Otávio carregou Kelly para dentro do quarto. Ela estava completamente entregue ao álcool, o corpo mole, os cabelos grudados de suor e o vestido colado à pele, marcado por respingos de vômito e risadas. Ele a colocou com cuidado sentada na beirada da cama, tentando manter a calma.
— Vem, amor. Vamos tomar um banho — disse ele, com a voz baixa e firme, tentando tirar o vestido dela com delicadeza.
— Ah, não... — resmungou ela, a voz arrastada. — Eu não quero banho nenhum... Tô com dor de cabeça...
Otávio suspirou, paciente.
— Você quer sim. Precisa tomar um banho, precisa dormir. Está fedendo a vômito, Kelly.
Ela riu debochada, tombando de lado.
— E você não vai me dar sermão não? Que milagre...
— Qualquer coisa que eu disser agora, você não vai ouvir.
Ela levantou uma sobrancelha, os olhos pesados e vermelhos.
— Só lembra que bêbado fala a verdade, tá? Então escuta isso: eu te amo, Otávio. Mas eu não vou mais aceitar ser presa. Eu não sou tua prisioneira. Eu quero viver. E se você não me deixar... eu vou embora. Eu sumo nesse mundo.
E antes que ele respondesse, ela virou o rosto e vomitou de novo, gemendo logo em seguida.
Otávio respirou fundo, conteve o nojo e a raiva.
— Tá bom, Kelly. O que você quiser. Mas agora, por favor, deixa eu cuidar de você.
Ele a pegou no colo e levou para o chuveiro, ligando a água gelada para tirar o cheiro forte de álcool e vômito. Kelly estremeceu, resmungou, tentou fugir do jato, mas estava tão fraca que m*l conseguia manter os olhos abertos.
Ele passou o sabonete com cuidado por todo o corpo dela, lavando cada centímetro, com carinho e silêncio. Depois de um bom tempo, secou com a toalha, vestiu nela um pijama folgado e a levou para a cama.
— Aqui. Bebe isso — disse, entregando uma garrafa de água.
— Eu não quero... — murmurou ela, virando o rosto.
— Kelly... por favor.
Ela bufou, revirou os olhos e, vencida, bebeu alguns goles. Depois, se enfiou nos lençóis, apagando logo em seguida.
Otávio soltou o ar lentamente, olhando para ela por alguns segundos. Então foi ao banheiro, tomou um banho demorado e, ao voltar, deitou-se ao lado dela, observando seu rosto adormecido.
— Eu só quero você feliz... — sussurrou.