A resaca da kelly

395 Words
Otávio carregou Kelly para dentro do quarto. Ela estava completamente entregue ao álcool, o corpo mole, os cabelos grudados de suor e o vestido colado à pele, marcado por respingos de vômito e risadas. Ele a colocou com cuidado sentada na beirada da cama, tentando manter a calma. — Vem, amor. Vamos tomar um banho — disse ele, com a voz baixa e firme, tentando tirar o vestido dela com delicadeza. — Ah, não... — resmungou ela, a voz arrastada. — Eu não quero banho nenhum... Tô com dor de cabeça... Otávio suspirou, paciente. — Você quer sim. Precisa tomar um banho, precisa dormir. Está fedendo a vômito, Kelly. Ela riu debochada, tombando de lado. — E você não vai me dar sermão não? Que milagre... — Qualquer coisa que eu disser agora, você não vai ouvir. Ela levantou uma sobrancelha, os olhos pesados e vermelhos. — Só lembra que bêbado fala a verdade, tá? Então escuta isso: eu te amo, Otávio. Mas eu não vou mais aceitar ser presa. Eu não sou tua prisioneira. Eu quero viver. E se você não me deixar... eu vou embora. Eu sumo nesse mundo. E antes que ele respondesse, ela virou o rosto e vomitou de novo, gemendo logo em seguida. Otávio respirou fundo, conteve o nojo e a raiva. — Tá bom, Kelly. O que você quiser. Mas agora, por favor, deixa eu cuidar de você. Ele a pegou no colo e levou para o chuveiro, ligando a água gelada para tirar o cheiro forte de álcool e vômito. Kelly estremeceu, resmungou, tentou fugir do jato, mas estava tão fraca que m*l conseguia manter os olhos abertos. Ele passou o sabonete com cuidado por todo o corpo dela, lavando cada centímetro, com carinho e silêncio. Depois de um bom tempo, secou com a toalha, vestiu nela um pijama folgado e a levou para a cama. — Aqui. Bebe isso — disse, entregando uma garrafa de água. — Eu não quero... — murmurou ela, virando o rosto. — Kelly... por favor. Ela bufou, revirou os olhos e, vencida, bebeu alguns goles. Depois, se enfiou nos lençóis, apagando logo em seguida. Otávio soltou o ar lentamente, olhando para ela por alguns segundos. Então foi ao banheiro, tomou um banho demorado e, ao voltar, deitou-se ao lado dela, observando seu rosto adormecido. — Eu só quero você feliz... — sussurrou.
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