quisesse manter aquele contato constante, íntimo. — Fico muito feliz de ouvir isso — ele disse, com um sorriso calmo. — Minha mãe é tudo pra mim, mesmo. E eu aposto que ela deve ter falado, né? Que se eu levei você lá, é porque gostei de você. Carla riu e confirmou com um aceno tímido: — Sim… ela disse isso sim. — E é verdade — ele continuou, o tom mais sério e sincero agora. — Esse carro aqui que eu comprei… nunca levei ninguém. Nunca. Nem pra passear. E muito menos pra conhecer meus pais. Eu também nunca imaginaria que ia te conhecer ontem, na praia, e hoje já te levar lá... Mas eu realmente gostei de você, Carla. Ela sentiu o coração acelerar. Seus olhos encontraram os dele e, sem hesitar, respondeu baixinho: — Gostei de você, Marcos... Num instante, ele encostou o carro no acostamento de terra batida, com uma vista bonita das montanhas ao longe. Virou-se para ela e, sem dizer nada, segurou seu rosto com carinho e a beijou. Foi um beijo intenso, carregado de emoção e calor, como se ambos tivessem encontrado algo que nem sabiam que estavam procurando. Quando os lábios se separaram, Carla sorriu, e Marcos também, antes de colocar o carro novamente na estrada. Pouco tempo depois, chegaram à casa onde os amigos estavam. Carla desceu animada, com o coração leve e o sorriso no rosto. Entrou rapidamente para se arrumar.
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